"Este ano quero regressar ao ginásio e comer melhor" ou "subir as escadas (não as rolantes, as verdadeiras) e beber mais água". Algumas das resoluções de ano novo, ou a grande maioria, prendem-se com hábitos de vida mais saudáveis. Não devem ser desvalorizados, verdade, mas uma ida ao ginecologista é raramente (ou nunca) incluída nas resoluções de ano novo.

Contudo, a saúde não está apenas nuns números a menos na balança. Está também nos resultados de uma mamografia, que podem evitar que faça parte dos 10% de mulheres que descobrem o cancro da mama numa fase metastática, ou nos sintomas da menopausa que podem ser atenuados.

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É isso que explica Fernando Cirurgião, diretor do serviço de ginecologia e obstetrícia do Hospital São Francisco Xavier. Falámos com o especialista para perceber a que é que as mulheres devem estar atentas em 2020. Tome nota.

1. Atualizar a pílula

Atualizar o método contracetivo usado: esta é a primeira dica do ginecologista e está diretamente relacionada com o facto de ser importante a marcação de uma consulta de ginecologia em 2020.

Apesar de reconhecer que em Portugal não há muito mais a desenvolver em termos de métodos contracetivos, o ginecologista Fernando Cirurgião nota que a pílula tem evoluído, e muitas mulheres podem não se ter dado conta: "Neste momento até já há algumas pílulas com aquilo que será uma composição muito próxima do que são os estrogénios naturais. É uma das coisas que tem sido falada ultimamente."

Além disso, a pílula não só se tornou mais natural, como mais acessível no que diz respeito à saúde pública, cuja abertura ao tema permitiu que até na pediatria haja uma ligação com os métodos contracetivos.

"Um dos métodos contracetivos até está muito voltado para utilizar a partir do momento em que se inicia a vida sexual, tendo o aval da pediatria, sendo que esta especialidade estende-se até aos 18 anos e a vida sexual pode começar logo na adolescência", refere o especialista.

A pílula é apenas um dos métodos contracetivos atuais, porque a evolução destes permitiu uma individualização da contraceção, que se traduz em opções variadas que vão desde o anel vaginal até ao sintotérmico.

2. Exames e rastreios

Em 2020, e em qualquer ano na verdade, é altura de fazer rastreio do cancro do colo do útero. É um dos exames mais importantes, uma vez que permite detetar aquele que é um dos cancros mais comuns entre as mulheres.

O ginecologista Fernando Cirurgião refere que há um rastreio cada vez mais massificado do cancro do colo do útero, o que pode permitir uma deteção mais precoce e, neste seguimento, o início do tratamento numa fase ainda inicial da doença — que é conhecida por ser silenciosa e cujos sintomas surgem apenas numa fase avançada.

Além disso, este rastreio permite examinar a presença do vírus do papiloma Humano (HPV), responsável por quase 100% dos casos de cancro do colo do útero. Mas antes de tudo o vírus deve ser prevenido, uma vez é transmitido principalmente por via sexual, e essa é uma das apostas em 2020.

"A prevenção do HPV, que começa a fazer parte dos cuidados de saúde pública, será um grande estandarte dos próximos tempos", refere o ginecologista do Hospital São Francisco Xavier, relembrando a importância da vacinação, que teve algumas evoluções nos últimos anos.

Em 2017 passou a estar disponível em Portugal mais uma vacina do HPV, a nonavalente, que protege contra nove tipos do vírus. Este ano vai fazer parte do Programa Nacional de Vacinação. A vacina vai ser gratuita e inclui agora todos os rapazes com 10 anos, nascidos a partir de janeiro de 2009.

Além do rastreio do cancro do colo do útero, Fernando Cirurgião não deixa de relembrar a importância do rastreio do cancro da mama através da mamografia.

3. Saúde vaginal

Há uma tendência cada vez maior para o uso de produtos de higiene íntima, mas na opinião do ginecologista Fernando Cirurgião não há necessidade para o seu uso: "Essa opção pode ser adequada para aquelas mulheres que têm alguma tendência para desequilíbrios da flora vaginal. Aí poderá ser necessária a utilização de produtos de higiene íntima que respeitem o pH vaginal". Caso contrário, é de evitar.

Além disso, o ginecologista alerta para a necessidade de ter cuidado caso tenha substituído recentemente o gel de banho convencional por sabonete, de modo a minimizar o impacto ambiental. "Os sabonetes têm a particularidade de ter uma ação de detergente, com a tentativa de limpar e tirar quase gordura. Isso é desaconselhado porque acaba por ser demasiado agressivo para a mucosa vaginal, que é demasiado sensível".

"Aquilo que deve ser procurado é que sejam produtos que não tenham grandes aditivos do ponto de vista de aromas, porque isso sem dúvida poderá ser agressivo para a flora vaginal".

Há ainda uma solução natural e tão simples como o bicarbonato de sódio: "Pode soar até um pouco estranho, mas tem as propriedade necessárias. Basta uma pequena quantidade, na forma de pó, e dilui-lo em água tépida, para a pequena higiene", indica o especialista.

4. Menopausa

Um terço da vida da mulher é passada em menopausa. E ao longo dos tempos, esta tem sido vista de uma outra forma: a menopausa já não é sinónimo de um período complicado ou de haver obrigatoriedade de introduzir terapêuticas hormonais de substituição. Ou pelo menos não deveria ser assim.

Isto porque já existem diversas opções que podem melhorar a qualidade de vida da mulher, dado que passou a haver uma maior individualização no tratamento da menopausa, sem que elas tenham de passar por sintomas incapacitantes, que limitem a vida profissional e íntima.

"Existem terapêuticas estrogénicas que são similares aos estrogénios produzidos pelo ovário da mulher, que com a menopausa deixou de os produzir, e naturalmente são eles os responsáveis por todos aqueles sintomas como os afrontamentos, as alterações emocionais, as alterações ósseas", explica o ginecologista Fernando Cirurgião, adiantando ainda que há uma panóplia de sintomas que podem ser combatidos e ultrapassados, sem que seja preciso recorrer obrigatoriamente a terapêuticas hormonais.

O exercício físico, que nunca fica de parte na recomendação de prevenção de qualquer doença, também tem um papel fundamental na menopausa. Mas não pode ser qualquer um: "Por exemplo, fala-se muito da natação. É ótima, é relaxante. Mas do ponto de vista da massa óssea, pouco ou nenhum efeito tem porque acaba por ser algo que é feito com pouca gravidade, com pouco esforço no sentido de estimular a parte óssea", diz o especialista.

A prática de exercício físico em ginásio, com pesos e máquinas, pode ser uma das opções, desde que seja acompanhada por um profissional que indique quais os exercícios mais adequados nesta fase da vida, em que aquilo que se pretende é uma estimulação do aumento da massa óssea.

Para quem não tem disponibilidade de recorrer ao ginásio, a solução são as caminhadas: "No fundo, aquilo que se recomenda é uma prática de exercício físico em que haja estímulo do músculo para promover a renovação do osso".

O exercício, aliado a uma alimentação saudável, é aquilo que permite que haja um menor risco de osteoporose, que está associada à menopausa, e também um menor ganho de peso, algo frequente nesta fase.

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