Cerca de 1,5 milhões de refugiados ucranianos fugiram para a Polónia desde que começou a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, a 24 de fevereiro. O número foi avançado esta sexta-feira, 11 de março, pelo porta-voz da Organização Internacional para as Migrações (OIM), Paul Dillon, de acordo com a "Bloomberg" e não parece estagnar, assim como o avançar das tropas russas. Os polacos fazem o que podem para ajudar e para bem receber os ucranianos, tal como Urszula Białas, uma jovem de 25 anos, cujo hotel da família está a acolher refugiados.

"Os polacos estão a tentar ajudar o mais possível para dar asilo aos refugiados ucranianos. A minha família ofereceu um sítio onde podem ficar dez crianças, entre os 2 e os 16 anos, e dez adultos. Estamos a tentar ajudá-los nestes tempos difíceis e o mais importante é que aqui estão seguros", refere Urszula Białas à MAGG, acrescentando que isso não afeta o negócio do hotel.

"Temos estadias de longa duração de outras pessoas, por isso não estamos preocupados. O que queremos agora é ajudar os ucranianos o mais possível", continua.

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Tal como a família da jovem, um pouco por toda a Polónia as pessoas movem-se para ajudar a enchente de refugiados — dois passam a fronteira a cada três segundos, estima o "The Wall Street Journal". Doam comida, roupas, brinquedos e algo que possivelmente nunca nos ocorreu que fosse essencial: sangue. "Os polacos estão a doar muito sangue porque os ucranianos vão precisar", alerta Urszula Białas.

E assim se une a solidariedade de uns com a bravura de outros. A jovem polaca não só recebe polacos, como vê partir aqueles que não conseguem estar distantes a ver o país a ser tomado pelas tropas russas.

"Os ucranianos são pessoas muito corajosas. Rapazes jovens que estudam na Polónia decidiram voltar para o seu país para combater. Claro, eles estão assustados porque as famílias estão lá e não conseguem tirá-las. Fico de coração partido sempre que vejo nas notícias que jovens mulheres e homens decidiram voltar para a Ucrânia e lutar pela liberdade", remata Urszula.

Como estão as crianças a lidar com a guerra?

Entre os refugiados que chegam à Polónia, são inúmeras as crianças que chegam no colo das mães que deixaram os maridos para trás para servir o país e para a Lei Marcial (homens entre os 18 e os 60 anos estão impedidos de deixar a Ucrânia). Algumas delas chegaram ao hotel de Urszula, onde são feitos os possíveis para que se sintam seguras.

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"Tentamos dar-lhes brinquedos e jogos para que se mantenham ocupadas. As crianças não percebem o que se está a passar, por isso, para nós, é crucial fazer com que se sintam seguras", refere a jovem polaca.

Além deste hotel, as famílias refugiadas são recebidas em casas particulares, dormitórios de estudantes e pavilhões, mas há muitas crianças que chegam sem colo ou sem a mão dada a alguém. É o caso de 150 órfãos que partiram de um lar de acolhimento em Kiev em direção à Polónia, onde chegaram na madrugada de terça-feira, 8 de março, após quase 700 quilómetros, relata a CNN Portugal.

Desde o início da guerra, a associação Happy Kids já ajudou a retirar mais de 2 mil órfãos da Ucrânia e vai continuar a mobilizar operações para proceder à evacuação de crianças dos orfanatos ucranianos.

"Tenho mais raiva do que medo"

Urszula Białas está a paredes meias com uma guerra em pleno desenvolvimento. Tem acompanhado e sentido a guerra bem de perto ao acolher quem dela foge e apesar de viver no país que faz fronteira com aquele que foi invadido pela Rússia, não teme pelo que possa acontecer.

"Tenho mais raiva do que medo. Não consigo acreditar que pessoas inocentes têm morrido por causa de Putin [presidente russo]. Sinto-me impotente porque é como se todo o mundo estivesse a ver e ninguém consegue parar os russos. Claro que também tenho medo, mas o meu coração está com toda a Ucrânia", diz a jovem polaca.

Esse medo deve-se ao facto de os ataques acontecerem apenas a 90 quilómetros das fronteiras polacas, mas não será maior do que aquele que é sentido por quem está do outro lado. "Não imagino o que sentem as pessoas que não conseguem fugir da Ucrânia para um lugar seguro", termina.

Apesar de sentir-se impotente, Urszula e a família, assim como a população polaca, fazem mais do que podem e esse trabalho já foi reconhecido pelo presidente do Conselho Europeu. "Gostaria dar-lhe os parabéns, caro primeiro-ministro Mateusz, à sua equipa e ao povo polaco", disse Michel Charles Michel numa visita a Rzeszów, na Polónia, a 3 de março, cita o "Politico".

As ações de solidariedade levadas a cabo por toda a Polónia alteraram por completo a posição do país perante a União Europeia (UE), que há menos de seis meses esteve em risco de sair da UE após o Tribunal Constitucional polaco ter decretado a primazia da lei nacional sobre a comunitária, segundo o "Público".

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