Uma entrevista feita à princesa Diana em 1995, no programa "Panorama" da BBC, volta em 2020 a dar que falar, desta vez devido à decisão da BBC em lançar uma investigação independente e nomear o ex-juiz do Supremo, John Dyson, para liderar a investigação sobre a forma como o jornalista Martin Bashir conseguiu obter esta entrevista histórica. O processo já conta com o apoio do filho mais velho de Diana, o príncipe William, que afirmou que a investigação "deverá ajudar a repor a verdade", disse, de acordo com o jornal britânico "Daily Mail".

A "verdade" a que se refere diz respeito às "ações que levaram à entrevista do 'Panorama' e das decisões subsequentes tomadas por aqueles que estavam na altura na BBC", continua William. Isto porque, Lady Di, como era conhecida, fez revelações inéditas — como o lado conturbado do casamento com o Príncipe Charles que havia terminado em 1992 (apesar de o divórcio só se ter tornado oficial em 1996) e o facto de ter um amante —, que abalaram a Família Real.

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No entanto, 25 anos depois de a entrevista ser transmitida e assistida por 22,8 milhões de britânicos, a BBC está a ser acusada de ter usado extratos bancários falsos para coagir Diana a conceder a entrevista. A princesa de Gales foi levada a crer que a casa real pagaria a informadores para a traírem. 

Em causa está uma alegada traição à princesa Diana e também ao irmão, Charles Spencer, de 56 anos, que entretanto já acrescentou mais detalhes ao caso cuja investigação vai seguir para tribunal. O irmão da princesa Diana acusa o jornalista Martin Bashir de ter falsificado documentos, "supostos registos bancários", para a conseguir convencer a dar a entrevista. Charles Spencer pede ainda que a BBC aceite “toda a gravidade desta situação” e exige um inquérito formal sobre os danos usados e sobre o "encobrimento" do caso.

A BBC já tinha avançado com uma investigação interna, liderada pelo diretor-geral da altura, Tony Hall, que defendeu Martin Bashir, dizendo que era um indivíduo fundamentalmente honesto e que "não pensou" quando pediu que os extratos bancários fossem falsificados, ilibando assim o jornalista de irregularidades. Hall acrescentou ainda, de acordo com o "The Guardian", que recebeu uma carta escrita pela própria Diana, na qual esta deixava claro que os documentos falsos não foram a razão pela qual decidiu fazer a entrevista.

Contudo, o caso voltou a reacender quando o Channel 4 e a ITV lançaram um documentário a propósito dos 25 anos da entrevista, para a qual solicitaram o pressuposto da liberdade de informação de modo a terem acesso a documentos da BBC. Foi aqui o ponto chave para se levantarem novas suspeitas e dar início a uma nova investigação que agora está nas mãos do ex-juiz John Dyson.

Este vai analisar a conduta de Bashir, bem como o impacto da entrevista a nível internacional e o nível de conhecimento da BBC sobre o assunto. O avanço da investigação independente foi revelado pelo novo diretor-geral da BBC, Tim Davie, que afirmou: "A BBC está decidida a ir ao fundo desta questão e por isso temos em andamento uma investigação independente", pedindo ainda desculpa pelo uso de documentos falsos.

O jornalista em causa, Martin Bashir, de 57 anos, não deverá prestar declarações, uma vez que está infetado com COVID-19 e com um quadro clínico complexo há várias semanas, revela o "The Guardian".

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