Depois de o Ministério Público de Setúbal acusar um médico obstetra de 74 anos, do Hospital de Setúbal, pela morte da bebé de Sara Santos durante o parto, em fevereiro de 2018, vem agora a público um outro crime pelo qual o obstetra já foi condenado.

O caso diz respeito a acontecimentos ocorridos a 11 de junho de 2016, quando uma grávida de 39 semanas deu entrada na unidade de Portimão com contrações uterinas de cinco em cinco minutos. A mulher entrou às 10h27 e, às 11h49, José Sacramento Sousa deu-lhe alta, considerando estar perante um "falso trabalho de parto", avança o “Correio da Manhã”.

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Às 21h18, a grávida voltou à urgência com dores fortes. É vista por outro médico, que regista apenas "dor ciática" e decide administrar-lhe um fármaco não aconselhado no último trimestre da gravidez. Também este médico lhe deu alta, no entanto, no dia seguinte, às 12h16, a grávida regressou ao hospital. O bebé não sobreviveu.

Em tribunal, o obstetra justificou a decisão com o protocolo do hospital, que indica internamento às 41 semanas. Ainda assim, em Portimão, foi condenado a uma multa de 8.500 euros, num processo que concluiu que agiu em autoria material com um outro clínico, também ele condenado em 15 mil euros. A sentença data de junho de 2021.

Recorde-se de que, sete meses depois, no passado dia 21 de janeiro de 2022, o Ministério Público de Setúbal decidiu avançar com uma acusação contra o obstetra pela morte da bebé da apresentadora Sara Santos, alegando que o médico prolongou o sofrimento da bebé, resultando daí a sua morte

Em causa está um alegado homicídio por negligência, num caso de 6 de fevereiro de 2018. Em entrevista à MAGG, Sara Santos relata o dia da morte da filha, desde que foi hospitalizada até ao momento em que soube, pelo marido, que a bebé não tinha sobrevivido.

"Senti logo que a minha filha tinha morrido, mas só soube pelo meu marido" 

"Assim que entrei, fizeram-me a triagem e assim que me ligaram ao CTG, naqueles dez primeiros minutos, acusou logo um sofrimento fetal", explica.

A apresentadora de televisão garante que assim que entrou no Hospital de Setúbal, em 2018, realizou um CTG, que em 10 minutos revelou que o feto já estava em sofrimento. A intervenção médica demorou horas até ser realizada, mas um novo documento da Ordem dos Médicos revela que as enfermeiras estavam em desespero perante o resultado do exame.

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"O relato é bem revelador do desespero da equipa de enfermeiras, perante os resultados cada vez mais preocupantes do CTG", revela um novo documento da Ordem dos Médicos, divulgado pelo "Correio da Manhã".

"A lei é bem clara nisto: quando há sofrimento fetal e a mãe está com pré-eclampsia, a cesariana tem de ser realizada imediatamente", diz. "Este médico esperou mais de três horas, comigo com uma pré-eclampsia e com a minha filha a morrer lentamente dentro de mim, como se tivesse um saco de plástico na cabeça e fosse morrendo sufocada". 

A apresentadora conta que o médico que realizou a cirurgia nunca lhe dirigiu qualquer palavra. "O médico fez a cesariana e nunca mais o vi na minha vida. Senti logo que a minha filha tinha morrido, mas só soube pelo meu marido". Sara Santos está a aguardar uma reposta desde 2020, mas tem esperança de que a conclusão do processo chegue dentro de um ano, no máximo. Ainda assim, mostra-se preocupada com o facto de, pelo que diz saber, o médico que acusa continuar a exercer.

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