Mães vacinadas contra a COVID-19 e que amamentam podem estar a proteger o bebé contra uma infeção com este e outros vírus. A conclusão é de um estudo realizado pelo Centro de Estudos de Doenças Crónicas (Cedoc) da Universidade Nova de Lisboa e publicado esta quarta-feira, 1 de dezembro, na revista cientifica "Cell Reports Medicine".

A equipa de investigadores, liderada pela imunologista Helena Soares, propôs-se a aprofundar o que se sabe sobre a amamentação de mães que tomaram uma das vacinas e para isso analisou o sangue e o leite de 23 mulheres entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2012. O resultado? "Os dados recolhidos sugerem que há uma transferência cumulativa de IgA que dá ao bebé uma eficaz capacidade de proteção imunológica", pode ler-se no estudo.

IgA diz respeito a um dos anticorpos que atua contra a proteína da espícula (responsável pela entrada do vírus SARS-CoV-2 nas células humanas) e contra o domínio RBD (zona da proteína onde essa entrada acontece). Os IgA foram detetados nas análises, com maior presença no leite, já os anticorpos IgG dominavam no sangue das mães vacinadas. E esta não foi a única diferença: os anticorpos IgG têm origem no sangue, ao passo que os IgA são produzidos nas glândulas mamárias, fazendo com que sejam definidos como "secretores" — algo que até agora ninguém tinha constatado, de acordo com a investigadora Helena Soares ao jornal "Público". "Fomos os primeiros a ver!"

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A comparação entre os anticorpos permitiu também perceber que os IgA são inferiores no leite (estão cerca dez vezes mais diluídos do que no sangue), o que significa que uma única mamada pode não fazer a diferença, mas a amamentação contínua pode ter impacto na proteção dos bebés contra a COVID-19. "Uma concentração de anticorpos neutralizantes no leite é muito baixa, mas supomos que as mamadas vão levar à acumulação de anticorpos neutralizantes", explica Helena Soares.

Esta questão ainda precisa de estudos mais aprofundados, mas já foi possível perceber que além de anticorpos imediatos (IgA e IgG), o leite materno transmite linfócitos T (células imunitárias de memória) presentes nas vacinas, o que permite uma proteção de longa duração. "O bebé já está um passo à frente caso precise de produzir os seus anticorpos", afirma a coordenadora da investigação.

À parte da COVID-19 e de esclarecer dúvidas sobre a amamentação em mães vacinadas que se levantavam no início do ano, o estudo também foi útil para perceber que "os bebés das mães que foram vacinadas têm menos probabilidade de desenvolver gripe do que aqueles de mães que não foram", revelou ainda a cientista.

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