Ao segundo dia de Euro 2020, no sábado, 11 de junho, a partida entra a Dinamarca e a Finlândia marcou o campeonato de futebol pelas piores razões. Aos 43 minutos de jogo, Christian Eriksen, 29 anos, caiu inanimado no campo, vítima de uma paragem cardíaca. Os momentos que se seguiram, ao ser socorrido rapidamente pelas equipas médicas, foram vitais para salvar a vida do jogador dinamarquês que, atualmente, se encontra no hospital, estável e consciente, e já terá até falado com os colegas de equipa.

No entanto, desde o momento da queda em campo de Christian Eriksen que a realização da UEFA está no centro da polémica: a emissão não foi cortada para outros planos durante os minutos que o atleta era socorrido, sendo que quem assistia em direto conseguiu ver várias das manobras de reanimação, que não foram mais visíveis apenas porque os colegas de equipa criaram um escudo humano à volta do atleta, e até uma bandeira da equipa adversária foi cedida pelos adeptos finlandeses para proteger o jogador das câmaras. Mais: foram feitos grandes planos da namorada de Eriksen assim que esta entrou em campo, visivelmente emocionada e a receber apoio dos colegas do companheiro. Agora, o realizador da partida recusa as acusações de voyeurismo.

"Não lhe chamaria voyeurismo", disse Jean-Jacques Amsellem ao jornal francês L’Équipe, acrescentando ainda que considera necessário a captação de imagens que transmitissem as emoções vividas no estádio aquando da queda de Christian Eriksen em campo. O realizador salienta que o produtor do jogo esteve sempre em contacto com a organização do campeonato de futebol, que deu claras instruções.

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"Como podem imaginar não há um manual para este tipo de coisas. Houve um momento de câmara lenta onde o [Christian Eriksen] conseguimos ver cair de forma clara, mas eu indiquei imediatamente às minhas equipas para não se focarem nele, nem a filmarem-no mais. Com mais de 30 câmaras no estádio podíamos ter continuado a fazê-lo, mas em nenhum momento fizemos planos focados nele", afirmou Jean-Jacques Amsellem à mesma publicação. "Foi-nos dito para não fazermos close-ups, para não filmarmos massagem cardíaca, mas que não havia problema em filmar a emoção envolvente."

Dirigindo-se às várias críticas de que foi alvo ao não cortar a emissão do momento em que o jogador dinamarquês era socorrido —e que já fizeram a BBC pedir desculpas publicamente, embora o canal britânico (bem como a TVI ou qualquer outro que estivesse a transmitir o jogo em direto) não tenha qualquer poder sobre a cobertura da partida feita em estádio —, o realizador do jogo parece desvalorizar as mesmas e acrescenta que, caso fossem mostrados planos mais gerais do campo, "não mostraria a emoção".

"Durante o que se seguiu, de facto captei alguns dos dinamarqueses em lágrimas porque era necessário mostrar essa angústia. Também vemos a emoção dos finlandeses, dos fãs, mas não acho que tenhamos feito nada obscuro", salienta. "Se alguém me tivesse dito: ‘mantém-te com o grande plano’ eu tê-lo-ia feito. Mas o mais importante, francamente, é que ele está bem."

Depois de saberem que o colega de equipa já estava estabilizado, a partida foi retomada ainda no sábado, terminando com a vitória da Finlândia por 1-0 à Dinamarca.

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