Ainda que Peng Shuai já tenha aparecido em público depois de acusar um ex-alto cargo do governo chinês de agressão sexual, a preocupação acerca da sua segurança e bem-estar não se dissipou. E este terça-feira, 23 de novembro, o governo chinês voltou a comentar o caso, dizendo não querer que se fale dele nem que seja politizado.

"Algumas pessoas deviam parar de usar este tema para, de forma deliberada, transformá-lo numa questão política", fez saber o governo através do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Zhao Lijian, durante uma conferência de imprensa.

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"Acredito que terão tido oportunidade de ver que ela [referindo-se à tenista Peng Shuai] já participou em alguns eventos públicos e até esteve numa chamada de vídeo em direto", diz. Zhao Lijian refere-se à videoconferência que aconteceu no domingo, 21, em que a tenista esteve à conversa com o presidente do Comité Olímpico Internacional, Thomas Bach.

O encontro, ainda que à distância, surgiu depois do aumento da pressão internacional para que fossem dadas provas concretas que atestassem à segurança da tenista, que estava desaparecida desde o início de novembro.

A chamada, explicou o comité, terá servido para que Peng Shuai garantisse estar "bem e a salvo", embora tenha dito que, nesta fase, prefere passar os seus dias "com amigos e família".

Comité Olímpico Internacional acusado de conluio com as autoridades chinesas

Essa mesma videoconferência, no entanto, levou a que inúmeras organizações não-governamentais acusassem o Comité Olímpico de conluio com as autoridades chinesas.

A Human Rights Watch, por exemplo, diz que o comité "está a desempenhar um papel ativo na máquina de desaparecimentos forçados, coerção e propaganda do governo chinês", mais uma vez lançando dúvidas sobre se, na verdade, não estará Peng Shuai a ser coagida a aparecer publicamente para fazer dissipar as críticas e a pressão acerca das acusação que proferiu no início de novembro, escreve a CNN Portugal.

Também a Global Athlete, outra organização não governamental, é assertiva na acusação, dizendo que "estas declarações tornam o Comité Olímpico Internacional cúmplice das autoridades chinesas, da sua propaganda malévola e desvalorização de direitos humanos básicos".

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“A declaração [do comité referente ao encontro com a atleta] finge que Peng Shuai nunca fez alegações de violência e agressão sexual e que não está desaparecida há mais de duas semanas”, sublinha a Global Athlete.

A videochamada foi a primeira vez em que houve registos, em tempo real, da atleta em público. Ainda no domingo, foram divulgados dois vídeos que mostravam a tenista num evento desportivo, mas as preocupações acerca da sua segurança e bem-estar não se dissiparam, precisamente porque não era possível confirmar quando é que as imagens foram captadas e se eram ou não encenadas.

Peng Shuai esteve desaparecida desde o início de novembro, altura em que acusou um ex-alto cargo do governo chinês, Zhang Gaoli, que entre 2013 e 2017 foi vice-primeiro-ministro da China, de agressão sexual. O incidente terá acontecido em 2017, quando este a convidou para jogar ténis em sua casa.

Na imprensa chinesa, associada ao governo e a mesma que, em tempos, a descreveu como "princesa" nacional, não tem havido qualquer menção sobre as alegações da tenista.

No Ocidente, porém, pede-se uma investigação transparente acerca das acusações feitas pela tenista no Weibo, a rede social chinesa semelhante ao Twitter, da qual foi apagada a mensagem original de Shuai.

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