Não há certezas sobre se quem recupera do COVID-19 fica imune à doença. Este é um vírus novo, até há meses desconhecido, mas há estudos que apontam para a possibilidade de ficarmos imunes depois da infeção.

Uma vez que a vacina pode demorar algum tempo a ser testada e comercializada, a imunidade pode ser a solução para travar o vírus. Isto porque, tendo em conta os quase meio milhão de indivíduos infestados em todo o mundo, se os sobreviventes ficarem imunes durante algum tempo ao COVID-19, isso representaria o fim do ciclo de transmissão.

Um estudo realizado em macacos infetados com COVID-19 comprovou que depois de contaminados estes produziram anticorpos neutralizantes, passando a resistir a novas infeções. Também no nosso corpo, na presença de alguns vírus, é produzido um anticorpo chamado imunoglobulina M, que se transforma em imunoglobulina G para reconhecer e neutralizar um vírus específico. A resposta e desenvolvimento dos anticorpos depende de pessoa para pessoa, mas tal como nos macacos, conferem uma imunidade vitalícia.

A imunidade que se cria na presença de outros vírus pode vir a acontecer com o COVID-19, mas pelo menos no estudo com macacos, apesar de ficarem imunes, não ficou claro até quando essa imunidade persiste. No entanto, a experiência do passado pode dar alguns palpites nesse sentido.

Na epidemia de SARS (da família da SARS-CoV-2, que causa a doença COVID-19), em 2002, a maior parte das pessoas infetadas ficou imune ao vírus durante cerca de oito ou dez anos, de acordo com o virologista Vineet D. Menachery. Por isso, o especialista revela que as pessoas que foram infectadas com COVID-19 podem ter imunidade durante pelo menos um a dois anos. "Além disso, não podemos prever", diz.

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A forma mais rápida de verificar a imunidade é através de um exame de sangue, semelhante ao teste do VIH, que procura anticorpos protetores em pessoas que já recuperaram da COVID-19. Estes testes já estão a ser feitos em países como Singapura e China.

O importante nesta avaliação vai além de perceber a que perigos ainda estamos sujeitos. É especialmente útil para saber se os profissionais de saúde que foram infetados podem ser novamente colocados na linha de frente para tratar de novos indivíduos contaminados e proteger colegas vulneráveis.

Travar a cadeia de infeção não é o único aspeto positivo. Pode ser possível que a imunidade cure outros casos. Uma experiência interessante aprovada esta terça-feira, 24 de março, pela Food and Drug Administration, consiste em usar plasma de pessoas recuperadas da COVID-19 para tratar outros casos graves. 

De acordo com o jornal "El Mundo", o Centro de Transfusão da Comunidade de Madri já começou a apostar neste processo, desenvolvendo um projeto de doação de plasma de pessoas tratadas para curar outros doentes com COVID-19. Além de Espanha, Nova Iorque também já está na corrida.

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"É um teste para pessoas que estão em estado grave, mas o Departamento de Saúde do Estado de Nova Iorque tem vindo a trabalhar nisso com algumas das melhores agências de saúde da cidade, e achamos que pode ser promissor", disse Andrew Cuomo, governador de Nova Iorque, de acordo com o jornal "The New York Times".

Antes de globalizar o método, os investigadores precisam de garantir que o plasma dos pacientes não tem vírus ou toxinas, de forma a que a segurança dos doentes seja assegurada.

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