Uma voz estridente, atrás da câmara de um telemóvel, grita “Attenzione, pickpocket!” ("atenção, carteiristas!") nas ruas de Veneza, apinhadas de turistas. Veem-se os alegados ladrões assustarem-se e fugirem, e turistas assustados. A voz que se ouve é a de Monica Poli, que é agora uma estrela das redes sociais, notícia em todo o mundo e cuja frase de marca até já foi usada pelo DJ Alok no festival de música eletrónica Tomorrowland.

Mas o que poderia ser apenas a história de uma cidadã preocupada com a segurança dos visitantes da sua cidade tem outros contornos. Depois de uma semana a ser protagonista de peças noticiosas e comentada nas redes sociais, é também notícia que Monica Poli, de 57 anos, não só faz parte do partido de extrema-direita Lega Nord como é conselheira do mesmo, como adianta a Sky News. O Lega Nord (o equivalente italiano ao Chega) defende políticas anti-LGBT e anti-imigração e o seu líder tem um discurso marcadamente racista.

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A mulher de 57 anos faz também parte de um grupo cívico intitulado Cittadini non distratti ("Cidadãos atentos"). Esta comunidade divulga nas redes sociais imagens e rostos de alegados carteiristas e alerta para os perigos de roubos nas ruas de Veneza.

Em declarações ao "The New York Times", quando questionada acerca de se se preocupava com o facto de poder estar a acusar pessoas inocentes, Poli diz que tem a certeza de que não são só de olhar para eles: "Quando os vejo, sei que eles são carteiristas. É estranho dizer isto... há algo dentro de mim e reconheço-os imediatamente". Nas redes sociais, há quem acuse a justiceira das ruas de Veneza de estar a levar a cabo uma campanha contra a comunidade cigana e contra os imigrantes da Europa de Leste.

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