O título merece várias explicações, e começamos pela mais óbvia: o que é "Don't F**k with Cats"? É que se ninguém fala sobre isto, serão também poucos os conhecem. Mas nós explicamos. É uma série documental lançada pela Netflix a 18 de dezembro e à primeira vista parece falar sobre vídeos de gatos fofinhos e a exposição dos mesmos.

Mas não é nada disso. Na realidade, a série remete-nos para uma investigação online, que tem como objetivo encontrar o autor de vídeos perturbadores cujo conteúdo começou precisamente com gatos.

Pelo nome são poucos os que chegam ao tema da série, mas há duas coisas que indicam que é mais do que gatos fofinhos: o facto de ser uma série documental, que só por si já nos diz que envolve investigação e testemunhos, e a palavra “fuck”.

Podia ser uma forma divertida de dizer algo como “não usem os gatos para entreter as pessoas na internet”, e apesar de ser mais ou menos isso, a mensagem é bastante mais forte e algo como: “Não matem os gatos para pôr na internet“.

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No primeiro dos três episódios, ainda estamos a tentar perceber até onde é que "Don't F**k with Cats: Hunting an Internet Killer" (nome original) nos vai levar, mas ao longo de cada episódio de quase uma hora compreendemos não há nada de divertido ou fofinho — e que o assunto é bastante sério.

Deanna Thompson começa por apresentar-se, por mostrar quem é no mundo digital — Baudi Moovan, já agora, nome que se ouve mais frequentemente durante o documentário — e a fazer-nos refletir sobre a nossa própria forma de estar na internet.

Nesta fase ainda estamos longe de prever o enredo, mas já temos algumas pistas de que este não é um documentário leve — começando a preparar-nos para elevados níveis de ansiedade. Não vamos cair em spoilers, porque cada episódio fala por si, mas no final da série documental há um nome que não sai da cabeça: Luka Rocco Magnotta.

O crime de Luka correu o mundo — mas (quase) não chegou a Portugal

O crime cometido por Luka Magnotta, apelidado de canibal canadiano, aconteceu em 2012. Luka, na altura com 34 anos, foi preso em junho de 2012, quase dois meses depois de ter assassinado Jun Lin, um estudante chinês em Montreal, no Canadá, com quem se envolveu. A relação acabou em homicídio, tendo Luka cortado Jun em pedaços, enviando algumas partes do corpo para escolas e partidos políticos, e comendo outras.

A dimensão do crime valeu-lhe prisão perpétua, mas só em dezembro de 2014, de acordo com o jornal "Mirror", é que foi considerado culpado do assassinato — se vir a série, vai perceber o porquê desta demora.

Ora, entre 2012 e 2014 foram vários os meios internacionais que falaram sobre este assassino. No auge dos acontecimentos, no verão de 2012, a "BBC News" fazia manchete com "Luka Magnotta suspeito de cortar partes do corpo volta para o Canadá", continuando a notícia a anunciar que o também ator de pornografia canadiano foi extraditado da Alemanha, local onde foi capturado a 4 de junho, mais precisamente num cibercafé em Berlim depois de ser reconhecido pelo funcionário.

Até ao Brasil chegou este crime perturbador: "Ator porno acusado de despedaçar estudante chinês é preso em Berlim", dizia a manchete do jornal "Globo" em junho de 2012. Um ano depois Luka continuava a ser notícia, aparecendo em jornais como o "Daily Mail" que dava conta de que o canibal canadiano enfrentou em tribunal a família do rapaz assassinado.

Na China, no jornal "South China Morning Post", o nome de Luka Magnotta foi falado, relacionado também com o facto de ser o país de origem do estudante Jun Lin, que morreu de forma chocante. Na notícia de 2014 continuava a falar-se do caso e a manchete dizia "Luka Magnotta era um 'homem em missão' quando desmembrou Lin Jun", para introduzir o facto de o procurador Louis Bouthillier, depois de analisar e-mails e provas, ter concluído que Magnotta agiu movido pela fama.

E em Portugal? Passaram-se oito anos desde que o crime foi conhecido e há apenas uma notícia do jornal "Notícias ao Minuto" em 2014, que falou sobre o caso. Mas desde então que nem mais um caractere foi escrito sobre o Magnotta.

Pelo menos até esta terça-feira, 21 de janeiro, dia em que surgiu a segunda manchete sobre este assassino. "Ator porno que matou e comeu o corpo do namorado vai casar com assassino na prisão", dizia o jornal "Correio da Manhã" nessa data. Um dia depois surgiram notícias de outros meios nacionais, como o jornal "Sol", que dava conta do casamento de Luka Magnotta, agora com 38 anos, com outro recluso dentro do estabelecimento prisional, tema também divulgado pelo "Jornal da Madeira".

Estas notícias recentes têm algo em comum: "Don’t Fuck With Cats". Não fosse o documentário produzido pela Netflix e continuávamos sem saber quem foi Luka Magnotta e o impacto que teve lá fora. No IMDb a série documental está classificada com 8,1/10 — uma boa classificação, mas com base em 16.503 avaliações.

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Parecem muitas, é um facto, mas "Ana com A" ganha com 20.832 avaliações e mais cotação (8,6/10), "Sex Education" tem 94.513 avaliações e uma cotação também superior de 8,3/10. Estas séries podem entreter mais, compreende-se. Talvez esteja em causa a ansiedade causada pela série documental que não permite que muitas pessoas se entusiasmem com "Don’t Fuck With Cats". Entende-se.

Mas não deixa de ser uma série que merece a nossa atenção. Os gatos desta série documental servem como um alerta para vários temas que perturbam a sociedade: os perigos da internet, a capacidade da mesma invadir a vida privada e as doenças mentais. Vale a pena ver.

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