Jeanne é estudante de literatura francesa, adora arte e decidiu que queria passar o final de tarde da passada terça-feira, 8 de setembro, no Museu d'Orsay, um dos mais famosos de Paris, onde estão expostas algumas das pinturas mais famosas do século XIX. O dia estava especialmente quente e ela levava um vestido com decote, indumentária que fez com que fosse barrada de entrar no espaço. "Regras são regras", ter-lhe-ão dito.

"Estava longe de saber que o meu decote pudesse ser um motivo de desacordo", disse. Apesar de a sua amiga vestir um crop top — que deixava a sua barriga à mostra — foi exclusivamente para a sua roupa que as atenções se viraram. "Oh não, isso não vai ser possível, isso não é permitido, isso não é aceitável", ter-lhe-ão dito na bilheteira. 

Depois, surgiu um segurança, relatando as regras daquele espaço. Só que em momento algum mencionou a norma que estabelecesse que a sua roupa era um problema. "Em nenhum momento alguém me disse que o decote é um problema, estavam claramente a olhar para os meus seios, referindo-se a eles como 'isso'", escreveu.

Num momento inicial Jeanne recusa-se a vestir o casaco, por se sentir "rebaixada", "forçada" e envergonhada e "sexualizada". Mas acabou por ceder para poder entrar no museu.

Quando a publicação — com uma fotografia que tinha tirado horas antes, naquele mesmo dia — se tornou viral nas redes sociais, o museu veio dizer que tinha tomado conhecimento do "incidente" e pediu desculpa. "Lamentamos profundamente e pedimos desculpa à pessoa envolvida, com quem estamos a entrar em contacto."

O d'Orsay, entretanto, contactou pessoalmente Jeanne por telefone, tendo sido "muito compreensivo", descreveu a mulher, que adiantou que lhe foi dirigido um "pedido de desculpas muito sincero", revelou à "BBC".

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Mas a estudante sentiu que o museu poderia ter sido mais completo no pedido de desculpa público que partilhou no Twitter, uma vez que "falha no reconhecimento do acontecimento misógino e discriminatório."

O jornal francês "Libération" aponta que o museu tem regras nas quais entra a expressão "roupas decentes" e a proibição de roupas que "possam perturbar a paz", acreditando, no entanto, que o museu percebeu que não era o caso, falando-se de funcionários "excessivamente zelosos", descreve o "Le Parisien".

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