Há um ano e cerca de cinco meses, vimo-nos confrontados com uma pandemia que alterou os nossos hábitos e deixou sequelas na vida de milhares de pessoas. Para quem já esteve infetado com COVID-19, mas continua com sequelas provocados pela infeção, foi criada uma associação com o objetivo de oferecer um programa de recuperação gratuito a todos os portugueses.

InpsirO2 é o nome da associação que possibilita a inscrição de pessoas com sequelas respiratórias pós COVID-19 num programa de fisioterapia respiratória, definido por fisioterapeutas, que é feito em grupo, online e de forma gratuita.

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De acordo com Miguel Toscano Rico, médico internista responsável pelo projeto, a Inspiro nasceu para ir ao encontro das necessidades dos doentes —"para poderem retomar a sua atividade e recuperarem do ponto de vista respiratório, cardiorrespiratório e funcional" — e também das escolas de fisioterapia — "para poderem participar de uma forma ativa neste trabalho e fazerem também uma aprendizagem nos meios de tele-reabilitação"—, explica o profissional à MAGG.

Deste modo, com base na evidência científica disponível e conforme definido pelos fisioterapeutas docentes das escolas parceiras, os programas de reabilitação têm a duração de oito semanas e durante este período são realizadas duas a três sessões online por semana onde são sempre sugeridos exercícios para os dias em que não há encontro marcado.

Atualmente, a fisioterapia destina-se apenas a doentes que já tenham tido alta da COVID-19 e o objetivo é que os mesmo consigam regressar, aos poucos, à vida normal que ficou condicionada pelas sequelas deixadas pelo novo coronavírus. "As sequelas variam muito de pessoa para pessoa e, evidentemente, são mais intensas nas pessoas que estiveram internadas. Ainda assim, mesmo as pessoas que não estiveram internadas têm muitas sequelas do ponto de vista funcional", afirma Miguel Toscano Rico, referindo que a fadiga é uma das mais evidentes. "Pessoas que eram saudáveis e se cansam muito a subir dois simples lances de escada."

Como me posso inscrever e como são desenvolvidas as sessões?

Para se inscrever, basta aceder ao site da associação e preencher um pequeno questionário com os seus dados. Depois de feita a inscrição, os participantes são avaliados por fisioterapeutas e colocados num grupo constituído por quatro a seis pacientes com sintomas idênticos.

Ao longo das oito semanas, a intervenção é realizada por dois estudantes finalistas do curso de Fisioterapia das escolas parceiras (atualmente cerca de 19, de norte a sul do País), orientados, acompanhados e supervisionados por um fisioterapeuta responsável em todas as sessões.

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Segundo Miguel Toscano Rico, a fisioterapia tem uma grande componente respiratória, mas também se destina ao fortalecimento muscular e a uma vertente cardiorrespiratória. "À medida que vamos trabalhando isto, vamos notando os ganhos de autonomia dos doentes. Os doentes cansam-se menos, toleram progressivamente esforços maiores, ficam com menos necessidade de apoios e esta recuperação funcional é a grande mais valia", assume o especialista responsável pelo projeto, acrescentando que todos os pacientes são também avaliados após as oito semanas do programa.

As sessões são totalmente gratuitas, mas, no final, cada pessoa pode deixar uma contribuição monetária, se assim entender. Atualmente, são cerca de 70 doentes acompanhados pela associação, mas Miguel Toscano Rico frisa que há capacidade para receber muitos mais.

Na Inspiro são realizados exercícios que contemplam o treino aeróbio, o fortalecimento muscular, o treino de equilíbrio e flexibilidade e há  uma componente de educação para a saúde, sem descurar outros exercícios ou técnicas que os fisioterapeutas entendem adequados às necessidades específicas de cada participante.

Em Portugal, o número total de pessoas infetadas com COVID-19 já ultrapassou largamente as 900 mil e há ainda a registar mais de 17 mil mortes.

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