Botox, ácido hialurónico. Rostos permanentemente jovens, peles impossivelmente esticadas, lábios artificialmente carnudos. Estas eram as imagens que nos passavam pela mente quando entrámos na clínica de David Valverde, médico especializado em medicina estética. Saímos de lá com mitos desconstruídos, o rosto mais jovem e uma ideia francamente diferente do que são este tipo de intervenções.

David Valverde
David Valverde, médico especialista em Medicina Estética créditos: Rita Almeida / MAGG

David Valverde assume-se como um “descodificador de informação”. Ao longo de uma conversa, sem tempo contado, tenta perceber os desejos e as necessidades de quem lhe entra no consultório. “Tenho de olhar para a pessoa como um todo. Se eu não a perceber, nunca vou perceber as suas necessidades. Fazendo a ponte para a estética, faz todo o sentido”, diz. 

Quando aceitámos fazer esta intervenção, foi exatamente isso que explicámos ao médico. Sendo jornalista há 16 anos, e tendo trabalhado em áreas relacionadas com celebridades, o contacto com pessoas que recorrem a este tipo de intervenções é rotineiro. Expliquei a David Valverde que, embora gostasse do resultado que algumas pessoas obtiveram dessas intervenções, nunca tinha (por medo) recorrido a um especialista. 

“Começo sempre por tratamentos menos agressivos. Isto é um trabalho gradual. Nós não envelhecemos de um dia para o outro, portanto não vamos ficar novos de um dia para o outro. Não posso injetar uma pessoa com ácido hialurónico e, depois, ela ficar com bochechas tipo esquilo. Não é isso que se pretende. Eu pretendo amenizar a passagem do tempo, e isso tem de ser gradual”, explica. 

Vamos começar pelo fim, da prática à teoria. Foi-nos proposto que nos submetêssemos a uma intervenção estética não invasiva. Preenchimento com ácido hialurónico (os chamados fillers), aplicação de plasma rico em plaquetas, peeling químico e aplicação de botox são os tratamentos-estrela que David Valverde faz na sua clínica.

No nosso caso, a escolha do médico recaiu sobre o skin booster, depois de uma avaliação prévia não só da pele, mas também das nossas expectativas. Durante a conversa com David Valverde, e analisado o nosso historial de saúde, descobrimos que, mesmo que quiséssemos, não poderíamos fazer um preenchimento de lábios com ácido hialurónico. Porquê? Herpes labial. Pessoas com doenças autoimunes também não podem ser administradas com esta substância.

Skin booster é o nome do tratamento que fizemos. David usou um dispositivo Nanosoft, com microagulhas, para aplicar uma solução com ácido hialurónico não reticulado e um cocktail de vitaminas e aminoácidos, "com cerca de 50 constituintes".  "É como se estivesse a aplicar creme dentro da pele", explica. 

Antes do procedimento, o médico alertou para o surgimento de pápulas, pequenas saliências na pele, resultantes das picadas das microagulhas, e que desaparecem ao fim de 48 horas. Antes da intervenção, David aplicou aplicou desmaquilhante e desinfetou a pele. Após essa fase, foi aplicado um componente anestésico para atenuar a dor das picadas (que praticamente não sentimos). Depois da atuação do anestésico e de nova desinfeção da pele, o médico procedeu à aplicação do skin booster. Nas zonas mais sensíveis, como a testa, David Valverde recorreu a um aparelho com vibração para atenuar a dor.

"Depois fizemos a técnica de Nappage, que são miniperfurações, e aplicámos mais uma camada de skin booster", explica o médico. Os cuidados pós-intervenção são poucos. O médico desaconselha o uso de "produtos mais agressivos, porque a pele foi agredida", de maquilhagem e a exposição ao sol nas horas que se seguem à intervenção. A aplicação de um bom creme hidratante e protetor solar também é recomendada.

Veja o procedimento, passo a passo

48 horas depois da intervenção, o resultado é muito subtil.  Notámos a pele mais firme e mais luminosa, mas não houve qualquer alteração das feições ou das rugas que já tínhamos anteriormente. Ou seja, cara de 38 anos, mas com ar de quem dormiu 12 horas.

david valverde - intervençao estética
O resultado final, 48 horas depois da intervenção

"Há sítios que não são tão sérios e preferem ganhar dinheiro e prejudicar as pessoas"

David Valverde (cédula 67592) tem 40 anos. Começou por licenciar-se em Análises Clínicas e Saúde Pública, tendo depois tirado o mestrado em Bioquímica. Fez várias pós-graduações na área da saúde e, quando estava trabalhar nos Açores, decidiu que queria seguir Medicina, tirando o curso no Algarve. Depois veio mais uma pós-graduação em Medicina Estética e Cosmética, desta vez numa área que o apaixona desde pequenino, a medicina estética. Neste momento, o médico está a terminar o terceiro mestrado, em Tricologia e Microtransplante, uma área que quer explorar no futuro na sua clínica, "embora seja careca", brinca.

