O filme tem sido polémico e a generalidade da crítica portuguesa não o apreciou, embora lá fora a história seja diferente. Falamos de "Jojo Rabbit", a nova produção do realizador Taika Waititi que além de ter sido muito bem recebido pela crítica internacional, está nomeado para seis categorias nos Óscares — incluíndo a de Melhor Filme e a de Melhor Argumento Adaptado.

O filme passa-se na Alemanha Nazi durante a fase final da Segunda Guerra Mundial e a acompanha a figura de um rapaz de apenas dez anos que tem Hitler como amigo imaginário. O filme, que deambula entre o drama e a comédia, ganha corpo quando esse rapaz encontra uma rapariga judia escondida em sua casa e aceita protegê-la das forças alemãs desde que esta lhe ensine os "segredos dos judeus" para que possa escrever um livro sobre isso.

Desde então que o filme tem sido acusado de menosprezar os horrores da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto. Aliás, numa conversa com o público após a exibição e visionamento do filme, Taika Waitit revelou ter receio de que "Jojo Rabbit" pudesse vir a acabar a sua carreira.

"Achei que isto ia acabar com a minha carreira, mas é um projeto que me faz olhar para trás e pensar que afinal valeu a pena. As nomeações e tudo o resto tem sido fantástico. Saber que o meu filme ganhou uma vida para lá do ecrã, e que vai continuar a ser lembrado, é mesmo muito especial para mim", terá dito.

Mas a verdade é que, ainda muito antes de várias publicações e críticos de cinema (alguns portugueses) terem acusado o realizador de brincar com o nazismo, relegando para segundo plano as atrocidades que foram cometidas durante o conflito, Taik Waititi já tinha feito saber o porquê de achar essencial que chegasse às salas de cinema um filme como este.

"É muito triste que em 2019 [o filme estreou-se em 2019 nos EUA] ainda seja preciso um filme para explicar às pessoas os motivos por que não é boa ideia ser-se nazi. É preciso ter-se cuidado, porque não queremos simpatizar algumas das personagens e foi isso que tentámos em 'Jojo Rabbit'. Tanto que, o verdadeiro vilão não é o vilão tradicional porque Hitler faz parte da consciência do rapaz. É uma parte da sua consciência com a qual se vai digladiando diariamente", explica.

Sobre a possibilidade de a verdadeira mensagem do filme, que se assume como uma sátira anti-ódio, se perder, o realizador diz que "é preciso ser-se muito estúpido para não perceber o filme."

"Duvido muito que os tolinhos acabem por ver este filme. Creio que é preciso ser-se muito estúpido para não perceber o filme e ser capaz de desconstruir, de forma errada, aquilo que eu quis passar com a história. Não quero ser demasiado rápido a julgar e dizer a alguém que é demasiado estúpida, até porque já me surpreenderam muita vez", revela.

Mas sabe-se agora, depois de a revista "Variety" ter chegado à fala com a mãe do realizador, que foi ela quem incentivou o filho a continuar com a produção do filme. Segundo conta, terá sido ela quem deu o livro "Caging Skies", que viria a servir de base para a adaptação de Taika Waititi.

"O livro retrata uma situação de vida ou morte conjurada por um fanatismo extremo. O resultado é uma realidade horrível e surreal. Os protagonistas são uma rapariga que se tenta manter viva e um rapaz fanático que mente para a manter a sua prisioneira. A relação dos dois transparece medo e crueldade", revelou Robin Cohen, mãe do realizador.

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E diz que a ideia de criar a personagem de Hitler no filme foi ideia de Waititi, já que este não aparece no livro. "Atualmente, sabemos que Hitler foi um louco malvado que engendrou a tortura de milhões de pessoas. Mas se pensarmos melhor sobre a forma como conseguiu convencer metade do mundo a ajudá-lo, estamos a deixar a porta aberta para que atos semelhantes se repitam."

E continua: "Quando o Taika o carateriza como este herói afável que pertence a imaginação de um pequeno rapaz, a nossa ideia de Hitler é destorcia como uma agulha a arranhar um disco de vinil. Este Hitler imaginário lembra-nos uma realidade desconfortável — mostra que, no momento e no clima certo, o que imaginamos pode mesmo ser mortal."

"Jojo Rabbit", com Scarlett Johansson num dos papéis principais, estreou-se nas principais salas de cinema portuguesas na quinta-feira, 30 de janeiro.

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