Uma estimativa da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE) mostra a dimensão das necessidades dos equipamentos para alunos: há, pelo menos, 300 mil estudantes que não têm computador próprio em casa, revelam os inquéritos sobre acessibilidade digital, levados a cabo pelas escolas na preparação para o ensino remoto, que arranca já na segunda-feira, 9 de fevereiro.

Contrariamente ao que seria expectável, há mais pedidos de equipamento, comparativamente ao primeiro confinamento. Em março de 2020, a estimativa apontava para 200 mil alunos do ensino básico e secundário sem computador com acesso à internet, para acompanhar as aulas a partir de casa. Além disso, no primeiro período, já foram entregues 100 mil computadores, no âmbito do programa Escola Digital, outro fator que fazia crer que o cenário fosse outro. 

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Mas não. As novas estimativas apontam para um mínimo de 300 mil alunos sem equipamento em casa — acredita-se que esse número esteja mais próximo dos 350 mil, diz Manuel Pereira, presidente da ANDE. Este volume pode ser explicado, diz o jornal "Público", pela aprendizagem que escolas e famílias fizeram nos últimos meses sobre o ensino à distância. Depois da experiência de março de 2020, as famílias perceberam que "não chega tem um computador em casa”, diz Manuel Pereira ao mesmo jornal.

Assim, desta vez, ao invés de questionar sobre se as famílias teriam um computador com ligação à internet em casa, os diretores perguntaram, antes, se cada aluno tinha um equipamento através do qual pudesse acompanhar as aulas e ter acesso aos conteúdos disponibilizados online pelos professores.

Desta forma, os pedidos de empréstimo de equipamento às escolas aumentaram. “Numa família de cinco, com três filhos na escola e os dois pais em teletrabalho, todos precisam de computador, caso contrário a situação é complicada”. 

Distribuição dos computadores arranca no segundo período

O número apontado pela ANDE aproxima-se daquele que é já garantido pelo Ministério da Educação, que contabiliza já, depois desta última aquisição, um total de 350 mil portáteis adquiridos.

Com chegada prevista até 25 de março, a estimativa é de que os computadores "comecem a ser distribuídos no segundo período letivo", isto é, até ao final de março.

Em abril de 2020, as informações avançadas pelo primeiro-ministro eram outras: António Costa dizia que “o acesso universal à rede e aos equipamentos a todos os alunos dos ensinos básico e secundário” seria assegurado logo no início do ano letivo. No entanto, o plano alterou-se e foi, então, anunciado que o programa Escola Digital teria, afinal, várias fases.

A prioridade foi para os alunos carenciados: foram entregues  100 mil computadores a alunos do secundários. Agora, a partir de março, a distribuição dos equipamentos começa com os beneficiários de escalão A e B da Acção Social Escolar.

A totalidade dos computadores entregues pelo estado vai permitir cobrir as necessidades dos alunos carenciados — há 450 mil equipamentos adquiridos para uma demanda de 366 mil estudantes, segundo o relatório Estado da Educação 2019. Ou seja, vão sobrar cerca de 85 mil equipamentos, que serão distribuídos numa terceira fase e que abrangem o resto dos alunos.

Manuel Pereira salienta, no entanto, que não são só os mais carenciados, segundo os critérios da Acção Social Escolar, que precisam do equipamento.  computador com ligação à Internet, alerta Manuel Pereira: “Há famílias que não cumprem os critérios da Acção Social Escolar, mas que não têm possibilidade de comprar um equipamento que faz falta”. Além disso, também o acesso à internet pode ser um problema: é que em muitas zonas do país , “não existe ou não é boa."

Um estudo publicado no portal Iniciativa Educação, com dados de 2019, indicou que cerca de 50 mil alunos do ensino básico não teriam acesso à internet em casa. No entanto, este número baixou: uma atualização realizada em novembro, aponta que as famílias com filhos sem acesso à internet até aos 15 anos baixou de 5,5,% para 1,8% — o que corresponde a 18 mi alunos.

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