Façamos um prévio ponto de situação: semana de correria, corpo dorido do último treino no ginásio, pele da cor da cal e o mesmo pequeno-almoço há semanas porque #falta de originalidade. Foi assim que chegamos ao Noah Surf House Portugal, em Santa Cruz, concelho de Torres Vedras, unidade focada na sustentabilidade e turismo ativo que abriu em 2018, anos depois do mais romântico cinco estrelas Areias do Seixo.

Ambos ficam em Santa Cruz e pertencem a Marta Fonseca e Gonçalo Alves, que primeiro impulsionaram o turismo nesta zona do oeste com o hotel mais requintado Areias do Seixo, depois com o restaurante de praia e escola de surf Noah Beach House, mesmo junto à praia da Física, e por último o Noah Surf House Portugal.

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O surf é obviamente um dos pontos de destaque da unidade — prestes a receber o evento de surf solidário PRIO Softboard Heroes, competição amigável cujo objetivo é ajudar associações portuguesas sem fins lucrativos —, que tem aulas para iniciantes, para mais profissionais e pais e filhos. Mas há muito mais do que isso no Noah Surf House, incluindo para famílias.

Essas podem ficar num dos cinco bungalows com cozinha equipada dos 13 que existem na unidade, composta também por oito quartos que levam de duas a oito pessoas. Dá para muita gente, sendo ao mesmo tempo pouca, o que faz com que não tenhamos de batalhar por uma espreguiçadeira junto à piscina infinita.

Piscina infinita
Piscina infinita créditos: divulgação

É nesta que, fora os mergulhos (também eles infinitos), se praticam as aulas de liquid balance — uma mistura de ioga e surf por se fazerem posições de equilíbrio em cima de pranchas —, em versões para adultos e crianças. Esta é uma das mais recentes novidades do Noah Surf House, à qual se junta o animal flow, que não envolve animais.

Quer dizer. Mais ou menos.

Fomos macacos, caranguejos e a Mulher Elástica do filme “Os Incríveis”

Lembram-se quando falámos dos músculos doridos ao início? Levámo-los para a aula de animal flow. Consiste numa prática que mistura coordenação e força com movimentos de animais. Fomos macacos, caranguejos, escorpiões e um “beast”, que o professor traduziu como monstros.

E não é para menos. Naqueles 30 minutos é preciso a resistência de um monstro, mas daqueles dóceis que no meio de um movimento menos bem sucedido se ri com a própria figura. O animal flow é, além de desafiante, uma aula que nos põe a mexer de forma divertida e a que voltaríamos, sem dúvida. 

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Contribuiu para mais dores musculares, mas menos do que seria de prever graças ao pilates que fizemos logo de seguida. Puxámos por articulações, tirámos o peso de um ombro e sentimos a diferença antes de passar ao segundo e ficar com a sensação de sermos a Mulher Elástica do filme “Os Incríveis”, capaz de chegar com o braço de um lado ao outro da sala.

Marcámos estas duas aulas e também uma de ioga para a manhã seguinte, mas por duas razões desistimos: o animal flow e o pilates fazem o mesmo efeito e levaram-nos a pedir pausa até retomar os treinos, ao passo que a cama do Noah Surf House pedia-nos para aproveitar o máximo de horas possíveis da única noite de estadia.

No entanto, ficámos com pena de não apanhar o liquid balance ou de fazer um dos treinos funcionais (também disponíveis para não hóspedes).

Liquid balance Noah Surf House
Liquid balance Noah Surf House créditos: divulgação

Não fomos animais só na aula

A maioria das tipologias do Noah Surf House foram concebidas para terem uma vista privilegiada sobre o mar. Tivemos essa oportunidade e no Bungalow Mar & Cook fomos brindados em vários momentos com a beleza das ondas do oceano azul a rebentar seguidamente até formar uma espuma branca junto ao areal.

Ao fim da tarde, convidam-nos a ficar na varanda do alojamento a apreciá-las, acompanhando a ocasião com boa conversa e um copo de vinho dos armários da cozinha equipada do bungalow. Já de manhã, o ideal é — como fizemos — abrir as persianas automáticas e ver de olhos abertos a força da natureza, o mar, que foi banda sonora nos sonhos da noite. 

O alojamento onde ficámos tinha cama de casal e mais duas individuais, estando uma delas suspensa sobre uma palete e cordas, quase como uma cama na árvore de um primata — não dissemos que fomos animais fora da aula?

Apesar da cozinha equipada, não resistimos a provar a nova carta do restaurante do hotel, pensada pelo chef José João, depois de um banho quente na banheira com dois chuveiros (especialmente útil para os pais com filhos despacharem os banhos de uma assentada).

Na piscina ou nas mesas restauradas, um v de vegan e de vontade de comer

Um dos destaques da nova carta é que está cheio de opções vegan, além de outras bem frescas. Começámos por provar a carta junto à piscina, onde nos foi servido um duo de húmus colorido (normal e de beterraba, sem saber a terra) acompanhado de uma crocante piadina (9,50€).

