A história não precisa de muito para ser contada. Um professor de natação de uma equipa de Leiria, chamado João Paulo Fróis, terá humilhado e abandonado em Espanha um aluno de 14 anos porque ele se recusou a ser praxado. E em que é que consistia a praxe? Uns calduços antes de entrar na piscina? Não. Umas pinturas na cara? Não. Isso é para meninos das universidades. Crianças crescidas de 14 anos levam logo com cabelos rapados. Mas nem sequer é aquele rapar tipo tropa, ou máquina 1, não, é só rapar tipo Santo António, ou fazer uns desenhos ridículos na cabeça com a máquina de cortar cabelo.

Vamos lá ver se entendemos todos. Um adulto, já de cabelo grisalho, acha uma boa ideia rapar a cabeça de miúdos de 14. Um adulto, que é professor desses mesmos miúdos. Um adulto que exerce, pela natureza do cargo, um poder de autoridade sobre uma criança. Não satisfeito, esse mesmo adulto acha normal e aceitável que se humilhe uma criança que se recusa a ser sujeita a tal barbaridade. E pior: esse adulto acha razoável que a criança que não entrou no jogo da praxe — criança de 14 anos, é importante repetir — seja abandonada num país estrangeiro.

A história é relatada no jornal "Correio da Manhã" desta segunda-feira, 26 de setembro. O jornal ouviu o professor, que usou argumentos como "quem não deve não teme" para se defender. Disse, ainda, que a sua defesa "vai ser feita no sítio próprio, que é o tribunal". Mas calma. É que há uma razão objetiva para o menor ter sido deixado em Espanha pelo professor, e é o próprio professor que o explica. "Ele foi mal-educado. Tratou-me por tu". Ah, OK, pronto, isso muda tudo. Não tenho dúvidas de que o tribunal aceitará a justificação e acho até razoável que condene o puto a pagar uma indemnização ao pobre professor, que foi insultado ao ser tratado por tu.

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Agora vamos ao outro lado da história. Eu sou pai de três crianças, com 4, 9 e 15 anos. Um deles ainda anda na natação. Se por qualquer razão do mundo o professor resolvesse fazer isto a um filho meu, não sei se iria deixar que o tribunal e as autoridades agissem. Iria fazer tudo o que estava ao meu alcance para que este ser fosse afastado de toda e qualquer atividade que envolvesse crianças. Um homem que faz isto a uma criança não pode, em qualquer circunstância, ser "professor". Ele não ensina nada, ele precisa de ser educado e ensinado naquilo que são os princípios básicos do civismo, da educação e do respeito. Um adulto que faz isto a uma criança é um descerebrado, que merece uma punição exemplar. Mais: um homem que se intitula professor, que não admite que o tratem por tu, que trata assim crianças, e que depois, quando é denunciado, não tem sequer a dignidade de assumir a asneirada que fez e pedir desculpa, revela a total ausência dos princípios básicos que devem orientar um ser humano.

Não compreendo, sequer, como é que um adulto acha que pode fazer isto a uma criança e, depois, ter a coragem de enfrentar os pais dessas mesmas crianças. O que é que ele achou que iria acontecer quando qualquer pai visse o filho com a cabeça neste estado? E quando esses mesmos pais soubessem que o responsável (material ou moral) tinha sido o próprio professor? Uma sorte, mas mesmo uma grande sorte nenhum lhe ter ido à cara. Assim de repente, não estou a ver muitos pais deste mundo a lamentar caso isso tivesse acontecido.

Mas digo isto com todo o respeito, senhor professor, longe de mim ousar tratar vossa excelência por tu.

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