Depois do reconhecimento de Donald Trump a grupo de extrema-direita Proud Boys, a comunidade gay do Twitter assumiu o controlo da hashtag #ProudBoys. Isto significa que, de cada vez que a hiperligação for clicada por um utilizador, aquilo que este vai ver são imagens em defesa do orgulho gay ou até fotografias pessoas de casais homossexuais. A difusão da iniciativa foi tal que o termo se tornou num dos assuntos mais comentados no Twitter, inclusive em Portugal, sendo já muito difícil ver qualquer tipo de conteúdo de ódio associado à hashtag na rede social.

"A comunidade gay do Twitter assumiu o controlo da hashtag #ProudBoys, roubando-a aos supremacistas da extrema-direita e usando-a para espalhar imagens de amor, positivismo e verdadeiro orgulho", escreveu um utilizador na rede social que publicou também imagens de várias manifestações pela defesa dos direitos da comunidade LGBTQ+.

Já outro utilizador escreveu que "a melhor coisa do Twitter neste momento era o facto de haver homens gays a assumir o controlar da hashtag #ProuBoys". Como imagem? O momento em que dois homens se beijam apaixonadamente na rua.

O movimento chegou também a membros da Casa dos Representantes dos EUA que, ao contrário do Senado, é composta por uma maioria do Partido Democrata. Carlos Guillermo Smith, um dos representantes do partido, fez uso da hashtag para demonstrar o seu apoio à comunidade gay na luta contra o discurso de ódio propagado por grupos extremistas como aquele que apoia Donald Trump.

"Eu e Jerick Mediavilla [o seu parceiro] juntamo-nos a milhares de homens gays nas redes sociais para retirar a hashtag #ProudBoys aos supremacistas brancos e neo-nazis. Vamos usar esta hashtag para transmitir imagens de amor, positivismo e orgulho. Estes dois #ProudBoys estão aqui, a postos e prontos a votar", lê-se no tweet acompanhado da bandeira da comunidade gay.

A iniciativa surge depois de, no primeiro debate da corrida à presidência dos EUA, Donald Trump ter recusado a denunciar os ataques da extrema-direita um pouco por todo o país. Não só recusou a condenar, como mencionou os Proud Boys, um dos seus grupos de apoiantes mais violentos, a quem pediu para se manterem "a postos".

“Proud Boys, recuem e mantenham-se a postos”, disse Donald Trump em resposta a Chris Wallace, o jornalista responsável pela moderação do debate, que perguntou se o atual presidente dos EUA estaria disposto a condenar os ataques da extrema-direita no país.”Estou a favor disso, mas todos os confrontos de que tenho tido conhecimento são perpetuados pela extrema-esquerda e não pela direita. Alguém tem de fazer alguma coisa sobre a extrema-esquerda e os ataques perpetuados pela Antifa [movimento antifascista]”, continuou.

Em menos de uma hora, o grupo Proud Boys era um dos assuntos mais comentados do Twitter em todo o mundo. E estes, extasiados com a menção de Trump em direto, congratularam-se e fizeram da mensagem “recuem e mantenham-se a postos” um dos seus slogans. No Telegram, a plataforma de chat encriptada escolhida pelo grupo para comunicar entre si, podia ler-se a seguinte mensagem: “Estamos a postos, sir”.

Proud Boys. Quem são os membros do grupo de extrema-direita que apoiam Trump e estão "a postos"?
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Mas as mensagens, divulgadas pelo jornalista do “The New York Times”, Mike Baker, eram bastantes e pouco variavam de tom.

“Basicamente, Trump disse-nos para irmos espancá-los. Isto deixa-me muito contente”, escreveu outro utilizador. “Trump disse aos Proud Boys para se manterem a postos porque alguém precisa de lidar com a Antifa. Estamos prontos, sir”, lia-se noutra mensagem.

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