Já à hora do jantar, escolhemos das entradas vegan uns peixinhos da hora (9,50€) bem leves e não carregados de óleo e farinha, que apesar de serem anunciados com maionese de hortelã, esta não é vegan pelo que pode levar ao engano (mas não há perda de entusiasmo, porque não sobrou nem um pedaço de feijão verde crocante).

Uma ressalva que não somos vegan (apenas quem nos acompanhava), mas não conseguimos tirar os olhos e talheres destas opções. Para principais, optámos por uns noodles de vegetais da horta (16,50€) — mesmo da horta que está nas traseiras do Noah Surf House e completa alguns dos pratos, além de animar as crianças que podem visitar os legumes e as galinhas — e pelo caril de legumes (18,50€). Não foi uma escolha fácil, até porque o linguine à bulhão pato (18,50€) ficou a tentar-nos.

Ainda assim, sem arrependimentos e algumas surpresas. Isto porque tínhamos uma ideia prévia (de fotos do Instagram que detetámos numa pesquisa porque a geração Z nunca faz nada sem ver primeiro como é nas redes sociais) que os pratos eram pouco abonados. Errado. De TÃO bem servidos, nem os conseguimos acabar, ainda para mais após as entradas que devorámos.

Outra surpresa foi a forma como os molhos são apurados. O do caril, suave e mesmo assim com o sabor e picante no ponto, enquanto nos noodles bastava enrolar a massa no garfo e mergulhá-lo no fundo do prato para encontrar um caldo extremamente bem aromatizado, com especial destaque para o gengibre que dava um equilíbrio e combo perfeito com os gordos cogumelos.

Para sobremesa, um arroz doce (5,50€) *digam connosco: vegan*, realmente doce porque os vegans não se restringem do sabor original, servido com manga e coco caramelizado.

Para regar tudo, um Adega Mãe Viosinho branco 2019, que acompanhou por algumas horas a refeição no restaurante onde a sustentabilidade está presente em várias vertentes.

O pão do couvert (6€) vai para as galinhas da horta, as novidades vegan ao lado de pratos de carne e peixe e a decoração com elementos recuperados, desde as cadeiras antigas e feias que agora parecem como novas, aos candeeiros que são tubos de canalizações e o barco trazido da Nazaré e colocado no centro do restaurante e lobby.

Neste mesmo espaço existe um sistema de refil de água para encher as garrafas reutilizáveis que podem ser alugadas à chegada.

Refil de água
Refil de água créditos: MAGG

Ver o mar com sabor a mar

Depois de fazermos a digestão do jantar, descansarmos o corpo das aulas de animal flow e pilates da tarde e ficarmos petrificados com a vista da manhã ao som da música que colocámos na coluna Marshall presente no bungalow, fomos até ao pequeno-almoço, servido no restaurante.

Sendo o Noah Surf House um espaço que prima pelo turismo ativo, desde o surf ao ioga, só faria sentido que a oferta para começar a manhã fosse equilibrada. Se são fãs de banana bread como nós, desforrem-se no que aqui há, fofinho e feito sem farinhas e açúcares refinados.

Banana bread
Banana bread créditos: MAGG

Para pôr nos vários pães à escolha há queijos, compotas e ovos, que também podem ser transformados numa omelete feita no momento.

A seção das granolas (ficámos loucos com o facto de haver três variedades) é ideal para guarnecer o iogurte natural ou a smothie bowl vegan pronta a servir para dentro de taças. A que experimentámos era de banana, abacate, canela e passas, que deu energia para a manhã.

Esta pode ser passada no jacuzzi do terraço, em mais uma aula do hotel ou num momento de relaxamento do Areias do Seixo.

Jacuzzi no terraço do Noah Surf House
Jacuzzi no terraço do Noah Surf House créditos: divulgação

Lá por ser focado em turismo ativo, não quer dizer que quem vem ao Noah Surf House não possa relaxar e esse complemento está no irmão mais romântico. No Areias do Seixo pode fazer uma massagem localizada de costas e ombros (45€ por 30 minutos), uma sessão de aromaterapia relaxante à base de cacau para reduzir o stress (95€ por 60 minutos) e até uma leitura da aura com a terapeuta Catarina Palma (110€).

Optámos antes por aproveitar a praia e passar pelo Noah Beach House, conceito que surgiu em 2015, vários anos antes do hotel.

Além da parte de esplanada para refeições leves, como saladas, hambúrgueres e sumos naturais ou cocktails, o Noah Beach House tem um restaurante onde o peixe é rei. Não tínhamos como não o escolher para acompanhar a vista mar e para a mesa veio — depois de pão para molhar num bom azeite — uma garoupa com batata a murro e legumes.

Nesta zona, a meteorologia nem sempre está a nosso favor, pelo que fomos a fazer a digestão no caminho de carro até casa e a pensar que numa próxima temos de ficar mais tempo e aproveitar as atividades semanais, como o barbecue à quarta-feira, ver as crianças a pintar um graffiti na manhã de quinta feira e terminar esse mesmo dia numa fogueira com música ao vivo.

Uma noite no Noah Surf House custa desde 180€ para duas pessoas (dependendo da época), com pequeno-almoço incluído e duas aulas por dia (exceto aulas de surf e Stand Up Paddle).

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