Foram semanas e semanas de confinamento para a grande maioria dos portugueses. E se alguns sortudos conseguiram aproveitar o ar livre numa casa com espaço exterior, muitos de nós tivemos de passar por uma quarentena entre quatro paredes, a dar em malucos entre o teletrabalho e as birras dos miúdos, também eles fartos desta nova realidade. E não vos sei dizer quantas vezes me imaginei a mergulhar no mar ou numa piscina, a aproveitar o sol na cara e uns momentos de silêncio.

Foi por isso mesmo que, assim que reabriu a 5 de junho, agarrei a oportunidade de passar um fim de semana a sul para conhecer o Vila Valverde Design Hotel, um hotel rural de cinco estrelas na Praia da Luz, em Lagos, que é também um dos maiores segredos do barlavento algarvio — tanto que até David Beckham já ficou lá hospedado e as revistas sociais não deram por isso. Para além destes dias de descanso me parecerem um autêntico Euromilhões, vou dar aqui o corpo às balas das mães perfeitas dos grupos de Facebook e admitir um dos pontos de fortes deste hotel: não aceitam crianças com menos de 10 anos.

Apesar de ser mãe de duas meninas, com 3 anos e 6 meses (ou principalmente por isso), não vejo qualquer problema em existirem unidades hoteleiras só para adultos, embora este não seja exatamente o caso. Tal como me explicou Renata, a simpática funcionária do hotel que nos recebeu e acompanhou grande parte da nossa estadia, a limitação a crianças mais pequenas tem que ver com medidas de segurança.

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"Temos imensas escadas, muitas peças de decoração que podem ser perigosas para os miúdos, o próprio hotel tem uma acústica que se estiver uma criança a chorar ou a gritar no restaurante, ouve-se nos quartos todos. A piscina também não é minimamente segura para os mais novos", diz Renata, embora assuma que já tiveram muitos problemas. "Há clientes que tentam reservar e, quando são informados desta limitação, não gostam. No entanto, é claro que se estivermos a falar de uma criança de 9 anos e tal, não é por isso que não vamos aceitar."

Mas, no meu caso, saber que estava impedida de levar as minhas filhas não só me livrou da culpa de tomar essa decisão, como foi música para os meus ouvidos. Já vos disse que estou fechada em casa desde dezembro — sim, dezembro, que fui mãe da segunda nessa altura e o inverno não é bom para os bebés #bronquiolites —com duas crianças, não disse? Pois.

O melhor do Valverde? Descanso, serviço personalizado e um tártaro de atum que não vou esquecer tão cedo

Com apenas 15 quartos, o Vila Valverde Design Hotel é o sítio ideal para descansar. Assim que saímos da estrada principal em direção à Praia da Luz e passamos os portões desta quinta que data do século XIX, o descanso apodera-se de nós, ou não fosse o silêncio um dos melhores "sons" que podemos ouvir. À chegada, somos recebidos por Renata, que nos leva a bagagem num pequeno carrinho para que sejamos poupados de transportar pesos na rampa de acesso ao hotel.

Colocamos as máscaras antes de entrar, dado que o uso desta proteção individual é exigida aos hóspedes nos espaços fechados, desinfetamos as mãos antes do check-in e seguimos para o quarto. A decoração moderna contrasta com o ambiente rural da quinta e, mesmo sendo este um quarto standard (o hotel também tem a tipologia suite), o espaço do mesmo é igual ou até maior do que alguns quartos de tipologia superior que já conheci. Mas o melhor é mesmo a gigante janela, que oferece uma luminosidade sem igual à divisão, que dá acesso a um terraço com vista para a propriedade e à relva, onde umas simpáticas cadeiras me convidavam a acabar o livro que adiava há semanas.

A atenção ao detalhe e ao que cada cliente procura também é algo que não escapa aqui. Devido ao contexto da COVID-19, e às diferentes medidas de segurança que as unidades hoteleiras foram obrigadas a implementar, o pequeno-almoço sofreu muitas mudanças. Tal como me explicou Luís Tavares, o proprietário do hotel que está sempre presente ao início do dia para se certificar que está tudo a correr bem com os hóspedes, o serviço de buffet teve de ser suspenso. "Acaba por ser difícil fazer uma seleção, porque todos os hóspedes querem algo diferente, mas esta pareceu-nos a mais consensual. Mas estamos sempre disponíveis para fazer algo que os clientes desejem ou fazer alterações", salientou o proprietário.

