Com o desconfinamento de maio, a abertura dos restaurantes, das esplanadas e a possibilidade de se fazerem ajuntamentos em jardins, acompanhados de bebida e de petiscos, surge um novo padrão de infetados por COVID-19: a população mais jovem, que, mesmo não frequentando festas com grandes ajuntamentos, não vê mal em negligenciar as regras do distanciamento social.

São os novos doentes do Hospital de Santa Maria: “Estes jovens associaram a ideia de desconfinamento a que já estava tudo bem e era possível relaxar nos cuidados. Os que nos estão a chegar não se contaminaram em grandes festas; foram infetados no dia a dia. Parecem achar que a doença só é transmitida por quem tem sintomas, o que está profundamente errado. Estou muito preocupada com a abertura dos centros comerciais, cafés e com o fim das aulas”, explica no artigo exclusivo do jornal "Expresso" Sandra Braz, coordenadora da Unidade de Internamento de Contingência de Infeção Viral Emergente e responsável pelas enfermarias onde estão doentes com COVID-19 neste hospital de Lisboa — onde trabalham mais 50 médicos, enfermeiros, auxiliares. Aqui estão disponíveis 63 camas, das quais 44 estavam ocupadas na quinta-feira passada, 18 de junho, com doentes com idades entre os 21 e 99 anos.

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Se numa primeira e segunda fase os doentes positivos que chegavam ao hospital eram aqueles que, com idades entre os 30 e o 50 anos, tinham estado a passar férias em Itália (de seguida os familiares, com entre 60 a 70 anos) e depois os trabalhadores e infetados dos lares, nesta terceira etapa são os mais jovens a dar entrada:  “São os infetados do pós-confinamento, que se contagia­ram porque saíram de casa", diz Sandra Braz.

Além de trabalhadores da construção civil, de cuidadores de idosos ao domícilio, imigrantes de vários países, chegam agora os jovens saudáveis, de classes sociais equilibradas e com comportamentos de risco. "Alguns tem de ser transferidos para os cuidados intensivos, devido ao agravamento do estado clínico", escreve o mesmo jornal.

“São jovens que organizam jantares em casa e que parecem pensar que por ser em casa não há perigo. Jovens que no trabalho usam máscara e desinfetam as mãos, mas à noite reúnem-se em grupo e não usam proteção. Alguns foram visitar amigos que estavam infetados e não se protegeram. Parecem viver numa adolescência prolongada, em que não cabe a responsabilidade, associada a um sentimento de desafio ao risco e a uma necessidade de pertença ao grupo, em que quem não acompanha a maioria pode ser excluído", diz Sandra Braz.

Ao contrário do que é a ideia geral, segundo Sandra Braz, muitos doentes idosos saem dos cuidados intensivos mais rapidamente do que os mais novos. "Temos jovens que se mantêm em situação muito crítica e durante mais tempo nos cuidados intensivos e, daquilo que conhecemos da infeção, isso ocorre devido à reação do sistema imunitário destes doentes mais novos, que é muito mais intensa do que a dos mais velhos, podendo causar uma reação inflamatória multiorgânica que pode descompensar o organismo e ser muito grave."

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