À semelhança de outros fenómenos da Netflix, como "La Casa de Papel", ninguém sabe muito bem como é que "Squid Game" passou a fazer parte da conversa coletiva. Mas a verdade é que a série surge recomendada logo na primeira página da plataforma de streaming e é a própria empresa, pela voz do seu CEO, a dizer que a produção sul-coreana está prestes a tornar-se na mais vista de sempre do catálogo — ultrapassando outras como "The Crown" ou "Bridgerton".

As métricas que sustentam esta conclusão são estranhas, mas funcionam assim: nos primeiros 28 dias após a estreia de "Bridgerton", a 25 de dezembro de 2020, pelo menos 82 milhões de subscritores viram dois minutos da série. Não interessa se a terminaram ou não. Ted Sarandos, CEO da Netflix, prevê que as métricas de "Squid Game", estreada a 17 de setembro, sejam muito superiores.

E se, inicialmente, o empresário indicou que "Squid Game" iria ser "a mais popular série da plataforma" em língua estrangeira, agora a história é outra. "Há uma enorme probabilidade de esta ser a nossa série mais popular de sempre. Não esperávamos este impacto global", adianta, segundo cita o jornal "Mirror".

Tentar identificar uma receita para o sucesso é difícil, mas terá que ver com um conjunto de fatores — como a história e o contexto de que faz uso.

"Squid Game" foca-se em várias pessoas que, absolutamente falidas e caídas em desgraça, decidem aceitar um convite inusitado para uma série de jogos infantis cujo prémio é apetecível. O problema é que estas atividades têm consequências, sempre fatais, para quem não consiga chegar ao final das atividades.

Ao longo de nove episódios, há sadismo, violência, sangue e muito caos numa história que mistura elementos de produções como "Jogos Mortais", "Jogos Vorazes" e até "3%", a série brasileira da Netflix sobre universos distópicos e a pobreza das classes mais baixas.

Mas "Squid Game" não é uma produção americana e, por isso, apresenta-se de outra forma: mais crua, sem filtro e com toda a estranheza (e violência, até) que as histórias coreanas nos têm vindo a habituar. E talvez a vitória, em fevereiro de 2020, de "Parasitas" nos Óscares, tenha despertado o grande público para as particularidades do cinema e da televisão coreana, muitas vezes fazendo uso da desigualdade social que se vive na Coreia do Sul para dar corpo, sem pudor, aos extremos a que alguém se investe para sair da miséria profunda.

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O resultado está à vista. "Squid Game" é, desde 17 de setembro, a série mais vista da Netflix em vários mercados, inclusive o português, e está a ser usada na Coreia do Sul para abordar questões como o desemprego, a estratificação social e a pobreza.

O homem de 40 anos que recebe mais de 4 mil chamadas por dia

O impacto da série, no entanto, tem tido consequências na vida de um homem de 40 anos. Em causa está o facto de o número de telefone que aparece no primeiro episódio de "Squid Game" ser verdadeiro.

Este homem, que vive na província de Gyeonggi, na Coreia do Sul, diz ter vindo a receber mais de 4 mil chamadas por dia e outras milhares de mensagens desde que a série se estreou. Os remetentes, explica, são pessoas que, estando a ver a série, dizem "querer participar nos jogos" que "Squid Game" mostra ao longo dos seus episódios.

O número de telefone mostrado no primeiro episódio de "Squid Game" é real e está a ser contactado milhares de vezes por dia créditos: Netflix

Apesar da quantidade de contactos que recebe por dia, por vezes entre a uma e as três da manhã, diz-se incapaz de trocar de número uma vez que já o usa há vários anos e está diretamente associado à sua empresa. Face ao insólito, este homem diz-se impossibilitado de viver a sua "vida normal", tendo já recorrido a comprimidos para dormir durante a noite. O número da mulher, que é exatamente igual à exceção do último dígito, também tem sido contactado por inúmeros fãs da série.

A Netflix já está em negociações com a empresa de telecomunicações usada por este homem de 40 anos para tentar resolver o problema, escreve o jornal "Hankook Ilbo", da Coreia do Sul, citado pelo "South China Morning Post".

Além disso, também Huh Kyung-young, candidato à presidência da Coreia do Sul, ofereceu cerca de 85 milhões de dólares (72 milhões de euros) pelo número de telefone deste homem, que recusou a oferta.

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