Depois de quatro dias sentado no banco dos réus, onde admitiu que o casamento com Amber Heard o deixou "destruído", Johnny Depp regressou ao tribunal de Fairfax, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, esta terça-feira (26). Desta vez, não para prestar declarações, mas para assistir ao desenvolvimento do caso, que somou assim três novos testemunhos.

Foi o discurso de Shannon Curry, uma psicóloga clínica e forense contratada pela equipa de Johnny Depp, que mais se destacou, depois de a especialista descrever Amber Heard como propensa a tratar os outros com crueldade e a culpar terceiros, resultado de dois transtornos de personalidade que diz ter identificado. Mas já lá vamos.

Johnny Depp vs. Amber Heard. Tudo o que se sabe sobre a história de amor que está nos tribunais
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Isto porque o testemunho de uma mulher que trabalha para o ator há 15 anos e da agente da polícia que atendeu uma chamada de emergência da atriz depois de uma alegada discussão também se revelaram cruciais ao caso. Pelo menos, no que ao lado de Johnny Depp diz respeito.

Tara Roberts "nunca observou qualquer sinal de violência física" em Amber Heard

Tara Roberts, a governanta da ilha privada do ator nas Bahamas, confirmou que, de facto, chegou a ouvir uma discussão em que Depp se queixava de ter sido agredido com uma lata e que este chegou a apresentar ferimentos no nariz depois de um outro momento a sós com a atriz. Sendo que, no mesmo discurso, revelou ainda que "nunca observou qualquer sinal de violência física" em Amber Heard. 

Fê-lo sob juramento, mas no contrainterrogatório a equipa de Amber Heard avançou detalhes sobre a relação entre Tara Roberts e Johnny Depp, no sentido de pôr em causa a veracidade do testemunho. Em particular, o facto de a governanta, que é responsável pela manutenção da ilha privada do ator, receber um salário mensal de 10 mil dólares (cerca de 9.400 euros) e de já trabalhar com Depp há cerca de 15 anos, avança o jornal "Público".

Agente da polícia não identificou Heard como "como vítima de violência doméstica"

Seguiu-se a agente da polícia de Los Angeles que atendeu a chamada de emergência da atriz, a 21 de maio de 2016, na sequência de uma discussão entre o casal, dias antes de Heard apresentar oficialmente o pedido de divórcio. Perante a justiça norte-americana, a agente revelou que não viu no local qualquer prova de crime e que não identificou a atriz "como vítima de violência doméstica".

O testemunho da agente contraria a teoria apresentada inicialmente pela equipa da atriz, que recorreu a uma imagem de um hematoma, que alegadamente teria resultado desta discussão em concreto, como uma das provas de que Johnny Depp abusava fisicamente de Amber Heard.

Ainda assim, a maior surpresa do julgamento desta terça-feira (26) foi o discurso de Shannon Curry, a psicóloga forense que diagnosticou Amber Heard com dois transtornos de personalidade.

Atriz apresenta sinais de transtornos de personalidade, mas não de "stress pós-traumático", diz especialista

A psicóloga clínica e forense avançou um diagnóstico à condição psicológica de Amber Heard. "Os resultados da avaliação da sra. Heard apoiaram dois diagnósticos: transtorno de personalidade limítrofe (borderline) e transtorno de personalidade histriónica", começou por explicar, com a ressalva de que recorreu a documentos do caso, registos médicos e ao contacto direto com a atriz para sustentar as suas alegações.

Sabe-se agora que Shannon Curry esteve com Amber Heard durante um total de 12 horas durante 2 dias, 10 e 17 de dezembro. Segundo diz ter verificado, a atriz "demonstra sintomas psicológicos de transtorno de personalidade borderline combinado e distúrbio de personalidade histriónica", evidenciados por "uma apresentação excessivamente dramática" e um "discurso impressionista", disse, em declarações citadas pelo "The New York Post".

Neste sentido, importa referir que as pessoas com transtorno de personalidade limítrofe (borderline) têm uma fraca capacidade de equilibrar racionalmente as suas emoções. Tendem a ser impulsivas, imprudentes e inseguras e apresentam ainda dificuldade em manter relações próximas. Isto de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos.

Aqueles diagnosticados com esta condição são geralmente propensos a explosões de raiva, auto-mutilação e suicídio. Sendo que isto, relacionado com o distúrbio de personalidade histriónica, tende a contribuir para que as pessoas tenham uma certa "tendência para o dramático" e para exigir a atenção de terceiros.

Com base no que testemunhou sob juramento, a psicóloga admitiu que recorreu ainda ao MMPI-2 (Inventário Multifásico de Personalidade de Minnesota) para provar que o perfil de Heard mostra alguém muito preocupado com a imagem, propenso a tratar os outros com crueldade, incapaz de admitir a responsabilidade e propenso a culpar os outros, avança o jornal "Público".

Para além do diagnóstico não-oficial, Shannon Curry esclareceu ainda que Amber Heard não sofre de sintomas de "stress pós-traumático" como consequência da relação com  Johnny Depp. Pelo menos, não na medida que os tem vindo a exibir.

A especialista disse que a "hipócrita" de 36 anos, referindo-se a Heard, apresentava sintomas "exagerados" de stress pós-traumático, acrescentando que este transtorno é fácil de simular.

Até à data, ainda não se sabe se Amber Heard vai recorrer a um outro especialista para contrariar o diagnóstico de Shannon Curry, mas prevê-se que a atriz se sente no banco dos réus do tribunal de Fairfax já na próxima segunda-feira, 2 de maio.

O ex-casal acusa-se mutuamente de difamação e violência doméstica. Johnny ​Depp afirma que Amber Heard o difamou quando escreveu um artigo para o "The Washington Post", em dezembro de 2018, no qual relatou ser vítima de violência doméstica e interpôs uma ação no valor de 50 milhões de dólares (46,3 milhões de euros) por difamação.

No entanto, a atriz alega que o ex-marido e os seus advogados proferiram falsas acusações a seu respeito com o principal objetivo não só de a atacar, mas também destruir a sua carreira. Razão pela qual exige agora uma indemnização de mais de 92 milhões de euros.

Em simultâneo, ambos dizem ter provas de que foram vítimas de violência doméstica durante o período em que estiveram casados, entre 2015 e 2016.

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