Sílvia Plácido, 31 anos, e mãe de duas meninas, levou a filha mais velha a uma grande loja de brinquedos. Depois de muito procurar, Luana, 3 anos, não encontrou a boneca que tanto queria. "Mãe, não encontro uma boneca igual à Luana, com caracóis", disse a menina.

E era verdade: em toda a loja, nenhuma boneca se assemelhava aos traços africanos da criança, fosse na cor da pele ou no tipo de cabelo. "Disse-lhe que eram tão bonitas que os meninos já as tinham levado todos", recorda Sílvia Plácido à MAGG, que arranjou essa desculpa para descansar a filha. Mas a falta de representatividade nos bonecos e na oferta para todas as crianças marcou a licenciada em design de comunicação e criadora da marca Mrs. Ertha, dedicada a produtos de puericultura.

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Sílvia podia ter chegado a casa e optado por procurar na internet a boneca que a filha queria. "Mesmo nas lojas onde vendo a minha marca, mais pequenas e de nicho, existem algumas bonecas parecidas com as minhas filhas", diz Sílvia, que pensou maior e com um objetivo claro.

Munindo-se da sua formação académica e da experiência com a sua marca própria, Sílvia começou de imediato a contactar fornecedores e teve a ideia das Loretas, uma linha de quatro bonecas feitas à imagem da filha e de "tantas como ela espalhadas pelo mundo". Todas com traços africanos, as quatro Loretas diferem ligeiramente na tonalidade da pele e também do cabelo — os caracóis podem ser mais ou menos crespos, e com diferentes tons, dos fios mais claros aos escuros.

loretas
As Loretas têm um custo de 49,90€ e são feitas de forma artesanal

"O meu grande objetivo é tentar que as Loretas cheguem a todas as crianças que não saibam que existem bonecas que as podem representar. A Luana verbalizou isso, que queria uma boneca com caracóis, mas outras podem não o fazer, guardar isso para elas e até pensar que não existem porque não têm que existir, e desvalorizar a sua própria identidade", explica a criadora das Loretas.

Para Sílvia Plácido, a falta de representatividade é uma "preocupação para muitos pais", e esclarece que as Loretas não foram criadas apenas para crianças de traços africanos."Disse no post que escrevi quando lancei as Loretas que elas são para fazer uma diferença na vida de crianças como a Luana, mas não só. Se os pais não têm nenhuma Luana em casa, também espero fazer a diferença, porque a inclusão é isso mesmo."

A criadora acredita que "a falta de representatividade é um problema real que está presente no dia a dia das crianças", acha que ainda há um caminho a trilhar, mas vê diferenças. "Claro que há 10 anos nem se falava em falta de representatividade em bonecos ou em desenhos animados com personagens de outras etnias. Hoje em dia, já se caminha nesse sentido, mas ainda há uma diferença grande em termos percentuais. Para dar um exemplo, a minha filha mais velha consome muitos conteúdos infantis brasileiros porque encontra uma diversidade gigante, pessoas de todas as raças e cores. E fica toda contente, vê pessoas com caracóis e começa logo a dizer que são iguais à Luana."

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Sílvia Plácido é mãe de duas meninas, com 3 anos e 18 meses créditos: Copyright 2020. All rights reserved.

A acompanhar os quatro modelos de Loretas — que têm um custo de 49,90€ e podem ser encontradas na loja online da marca Mrs. Ertha (e em pontos de venda da marca)—, Sílvia criou também quatro puzzles com ilustrações das bonecas, cada um representativo de um modelo (com o valor de 24,90€). E estas bonecas têm também uma vertente solidária: com uma parceria entre a marca e a helpoong, por cada cinco bonecas ou puzzles vendidos no site, um dos brinquedos é oferecido a uma criança, e cinco por cento do valor reverte a favor da associação não-governamental.

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