O restaurante do sexto episódio do programa "Pesadelo na Cozinha" fica em Alverca do Ribatejo. A Faia, assim se chama, fica numa zona de pouco movimento, por onde passam carros ou pessoas que, para infortúnio do gerente, não passam lá com o intuito de comer, mas sim para ir à oficina de automóveis que fica logo em frente. 

O fraco movimento talvez tenha até sido uma das razões que levou o programa da TVI a intervir. Isto porque, num comunicado de imprensa, a falta de lucro é um dos problemas apontados a este restaurante, que está nas mãos de Justa e Mário, os proprietários, desde 2013.

A MAGG foi conhecer A Faia, mas a experiência não se deu à primeira tentativa. Uma vez que têm pouca presença na internet (a última publicação no Facebook foi feita em agosto) e o telefone apenas chamava, foi difícil conferir se estavam abertos.

Arriscámos, mas a 27 de dezembro apenas encontrámos um papel a dizer que o restaurante estava fechado e só voltaria a abrir dia 30 de dezembro. E dia 30 lá estávamos nós.

Logo à entrada do restaurante havia um bar para servir cafés, bebidas ou refeições rápidas, como bolos e sandes, mas nós vínhamos com a intenção de ter uma refeição completa e, por isso, Gentil, que juntamente com Justa estão encarregues do serviço de sala, indicou-nos a sala principal.

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Ainda que não conhecêssemos o cenário anterior, foi fácil perceber que havia ali acabamentos recentes: a luz no teto era composta por várias pequenas lâmpadas modernas, havia um pequeno adereço para garrafas junto à lareira no fundo da sala e notámos um equilíbrio de cores e simplicidade conseguido quer pelas paredes, as toalhas e as bases na mesa.

Tudo isto já nos agradava a vista, mas estava na altura de provar aquilo que podia, ou não, agradar o estômago.

Eram 12h40 quando ocupamos uma mesa e pouco depois Gentil trouxe a carta. O menu do dia (8€) incluía sopa, prato, bebida, sobremesa e café. Um menu completo e que, segundo a vizinhança com quem falámos, é considerado um preço razoável.

A sopa do dia era puré de legumes com grão e, ainda que a maioria dos pratos incluíssem opções de carne típicas no Ribatejo, preferimos um linguado grelhado acompanhado de legumes cozidos.

A sopa foi rápida a chegar à mesa e a apresentação já dava indícios do toque do chef Ljubomir Stanisic: por cima do puré, tinha sido colocado um fio de azeite para tornar a sopa mais apresentável.

O prato onde foi servida a sopa também ajudou ao bom aspeto conseguido, mas a nova loiça não substituiu por completo a antiga, já que por baixo do prato de sopa vinha um outro raso que parecia ser dos tempos em que Ljubomir ainda não tinha passado por Alverca.

Gentil veio vagarosamente, mas sempre com simpatia, recolher o prato e não muito tempo depois foi servido o linguado, que estava fresco e saboroso.

Já os legumes parece que seguiram demasiado à risca uma das falhas apresentadas pelo chef — o excesso de sal em quase todos os pratos — porque aparentavam não ter levado nem uma pitada.

Quando chegámos ao restaurante estavam apenas dois clientes, mas até ao final da refeição a sala foi-se compondo e contabilizámos 11 pessoas no total. A maioria parecia estar em pausa para um almoço rápido no intervalo do trabalho, e apenas um casal de idosos se sentou com tempo para desfrutar da refeição e ter alguns minutos de conversa com Justa, enquanto esta ia agilizando o serviço na sala.

A meio da refeição foi notória a preocupação com os clientes: Justa e Gentil fizeram uma ronda para ver se estava tudo do agrado de cada um e o próprio chef, Mário, saiu da cozinha para perceber se tudo tinha saído como pretendido.

Sem nada a apontar e já com o café tomado, pedimos para falar com o chef de cozinha que preferiu deixar os comentários para depois do programa ir para o ar. Seguimos então para a rua para saber junto de vizinhos e clientes, se a passagem da TVI pelo restaurante trouxe mudanças.

"Comi lá depois da remodelação e estava completamente diferente"

Na rua do restaurante passeavam dois vizinhos. Um deles admite à MAGG que não vai ao Faia há 6 ou 7 anos e outro tinha estado lá não muito antes da remodelação, mas a primeira não correu da melhor forma.

"Eu não gostei muito. Não gostei do atendimento. Apanhei uma mosca no vinho e nunca mais lá apareci". Contudo, refere que o preço era acessível e o restaurante era um dos mais baratos da zona.

Apesar da má experiência, acabou por lá voltar e reconheceu que houve algumas melhorias depois da passagem de Ljubomi: "Comi lá depois da remodelação e estava completamente diferente. Hoje em dia já recomendava a outras pessoas", garante.

Mais à frente encontrámos uma estação de lavagem de carros, onde os funcionários admitem não serem clientes do restaurante. Ainda assim, um deles conta que uma vez recomendou o restaurante a um taxista e o feedback não foi positivo.

Contaram ainda que quando fazem uma refeição fora preferem outro restaurante que fica apenas a alguns metros de A Faia. "Normalmente, quando precisamos, costumamos de ir aqui ao A Lanterna", diz um dos funcionários da estação. E não são os únicos.

Passámos pelo restaurante concorrente para ver o ambiente e a verdade é que às 14h30 a sala de refeições estava cheia.

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"5 estrelas. Recomendo"

A pontuação máxima para A Faia é dada por dois trabalhadores de uma empresa que fica a escassos metros do restaurante remodelado pelo "Pesadelo na Cozinha".

Tinham acabado de almoçar no restaurante de Justa e Mário e saíram satisfeitos: "Estava tudo ótimo. Trabalhámos aqui perto e conhecemos isto de cor e salteado", contam à MAGG, explicando que as visitas frequentes aos restaurante já aconteciam antes da remodelação.

Quanto à comida, referem que "antes também estava boa, nada a apontar" e que a principal diferença que notam é na decoração. A cor das paredes foi mudada e o restaurante, segundo contam, tornou-se mais agradável: "5 estrelas. Recomendo", diz um deles.

Não se queixam do preço, apesar de notarem um aumento: "Acho que houve um aumento de 50 cêntimos ou o que foi, mas nada por ai além".

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