Se tem tendência para olhar para o copo meio vazio da vida, é provável que alguém já lhe tenha dito como isso é errado. A frase "energias negativas atraem coisas negativas" é frequente neste género de diálogos, e têm toda a razão. Mas não se trata de acender velas para atrair dinheiro ou de tomar banhos de sal para afastar a inveja. No final do dia, é tudo uma questão de lógica e ciência.

Ora vejamos: anda preocupado com alguma coisa, seja no campo do amor, trabalho, amizade ou família. São três da manhã e ainda não conseguiu pregar olho, com a cabeça frenética a saltitar de problema em problema. Está tenso, stressado e dormiu mal. No dia seguinte, é possível que não tenho paciência para cozinhar e acabe a mandar vir um hambúrguer pela Uber Eats. São 22 horas, continua sem conseguir relaxar. Pega na garrafa de vinho do frigorífico e serve um, dois, talvez até três copos. Talvez assim consiga dormir.

Os dias passam, os comportamentos mantêm-se. Está demasiado stressado para pôr os pés no ginásio, trabalhar torna-se um martírio — e se não era o problema, agora passou a ser — e as compras ultimamente são sinónimo de divagar pelo corredor das bolachas. Acha que o problema está na sua saúde emocional? Veja o que acabou de fazer à sua saúde física.

As emoções negativas podem deixá-lo literalmente doente, e não é apenas a lógica que o dita. Alia Crum, da Universidade de Stanford, fez vários estudos neste sentido. Um deles passou por escolher aleatoriamente 300 funcionários de uma empresa financeira logo após o colapso económico de 2008. Eles estavam stressados, com excesso de trabalho e 10% tinham acabado de ouvir que corriam sérios riscos de acabar desempregados.

Os 300 funcionários foram divididos em dois grupos. Cada um viu um vídeo de três minutos sobre os efeitos do stresse, mas um enaltecia os aspetos negativos e outro os positivos. Resultado? O grupo que levou com a mensagem mais negativa estava pior de saúde do que aquele que recebeu a mensagem mais otimista.

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E por falar em otimismo, foi exatamente isso que investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, do Centro Nacional do Boston Healthcare System e da Escola de Saúde Pública de Harvard decidiram estudar em 2019. Durante vários anos, eles acompanharam 69.744 mulheres e 1.429 homens para avaliar, entre outras variáveis, o otimismo.

Os homens e mulheres mais otimistas demonstravam, em média, uma vida útil 11% a 15% maior. Mais: tinham probabilidades de 50% a 70% maiores de atingir os 85 anos em comparação com os grupos menos otimistas.

As emoções têm um impacto direto no corpo — mas não vale reprimir

Muitos estudos atestam o mesmo: ver o lado positivo das coisas não é apenas bom para a mente, é também bom para o corpo. Sentir-se deprimido, apático ou pessimista está associado a níveis mais baixos de serotonina e dopamina, os chamados neurotransmissores que nos fazem sentir bem. A serotonina desempenha um papel importante na perceção da dor, e pode ser por isso que as pessoas que experimentam emoções negativas relatam sintomas mais graves da doença.

Além disso, e como já referimos, estados emocionais negativos, como ansiedade, raiva, tristeza e stresse, estão associados a comportamentos prejudiciais: má alimentação, tabagismo, inatividade física e isolamento social. Ora são exatamente estes os fatores que contribuem para as doenças mais temidas — e disseminadas — do mundo: cancro, diabetes, demência e doenças cardíacas.

E depois torna-se numa autêntica bola de neve: as doenças afetam-nos emocionalmente, a mente afeta o nosso corpo, e de repente parece que não há um fim à vista.

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Mas a solução também não passa por reprimir emoções. Elas são fundamentais para a libertação de neuroquímicos e de hormonas benéficas. Chorar, por exemplo, é extremamente calmante, uma vez que faz com que o corpo liberte as hormonas do stresse para fora do corpo.

A solução para uma vida mais longa — e feliz — está no equilíbrio. Não se trata de forçar o riso, mas também não pode passar a vida a chorar. E já que falamos em riso, sabia que diminui os níveis de cortisol e de adrenalina? Estudos comprovam que também pode reduzir o risco de ataque cardíaco e estimular as hormonas de crescimento, que reparam as nossas células. Além disso, claro, sentir-se bem incentiva comportamentos saudáveis.

Não há forma de erradicar as emoções negativas das nossas vidas, nem sequer devemos ponderar fazê-lo — elas são tão essenciais como as positivas. Mas é preciso prestar atenção a este duelo constante, e garantir que não é sempre o copo meio vazio a ganhar o jogo. Infelizmente, parece que é isso que está a acontecer: segundo o livro do investigador Marc Brackett, "Permission to Feel" (2019), estudantes do ensino médio, professores e profissionais ligados à área financeira experimentam emoções negativas até 70% do seu tempo enquanto estão na escola ou no trabalho. Mau para a saúde mental? Sem dúvida. Mas para o corpo também.

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