Ver o "Hell's Kitchen" dá-me pena. Vamos começar já assim. E perguntam vocês: é a produção pobre? Não, o programa está ótimo. É Ljubomir? Também não, ame-se ou odeie-se o estilo, é o que se quer neste tipo de formato — e, na verdade, sou só eu que até acho o chef mais "calmo" e caloroso do que em algumas das emissões do "Pesadelo na Cozinha"? É a qualidade da comida? Não, não, não.

O que me dá verdadeiramente pena, pelo menos até agora, é a falta de camaradagem na equipa das mulheres. E acreditem que não queria nada estar a escrever isto, porque parece que só estou a contribuir para a ideia de que as mulheres não se apoiam umas às outras, que estão sempre à espera de uma oportunidade para passar uma rasteira à colega do lado. Mas, infelizmente, é exatamente isso que se passa na equipa vermelha do programa da SIC.

"Hell's Kitchen". Ana Sofia é a segunda concorrente a abandonar o inferno de Stanisic
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Depois de um primeiro serviço digno de chacota de ambas as equipas, e de a azul ter sido especialmente má — o que ditou a expulsão de Raúl —, a equipa dos homens parece ter encontrado o rumo. Ainda perderam uma das provas de vantagem, o que teve como consequência uma sessão de crossfit, mas o castigo do chef parece ter dado frutos: a equipa dos homens ficou mais unida do que nunca, e deixou Ljubomir cheio de orgulho na emissão deste domingo, 28 de março, de "Hell's Kitchen".

Por outro lado, mesmo depois de se sagrarem vencedoras, tanto do serviço como da prova da sala, o programa arrancou com as queixas de Rute sobre Francisca e Cândida, duas das concorrentes mais fortes, a que as colegas já franzem o olho por as acharem mandonas e brutas. "Aqui ninguém é superior a ninguém", disse Rute sobre a concorrente brasileira, mesmo que no programa de estreia a cozinheira de Grândola tenha entrado a matar. Mal sabia Rute que o seu perfil de mazona na cozinha não ia assustar quem prefere canalizar todos os seus esforços para a cozinha, e não para amedrontar a concorrência.

Ao longo de todo o programa as mulheres continuam sem se apoiar umas às outras — ou muito pouco — e mesmo em momentos que são alertadas pelo chef para erros em pleno serviço de jantar, são mais rápidas a apontar dedos do que a corrigir o prato. Depois de um cliente devolver um caril por estar muito picante, Rafaela apressou-se a dizer que a culpa não era dela e a procurar alguém da equipa vermelha para levar com a raiva de Ljubomir. Mas este, muito prontamente, lhe disse que era mais fácil resolver o problema do que encontrar alguém para levar com as culpas.

E não é por existirem falta de personagens na equipa azul. Caramba, quantas fichas temos apostadas que o Lucas não vai perder a oportunidade para lixar um colega assim que for preciso? É que ele é empresário no ramo da carne, nunca esquecer. Piadas à parte, e quer Lucas ou qualquer outro possa ter cartas na manga para chegar o mais longe possível, a verdade é que a equipa dos homens sabe quando é que é altura para trabalhar individualmente e em equipa. E se na próxima eliminação azul até podemos ver as garras de fora, na hora de cozinhar os homens trabalham juntos — e isso tem dado frutos.

Este domingo, a equipa azul, sob a liderança de Diogo, venceu a prova do serviço e escapou à eliminação. Depois de Daniela, a líder da vermelha, se autonomear por considerar não ter sido capaz de levar a sua equipa à vitória, foi acompanhada por Ana Sofia e Ana Cristina nas nomeações. As duas Anas também se voluntariaram para a decisão final do chef Ljubomir por considerarem ser das mais fracas na equipa vermelha. Stanisic acabou por se decidir por Ana Sofia e a queijeira foi a segunda concorrente a ser eliminada do programa da SIC.

Mas existiram vários outros momentos marcantes na emissão deste domingo. Vamos a isso?

Diogo levou a sua equipa à vitória, qual fénix renascida das cinzas

Depois de não ter conseguido surpreender o chef na primeira emissão do programa com o seu prato de assinatura, de ter desabado em lágrimas em frente a Ljubomir ao assumir o seu passado com drogas e de também não ter tido uma prestação propriamente brilhante no primeiro serviço do restaurante de "Hell's Kicthen", Diogo surpreendeu tudo e todos na noite deste domingo.

Equipa Azul
Diogo, 36 anos, Barreiro créditos: sicoficial/Instagram

Nomeado líder da cozinha pelo chef do 100 Maneiras, o concorrente do Barreiro foi exímio na sua tarefa, dividiu bem os colegas pelas secções, repetiu bem alto os tickets do serviço para toda a equipa ouvir, certificou-se que todos os pratos estavam em condições e acabou o serviço antes de tempo com uma cozinha limpa e pronta para o teste do "algodão não engana".

