Comer passou a ser um ato próximo daquilo que conhecemos como experiência científica. Há que ler rótulos, saber que dextrose é açúcar, que a lactose afinal não é o milagre que nos serviam em copos de leite antes de dormir e que o pão, ai o pão, afinal não é mais do que um conjunto de ingredientes complexos quando, na verdade, só seria necessária a mistura de três: água, sal e farinha.

Seja por opção ou por saúde, por intolerância ou moda, porque quer emagrecer ou apenas sentir-se mais saudável, todos os que se preocupam minimamente com a alimentação têm um inimigo em comum: os processados. Estão associados a doses extra de açúcar e sal, a comida empacotada ou em lata, a níveis de gordura desnecessárias e a tudo o que de mau possa ser escolhido para uma refeição. Mas na verdade, não estaremos perante mais um daqueles casos em que se odeia muito algo sem se saber ao certo porquê?

Os melhores e os piores tipos de açúcar e adoçante no mercado
Os melhores e os piores tipos de açúcar e adoçante no mercado
Ver artigo

A pensar nessas situações, decidimos falar com quem percebe realmente de comida para entender se estamos a orientar o nosso ódio na direção certa.

O que são alimentos processados?

Comecemos por aí. Afinal, sabemos mesmo do que se trata quando falamos em processados? "São todos aqueles que foram alterados e que já não consumidos na sua forma original", explica à MAGG Paula Teixeira, investigadora da Escola Superior de Biotecnologia da Católica no Porto. A título de exemplo, a especialista refere que serão todos os alimentos cozinhados, congelados, cortados, enlatados. E basta esta primeira explicação para perceber que se calhar estamos a exagerar um bocadinho quando pomos todos os processados dentro da mesma categoria.

Lillian Barros, nutricionista, explica que basta descascar um amendoim ou tirar a pele a uma amêndoa para que esse produto passe a ser um processado. "Deixou de estar na sua condição original, ou seja, sofreu um processo de transformação".

Claro que, a partir daqui, podemos individualizar os alimentos e categorizá-los consoante o grau de processamento. "Um processamento ligeiro será, lá está, descascar um amendoim. Já um ultraprocessamento acontece quando adicionamos ao alimento outros ingredientes, como os conservantes ou os agentes intensificadores de sabor", acrescenta. Neste último caso, falamos de snacks salgados, refrigerantes, bolachas, pão embalado ou lasanhas e massas pré-feitas.

Podemos então fazer a distinção entre o processamento de alimentos em ambiente doméstico e o que é feito a nível industrial, "esses sim, muitas vezes associados a alimentos com muitos açúcares, gorduras e aditivos", acrescenta Paula Teixeira.

Os piores alimentos que encontrámos à venda no bar de cinco escolas
Os piores alimentos que encontrámos à venda no bar de cinco escolas
Ver artigo

Os processados que as nutricionistas toleram

Agora que sabemos que nem todos os processados são iguais, percebemos que há alguns  — os de processamento mais ligeiro — que podem e devem fazer parte de uma dieta. "Uma sopa, por exemplo, é feita com legumes cortados e descascados e cozinhados. Não deixa de ser um processado, mas um processado seguro", explica a investigadora Paula Teixeira. E dá ainda outro exemplo. "Comparemos, por exemplo o leite pasteurizado (processado) com o leite cru. Haverá dúvidas de que o leite pasteurizado é muito mais seguro que o leite cru?".

Se mesmo assim restarem dúvidas sobre o que é ou não um alimento de qualidade, Lillian Barros apresenta a solução: "Ler os rótulos, mas lê-los para além do número de calorias", uma vez que acontece com frequência um alimento ser baixo em calorias exatamente pela adição de ingredientes externos.

E para provar que a leitura de um rótulo não obriga a uma licenciatura em química avançada,  Lillian deixa três dicas.

Valorizar a lista de ingredientes. "Por lei, têm que aparecer por ordem de decrescente, isto é, do ingrediente em maior quantidade para o ingrediente em menor quantidade."

Ler para além do 'bio' e do 'saudável' escrito nas embalagens. "Uma barrita de tâmaras e nozes, para que seja saudável, deve ter como ingredientes principais tâmaras e nozes, sem adoçantes artificiais."

Sem ingredientes estranhos. "Há um truque: se há nomes de ingredientes que a sua avó não conhece, não compre. Significa que são produtos extremamente industrializados e feitos com matéria prima que as pessoas normalmente não conhecem, e ainda bem."

Newsletter

A MAGG é uma magazine para mulheres MAGGníficas. A MAGG faz um apanhado das mais estranhas que encontrámos nos sites das lojas.
Subscrever

Notificações

A MAGG é uma magazine para mulheres MAGGníficas. A MAGG faz um apanhado das mais estranhas que encontrámos nos sites das lojas.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.