Da seleção inicial, consta um prato de pães com três variedades, doçaria tradicional e dois croissants. Existe também um prato de carnes frias, uma seleção de queijos, algumas frutas e doces, como arroz doce — sim, logo de manhã. Para além disso, existe a opção de pedir ovos, bacon ou outros pratos quentes, e sumo natural, leite, café ou chá.

Apesar de entender que não é fácil agradar a todos, esta parece-me uma modalidade que acaba por desperdiçar muita comida. No entanto, também percebo que, no primeiro dia, o staff não adivinha o que os clientes querem comer. E a verdade é que depois de ter pedido mais um mini-croissant na manhã de sábado, a dose tinha duplicado no dia seguinte.

Também ao jantar existe um serviço personalizado. Com o restaurante a funcionar apenas à noite, o menu do dia é colocado na receção logo de manhã, sempre com uma entrada, prato de peixe, carne ou vegetariano, e uma sobremesa (sem bebidas, o menu varia entre os 30€ e os 40€, conforme a opção do prato principal). É pedido aos hóspedes que, se possível, marquem o jantar com antecedência, para que também exista tempo para pequenas alterações.

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E assim que me sento para jantar, depois de ter questionado o staff sobre a possibilidade de me trocarem a entrada do dia, uma sopa de cebola roxa, sou surpreendida por um tártaro de atum mais fresco que as águas do Pólo Norte com maionese de pimento vermelho. Estava delicioso, e fiquei feliz por saber que é uma entrada servida noutros dias — seria uma injustiça ser apenas eu a provar aquela maravilha. A refeição continuou com um entrecôte com batata violeta, com a carne no ponto, carabineiro com puré de funcho e uma sobremesa de gelado de lima com crumble de café que me fez salivar por mais. Eu, que não sou especialmente fã de doces. Nota final? Cinco estrelas.

A COVID-19 obriga a alterações, e algumas precisam de afinação

Apesar de ter de usar máscara nos espaços fechados, da alteração no pequeno-almoço e da constante desinfeção das mãos, nunca senti que este fim de semana tenha sido diferente de qualquer outro numa era pré-COVID. A zona da piscina exterior, apesar de relativamente pequena, tinha as espreguiçadeiras bem colocadas, e mesmo com mais quatro hóspedes no mesmo local, nunca me senti insegura.

No entanto, existem detalhes que o hotel deveria rever e estes prendem-se com a utilização da piscina interior. Por razões de segurança, a unidade não permite que esta piscina e a sauna sejam utilizadas por mais do que um quarto ao mesmo tempo, para prevenir contágios e também permitir a limpeza entre utilizações. No entanto, não colocam um limite de tempo de utilização a cada hóspede (ou quarto), confiando assim no bom senso dos clientes. Apesar de esta atitude ser de louvar, dado que os hóspedes pagam para estar ali e relaxar, sem terem de ser pressionados, a verdade é que podem existir abusos.

No dia em que cheguei, e que me informaram desta medida no momento em que me mostraram a piscina, um casal estava a utilizá-la tranquilamente já há um bom tempo, ao mesmo tempo que bebia uma garrafa de champanhe — claramente a aproveitar o momento. E não existiria problema nenhum neste cenário, não fosse estar cá fora outro casal à espera para usar as instalações. Consegui ir ao quarto, sair para ir ver a piscina exterior, voltar para dentro, e o mesmo casal continuava à espera. Apesar de não ser fácil, acredito que o hotel talvez possa encontrar um meio termo e instaurar um limite máximo de 20 minutos, meia hora, caso existam hóspedes interessados em usar as instalações, por exemplo. E caso não haja ninguém à espera, os clientes ficam mais à vontade. Fica a sugestão.

Com estadias mínimas de duas noites, e até ao final de setembro, a estadia em quarto standard, para duas pessoas, fica nos 250€. Caso deseje meia-pensão, com jantar, acresce o valor de 35€ à diária, por pessoa (sem bebidas incluídas).

A MAGG ficou alojada a convite do Vila Valverde Design Hotel.

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