O golpe final na equipa rival? Quando o chef Ljubomir pediu ajuda a Diogo e à equipa azul para ajudarem a vermelha a terminar os seus pedidos. Ouch, até a mim me doeu.

Lucas, seu matreiro. Viste logo que a Daniela é mais bolos, não é?

Enquanto as duas equipas preparavam o serviço do jantar, o chef Stanisic resolveu dar aos concorrentes um desafio extra que trazia consigo uma preciosa vantagem: o de confecionarem um ovo estrelado em três minutos. Com quase todos os participantes do programa a revelarem-se péssimos na arte de estrelar um ovo, Lucas foi dos poucos que se lembrou de colocar manteiga e brindou Ljubomir com o melhor ovo da noite.

Vencedor do desafio, Lucas teve a oportunidade de decidir quem seria a líder da equipa vermelha para o serviço — anteriormente, o chef Stanisic já tinha incutido Rute da tarefa. O elemento dos azuis mudou de ideias e colocou Daniela no papel. "Escolhi a Daniela para liderar porque ela não tem experiência nenhuma", disse Lucas.

Equipa Azul
Lucas, 31 anos, Vila Verde créditos: sicoficial/Instagram

E funcionou. A concorrente, que muito jeito tem para a pastelaria, foi uma nódoa na chefia e conduziu a equipa das mulheres à desgraça e, consequentemente, à eliminação. Touché, Lucas. Matreiro, mas bem pensado.

"Ovogate". Ou como um ovo estrelado gerou um conflito e quase uma dupla expulsão

No mesmo desafio do ovo, Hélder tentou contornar as regras. O desafio ditava que os participantes só podiam começar a fazer o ovo estrelado à chamada de Stanisic, mas o cozinheiro de Londres resolveu começar a preparar um ovo sempre que um elemento da equipa vermelha era chamado, de forma a poder adiantar-se.

"Hell's Kitchen". Concorrentes para a segunda temporada já começaram a ser escolhidos
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O chef reparou, não gostou e chamou-o à atenção. "Eu não te mandei fazer o ovo, pois não?", insistiu Ljubomir Stanisic, dirigindo-se a Hélder. "Queres ocupar o meu lugar aqui? Três minutos não te chegava?". O ovo ainda por cima não estava nada bom, por isso Hélder, má jogada.

Já na equipa das mulheres, e depois de Rafaela ter percebido o sucesso do ovo de Lucas por juntar manteiga, segredou a dica a Rute, que se encontrava ainda a fazer o prato. Mais atento que um falcão, Stanisic percebeu e quase fez as duas concorrentes voar para fora do programa.

"Só para saberem que posso mandar-vos para casa quando eu quero", ameaçou o chef. Depois de ponderar sobre o futuro das duas concorrentes, Ljubomir chamou-as para anunciar a decisão. A conversa começou com uma repreensão do chef, que considerou o que Rute e Rafaela fizeram algo "inadmissível". "Se querem mostrar aldrabices, não é aqui", deixou claro, mas acabou a dar uma nova oportunidade a ambas.

Jéssica? Não, Jennifer

Há muitos anos, uma rapariga da minha faculdade que namorava com o meu ex-namorado, resolveu trocar-me o nome quando tivemos uma breve interação numa festa. Eu sabia que ela sabia perfeitamente como é que eu me chamava, ela também, mas trocar uma pequena palavra doeu-me mais que pisar uma peça de Lego descalça.

Aquele insulto subtil de "nem sei quem tu és" que nos toca lá no fundo, sabem? O momento aconteceu em frente a um dos meus melhores amigos, que até hoje se ri daqui a Bagdade ao recordar a situação — mas a verdade é que funcionou, ou não estaria eu aqui a lembrar-me disso mais de uma década depois.

Equipa Vermelha
Jennifer, 31 anos, Cabo Verde créditos: sicoficial/Instagram

E foi exatamente isso que Cândida fez na emissão de ontem. Apesar de conviver com as colegas não só na gravação do programa da SIC, mas também nos momentos livres, dado que vivem todos juntos, a concorrente brasileira resolveu dirigir-se a Jennifer como Jéssica. Do género, "sou tão melhor que tu que nem vou aprender o teu nome". O pior foi mesmo quando a concorrente de Cabo Verde a corrigiu e Cândida seguiu em frente com um esgar algo irónico e um desculpa rápido.

É que alguém viu a raiva na cara de Jennifer? Baixo, Cândida, mas certeiro.

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