Ainda o mundo não estava confinado devido ao surto do novo coronavírus e já "The Head" estava a ser escrita prevendo um cenário semelhante, embora não devido a um vírus invisível. Nesta história, o inimigo é outro mas sempre potenciado por um contexto em tudo parecido ao da vida real — um isolamento forçado, mas necessário e com objetivos muito concretos.

A série passa-se na Antártida e acompanha um grupo de cientistas destacado para uma missão na remota estação de investigação polar chamada Polaris VI. Com a chegada do inverno rigoroso, a maioria da equipa regressa à civilização deixando para trás dez dos investigadores que ali permanecem, isolados, a trabalho no progresso de um estudo focado nas alterações climáticas. A reviravolta acontece quando, meses depois, a maioria da equipa regressa à estação e se apercebe que apenas dois dos dez cientistas isolados sobreviveu a um massacre inexplicável e sem precedentes. Pelo menos nisto não há dúvidas: entre aquele grupo de cientistas, há um assassino implacável e sem remorsos.

Quem é o responsável pelas mortes? E quais os motivos? A resposta vai sendo revelada a cada episódio de "The Head", uma produção da Mediapro Studio em parceria com a Hulu Japan e a HBO Asia, que se estreia esta quarta-feira, 21 de outubro, em Portugal, às 22h50 no AXN. O nome mais sonante do elenco é o de Álvaro Morte, conhecido pelo seu papel como O Professor em "La Casa de Papel" e que aqui dá vida ao cozinheiro Ramón, um dos sobreviventes do massacre e uma das figuras mais misteriosas da equipa na estação polar.

O argumento da história é assinado pelos espanhóis, e irmãos, DavidÀlex Pastor, que, à MAGG, dizem que a ideia da série surgiu por parte da produtora Mediapro que os desafiou a pensar numa história que se passasse na Antártida e se desenrolasse depois de vários cientistas aparecerem mortos de forma inexplicável numa base remota.

O conceito original estava pensado, mas faltava tudo o resto. "Achámos a premissa muito interessante e um grande desafio de escrita, por isso propusemo-nos a imaginar tudo o que tinha acontecido durante aquele inverno rigoroso e, no fundo, construir o resto da história. Quem são aquelas personagens? Afinal, o que é que estavam a fazer na Antártida? Quem é o responsável pelos homicídios? São tudo questões às quais tentámos dar resposta embora o conceito original não fosse da nossa autoria", explica Àlex Pastor.

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E continua: "Quisemos criar uma série que funcionasse como um thriller [género de que tanto Àlex como David assumem ser fãs], mas que também tivesse mistério, momentos de ação e alguns momentos assustadores. Mas, além disso, que fosse também uma história muito humana em termos temáticos e relevante."

Sobre a estranheza de criar uma história focada no isolamento e na forma como isso tem impacto na sanidade mental das personagens, é algo que tanto David como Àlex se têm vido a habituar enquanto argumentistas de ficção científica. "Quando se escreve sobre o futuro, na verdade o que acontece é que também se está a escrever sobre o presente pegando nos conflitos, nos receios e nas ansiedades do agora tentando extrapolá-las para o futuro", refere Àlex Pastor.

David Pastor é da mesma opinião e diz que esta capacidade única que a ficção tem de prever ou, melhor dizendo, teorizar sobre possíveis futuros, tem muito que ver com a investigação sobre o passado que qualquer argumentista de ficção científica é obrigado a fazer. "Quando a realidade copia a ficção, não é como se a ficção tivesse previsto alguma alguma. Apenas teve a capacidade de olhar para o passado que, infelizmente, sabemos ter tendência a repetir-se."

E não é por acaso que ambos estão à vontade para falar disto. É que o primeiro filme que os irmãos Pastor escreveram e realizaram em 2009, chamado "Carriers", foca-se numa crise epidémica muito semelhante à que atualmente está a afetar o mundo inteiro. "Quando fizemos esse filme, aquilo que mais ouvimos da boca dos especialistas foi a garantia de que o mundo iria voltar a lidar com uma pandemia como a que estamos a atravessar agora. Disseram-nos que era obrigatório prepararmo-nos para o que vinha aí, mas não nos preparámos. Não significa que tenhamos previsto alguma coisa, mas sim que era expectável que fosse acontecer. E aconteceu", defende Àlex.

Uma história com princípio, meio e fim

Quanto a "The Head", os irmãos quiseram criar uma história que tivesse a "sofisticação" e a "complexidade" a que os espectadores da televisão moderna já estão habituados a ver nas suas séries. E isso, dizem, só seria possível contando "uma história completa que fosse para lá do mistério do assassino da Antártida".

Por isso, a garantia de ambos à MAGG é que o conflito ficará concluído numa única temporada composta por seis episódios. "Dissemos à equipa da Mediapro que queríamos que esta história tivesse um princípio, um meio e um fim para que, ao final do sexto episódio, todas as perguntas tivessem resposta. Sabíamos que se tentássemos expandir para lá disso, eventualmente iríamos ficar sem material por isso usámos todas as ideias que tivemos para este projeto", explica Àlex.

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Mas nem por isso fecham a porta a um possível regresso ao universo de "The Head", talvez em formato antológico com novos dilemas e novas personagens a cada temporada nova.

"Seria interessante aproveitar o ADN daquela história e transpô-lo noutro ambiente e com outras personagens que estivessem isoladas e a sofrer com uma situação de perigo iminente", explica David que recusa, no entanto, o regresso da história original "The Head" que ajudou a escrever.

Do elenco da série fazem ainda parte nomes como John LynchKatharine O'DonnellyAlexandre WillaumeRichard SammelTomohisa Yamashita e Laura Bach.

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