Na hora de escolher uma casa há que ter em conta preços, localização e, por via das dúvidas, o ideal é passar pela zona a várias horas do dia para conseguir avaliar a vizinhança.

É certo que ter pessoas a andar de tacão alto no andar de cima ou cães a ladrar no rés do chão não pintam o melhor dos cenários, mas talvez seja melhor esquecer por uns minutos o que se passa entre paredes e  abrir horizontes para o que se passa lá fora.

Aquele que é considerado o maior estudo britânico sobre a relação entre saúde mental e a natureza prova que viver perto de árvores, jardins e parques serve como uma espécie de antídoto contra a depressão e a ansiedade.

Para chegar a esta conclusão, os investigadores das Universidades de Oxford e Hong Kong deixaram de lado outros fatores, como o nível de vida de cada um dos participantes, e descobriram que a exposição à natureza por si só pode reduzir as hipóteses de desenvolver uma depressão em mais de 5% dos casos.

Durante a investigação foi analisada a saúde mental de uma amostra de 95 mil pessoas e foram usadas fotografias aéreas de alta resolução para dar uma nova perspetiva das ruas de dez cidades de Inglaterra, Escócia e País de Gales. No final, foi possível perceber uma relação entre a proximidade a espaços verdes e a redução dos níveis de stresse, tanto em bairros situados no centro das cidades, como nos subúrbios e, por isso, mais longe da confusão. “Temos finalmente a prova daquilo que já sabíamos: a natureza salvaguarda o bem-estar mental”, refere Chinmoy Sarkar, um dos responsáveis pelo estudo, cuja teoria vem ao encontro da preocupação recente em fazer crescer a cidades sem esquecer a qualidade de vida dos cidadãos.

Cidades a crescer

Está previsto que, até 2030, 60% da população mundial viva em cidades. São exatamente estas previsões que fazem crescer a preocupação com o planeamento urbanístico.

O Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, sigla em inglês) tem vindo a conjugar forças entre os planeadores urbanísticos e os profissionais de saúde de forma a que juntos possam pensar em cidades que privilegiem a saúde mental de quem lá vive. Está até em marcha um projeto que prevê criar aquilo que designam como “healthy new towns”, ou cidades mais saudáveis e que, na prática, serão pequenos aglomerados urbanísticos com dezenas de espaços verdes, acesso virtual a cuidados médicos e escolas sem fast food nas redondezas.

As mulheres e a natureza

Apesar de estar mais do que provado que viver perto de sítios verdes aumenta a qualidade de vida, nem todos somos afetados da mesma forma por ter árvores como vizinhos.

O estudo conclui que existem três grupos mais suscetíveis à presença da natureza nas imediações: as mulheres, pessoas com mais de 60 anos e pessoas que vivam em bairros mais pobres.

Também para isto Sarkar tem uma explicação: as pessoas mais velhas interagem muito mais com o espaço exterior, vendo na natureza urbana uma fonte de bem-estar. O mesmo acontece com as mulheres que, além disso, vivem mais situações de stresse do que os homens. Ainda sobre situações de stresse, essas são também mais comuns em bairros mais pobres. Só com estes três exemplos, explica o autor, será possível idealizar uma cidade de maneira a dar verde a quem mais dele beneficia.

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