Neste regresso a um novo normal, somos confrontados com dúvidas todos os dias. Em tudo, é preciso perceber: o que é que continua seguro e o que é que agora representa um risco?

Com o verão a aproximar-se e com o desconfinamento gradual, começam a fazer-se planos de férias. Pensa-se no distanciamento social e em locais mais arejados. Pensa-se em destinos alternativos, que não estejam tão lotados. Agora: é seguro dar mergulhos em águas de piscinas? É seguro entrar no mar? Ou estes locais, onde estão sempre a entrar pessoas, são uma via de transmissão e contaminação?

Boas notícias: de acordo com um parecer publicado a 5 de maio pelo Conselho Superior de Investigação Científica do Ministério da Ciência e Inovação em Espanha, nestas atividades recreativas, a infecção por SARS-CoV-2 por contacto com a água "é muito improvável." No entanto, apesar de as águas em si não representarem um risco elevado, há que considerar as circunstâncias e todas as incertezas relativas ao novo coronavírus.

Antonieta Dias, médica de Medicina Geral e Familiar do Hospital dos Lusiadas, desaconselha totalmente atividades lúdicas que quebrem o confinamento e que envolvam convívios em espaços que reunem várias pessoas, como é o caso das piscinas ou da praia. "Sendo um vírus com tanta mutação e com manifestações tão diferentes, com um tempo de permanência nas superfícies tão variável, mesmo sendo uma piscina partilhada num condomínio fechado, é arriscado participar numa atividade dessas. O mais prudente é de facto não utilizar as piscinas", diz. "Por muitos cuidados que haja, é navegar numa incerteza. Não devíamos arriscar."

Cloro, água salgada e água doce

Segundo o Conselho Superior de Investigação Científica espanhol, no caso das piscinas, o cloro afigura-se como um agente neutralizante do vírus. "Em piscinas e spa, o uso de agentes desinfetantes está amplamente implementado com o objetivo de evitar a contaminação microbiana das águas por afluência de utilizadores", pode ler-se no documento. Prevê-se, assim, que a  "concentração residual do agente de desinfecção presente na água" seja suficiente para a  "inativação do vírus."

A água do mar também parece ser segura. "Atualmente não existem dados de persistência do SARS-CoV-2 na água do mar", uma vez que o efeito de diluição em conjunto com a presença de sal, são "fatores que provavelmente contribuem para a diminuição da carga viral e inativação, em a analogia com o que sucede com vírus semelhantes."

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Sobre a areia, o parecer deste conselho superior diz que, embora não existam estudos "sobre a prevalência do vírus na areia presente nas praias", a ação do sal, juntamente com a radiação ultravioleta do sol e a temperatura alta são "favoráveis à inativação dos agentes patogénicos."

No caso das zonas de SPA, o relatório diz que no caso de ambientes em que as instalações são mantidas a temperaturas altas (> 60ºC), prevê-se que "a sobrevivência do vírus seja reduzida."

Mas quando falamos de rios, lagos, lagoas ou piscinas de água doce não tratadas a história já é outra: o risco "pode ser superior", face ao que se enfrenta nos locais acima referidos, sendo que, por isso, "estes locais mais desaconselhados em relação a outras alternativas", sobretudo quando se trata de locais onde as piscinas naturais sejam pequenas e onde haja grande concentração de pessoas.

Apesar de as águas das piscinas e da praia não serem consideradas uma via de transmissão e contaminação, há que considerar os contextos implicados por estas atividades recreativas, esses sim, muito mais perigosos: nestas zonas juntam-se muitas pessoas, há muitos locais e superfícies comuns — desde casas de banho, a bares ou balneários — e há e a tendência para se desrespeitarem as distâncias de segurança. Como resultado, caso haja pessoas infetadas, o potencial de contágio é enorme.

"Essas atividades geralmente envolvem uma perda das medidas de distância social recomendadas", alerta a entidade espanhola, que alerta: "A principal via de transmissão do SARS-CoV-2 em praias, rios, lagos e piscinas é através da secreções respiratórias que são geradas pela tosse e espirros e contato entre pessoas, portanto as recomendações gerais devem ser mantidas."

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