Nesta história, a pequena vila de Glória, no Ribatejo, está entregue aos espiões russos, às mentiras e aos esquemas mesquinhos para tentar obter informação confidencial que enfraqueça a posição dos americanos em plena Guerra Fria. "Glória", a primeira série portuguesa da Netflix, chegou na manhã desta sexta-feira, 5 de novembro, ao catálogo da plataforma de streaming.

Numa altura em que se sabe muito pouco sobre a história que a série vai contar, a MAGG mostra-lhe, sem spoilers, tudo o que precisa de saber com base nos primeiros quatro episódios disponibilizados pela Netflix a toda a imprensa.

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O que prometemos é que esta será repleta de mistério e tensão logo a partir dos minutos iniciais. E quando achar que percebeu o rumo que "Glória" parece levar, a série, escrita por Pedro Lopes ("Auga Seca") e realizada por Tiago Guedes ("A Herdade"), fará por surprendê-lo com reviravoltas emocionantes e inesperadas.

Saiba, ponto por ponto, com o que contar.

A série demora a revelar-se, mas é uma história sobre espiões

Ao contrário de grande parte das séries mais populares da Netflix, em que parece acontecer tudo e de forma muito rápida, "Glória" tem espaço para respirar.

Prova disso é o facto de, só quase no final do primeiro episódio, o espectador que não leu a sinopse da série ser capaz de perceber que, afinal, nada do que parece, é. Desde o início, acompanhamos a figura de João Vidal, interpretada pelo ator Miguel Nunes, que nos é apresentada como estando na RARET — o centro de transmissões americano, localizado em Glória, e através do qual é emitida a propaganda ocidental para o Bloco de Leste — como engenheiro.

A verdade, no entanto, é que João, vindo de uma família com ligações ao Estado Novo, está infiltrado na RARET enquanto espião do KGB, a organização a que se aliou depois de ter participado na Guerra Colonial.

Foi essa experiência — a de ver os povos gritarem por liberdade enquanto eram oprimidos pelos seus colonizadores — que o despertou política e socialmente para a consciência de que a ditadura instaurada em Portugal há vários anos não era mais comportável. A sua aliança ao KBG, percebemos de imediato, surge daí.

Mas a vida dupla tem consequências e o olhar da personagem espelha essa espécie de crise existencial em que vive — movido pela vontade de mudar o rumo do País ainda que, aos olhos do regime, esteja a atraiçoar a pátria.

Apesar de tudo, João Vidal surge no arranque da série sem grandes dúvidas sobre qual deve ser o seu papel e depressa o vemos na sua primeira missão ao serviço do KGB, ficando responsável por trocar a bobina que seria emitida pela estação americana. A troca é feita com sucesso, mas quando os responsáveis pela estação se apercebem do que aconteceu, os alertas soam: há um espião na RARET e todos são suspeitos.

Um homem à procura de informações (e de uma mulher misteriosa)

Ainda que João Vidal tenha como objetivo principal obter informações e sabotar a estação (e a posição) americana, situada na pequena vila de Glória, no Ribatejo, em plena Guerra Fria, há outra missão a tirar-lhe o sono: a procura por uma mulher.

Esta mulher chama-se Mia (interpretada pela atriz Victoria Guerra). Ao longo dos quatro episódios iniciais (de dez), sabemos muito pouco sobre ela, mas o suficiente para perceber o que motiva a busca incessante por parte de João.

Esta mulher, é-nos contado pelo próprio João e por personagens com quem ele vai conversando, era uma espiã russa ao serviço do KGB que desapareceu, misteriosamente, enquanto trabalhava na RARET.

Ninguém sabe o que lhe aconteceu, nem mesmo alguns dos funcionários da estação de rádio com quem Mia se relacionou. É isso, percebemos de imediato, que impulsiona as buscas por parte de João, que a cada episódio vai descobrindo mais pistas — embora nenhuma ajude a explicar o desaparecimento repentino.

Num jogo que envolve espiões, os inocentes são sempre os mais prejudicados

Enquanto espião do KGB, as missões que João Vidal aceita envolvem, muitas das vezes, aproveitar-se da boa vontade de alguns dos funcionários da RARET com quem se vai cruzando ao longo da história.

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Se isso significar que serão eles a ser acusados de espionagem, melhor. É o que acontece logo no segundo episódio quando, na sequência da sabotagem à bobina que deveria ser emitida durante a noite, os responsáveis da RARET acusam uma das personagens de ter feito a troca. Essa personagem, no entanto, é inocente.

De repente, essa personagem (não vamos revelar quem para não estragar a surpresa) fica na mira da RARET e do KGB, porque a sua ligação a João Vidal é de proximidade e há o risco de levantar suspeitas sobre a verdadeira identidade do espião junto dos americanos.

A história de "Glória" não nos deixa esquecer que as ações têm consequências. E aqui, quem as sente na pele é sempre que nunca as pediu.

Não se afeiçoe a nenhuma das personagens

Se já viu "A Guerra dos Tronos", o conselho não lhe será estranho.

A série da HBO, que vai ter um spin-off a estrear-se em meados de 2022, ficou conhecida por criar a sensação de que nenhuma das personagens principais estava a salvo ao longo da história.

Há um grande segredo sobre a história de
Miguel Nunes é o protagonista desta história que envolve espiões e mentiras na pequena vila de Glória, no Ribatejo créditos: Paulo Goulart/Netflix

Em "Glória", percebemos logo desde o início, acontece o mesmo. O clima é quase sempre instável e nunca ninguém está seguro no meio das inúmeras reviravoltas que um conflito entre espiões e o Estado Novo pode implicar.

O que podemos revelar, e é muito pouco, é que os primeiros quatro episódios trazem surpresas. Algumas não muito boas.

À margem da espionagem, personagens complexas e com dilemas reais

Se considerarmos que o que permite identificar uma boa série é o facto de nos mantermos, enquanto espectadores, interessados independentemente da personagem que a história esteja a seguir, então "Glória" preenche os requisitos necessários.

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Além do jogo de espiões e da procura incessante, por parte de João Vidal, de informação confidencial com o objetivo de enfraquecer a posição dos americanos na Guerra Fria, a série acompanha ainda algumas das personagens que vivem à margem da RARET, com dilemas pessoais muito reais.

É o caso da mulher de um dos responsáveis da estação de rádio, que é vítima de violência doméstica e que procura deixar o marido e a vida miserável que foi obrigada a viver. Mas também é o caso de Carolina (a personagem interpretada pela atriz Carolina Amaral), que no arranque da série encontramos a servir cafés na RARET até ser obrigada, pelos pais, a ajudar a família na agricultura. Mas esta quer mais para a sua vida.

É nessa dicotomia entre o conservadorismo familiar e a vontade de conhecer mais mundos (e ver o mar) que os grandes dilemas de Carolina se acentuam num contexto de pobreza extrema ditado pela ditadura em Portugal.

"Glória", escrita por Pedro Lopes e realizada por Tiago Guedes. é composta por um total de dez episódios. Do elenco fazem parte nomes como Ana Sofia Martins, Carolina Amaral, Joana Ribeiro, Victoria Guerra, Afonso Pimentel, Adriano Luz, Carloto Cotta, Maria João Pinho, Inês Castel-Branco, Rafael Morais, Stephanie Vogt, Marcelo Urgeghe e Leonor Silveira.

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