Botox e autoestima. Afinal, este procedimento preenche muito mais do que a pele
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Na sua clínica, situada no coração de Lisboa, David Valverde privilegia a relação de comunicação  com o paciente. Um elemento fundamental para haver confiança nos procedimentos que, salienta, são muitas vezes realizados por pessoas sem a formação necessária.

"Comecei a perceber que há um fosso muito grande na medicina estética em Portugal. A nossa legislação, infelizmente, não delineia muito bem a área de atuação das pessoas. E isto é muito importante referir porque há muita gente que entra neste mundo sem ter bem a noção daquilo que está a fazer", explica o médico. Esse "vazio legal", diz David, "está a mudar". Mas o médico faz questão de salientar que a aplicação de substâncias como o botox, "que é um medicamento", devem ser feitas por especialistas. "Se eu não tiver cuidado ao aplicar, posso deixá-la com o rosto deformado, e depois fica assim durante três, quatro meses".

David Valverde salienta que, embora não seja legal a aplicação da toxina botulínica em centros de estética, sem prescrição ou supervisão médica, estes casos existem. "O problema é que existem casas comerciais que querem vender, e vendem. Nem que arranjem maneira de terem um médico que faça a prescrição e aplicam elas. Mais grave do que isto, é que existem várias entidades formadoras que dão cursos de aplicação de botox e coisas desse género a enfermeiros, farmacêuticos, esteticistas...", lamenta, realçando a importância de uma avaliação prévia, feita por um médico, antes de qualquer tipo de intervenção. E explica porquê.

David Valverde, médico
David Valverde, médico créditos: Rita Almeida / MAGG

"Existem contraindicações. O músculo, para contrair, precisa de ser enervado e este nervo vai libertando umas substâncias que 'ordenam' essa contração do músculo. O que a toxina botulínica faz é amenizar um bocado esta interação", explica. "Agora imagine o que é aplicar botox em pessoas com doenças neurológicas? Só se chega lá através de uma história clínica".

O médico refere ainda outras consequências que podem advir de, por exemplo, a aplicação incorreta de ácido hialurónico: "uma necrose", se aplicada numa artéria. "Isto é um problema de saúde pública. Gosto muito de alertar os meus pacientes por causa disso".

Promoções, preços baixos e valores que pareçam demasiado atrativos para serem verdade, no que toca a estas intervenções estéticas, são um alerta vermelho para o médico. David Valverde prefere não falar de preços, e explica porquê. "Depende, porque pode ter de levar ou não retoques. Nunca podemos dizer 'é x'. Cada um tem a sua necessidade e nós vamos adaptando". No entanto, o médico afirma que não faz uma aplicação de botox "por menos de 300 euros". David reconhece que este setor da medicina "também é um negócio que mexe milhões" e que "as pessoas só param quando vendem". "Há sítios que não são tão sérios e preferem ganhar dinheiro e prejudicar as pessoas".

Intervenções estéticas: mitos e verdades

David Valverde desmistifica três questões comuns, relacionadas com este tipo de procedimentos estéticos.

  • Se aplicar botox uma vez, vou ter de continuar a aplicar

“Isso não é verdade. Quando se diz isso é porque a pessoa gosta tanto de se ver que ela própria acaba por não gostar de se ver no seu antigo eu. É só por aí. Não digo que fique viciada mas há pessoas que, efetivamente, gostam de se ver. Há aquele botox que quase paralisa tudo, que eu não gosto. Eu prefiro, por exemplo, a pessoas com 20 e poucos anos, fazer aquilo que se chama baby botox, que é um botox um pouco mais diluído, em que a pessoa em vez de ter um nervo que está ali a disparar contra o músculo para ele contrair, vai fazendo de uma forma mais gradual.”

  • Este tipo de tratamentos estraga a pele

“Não. Nós, com a idade, vamos perdendo colagénio, elastina, gordura da pele. A nossa cara perde estrutura. Por isso é que ficamos com um papinho, o olhar afunda mais, também perdemos massa óssea. Com estes tratamentos, só estamos a acrescentar. Por exemplo, com um microagulhamento, o que estamos a fazer é por essas células a comunicar, a produzir colagénio. Só estamos a dar uma ajudinha para a produção de coisas que são fundamentais."

  • Vou ficar com um aspecto artificial

“Fico muito satisfeito quando o trabalho não se nota, mas a pessoa ouve ‘estás diferente, o que é que tens?’. Claro que há pessoas que não sabem parar, que vão continuar sempre a fazer procedimentos. É um jogo de muita paciência. As pessoas têm, por vezes, expectativas irrealistas, de ficarem parecidos com alguém."

Clínica Dr. David Valverde

Avenida da República, nº 82 3º andar
1600 - 205 Lisboa
Contactos: 215896380
davidvalverde@clinicavalverde.com

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