Se até há bem pouco tempo o regresso a um confinamento total era posto de parte por António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, agora a história é outra. Após dois dias seguidos a registar números de infeção na casa dos dez mil casos diários (10.027 e 9.927 infetados a 6 e 7 de janeiro, respetivamente), o primeiro-ministro falou ao País esta quarta-feira, 7, alertando para a forte probabilidade de se regressar a medidas mais severas no combate à pandemia caso a tendência crescente do número de infetados se venha a verificar nos próximos dias.

"A confirmar-se a evolução [do número de casos de infeção], muito provavelmente na próxima semana teremos de adotar medidas de restrição mais elevadas, tal como tem vindo a acontecer na generalidade dos países da Europa", referiu o primeiro-ministro.

A decisão surge depois de, em Portugal, o governo de António Costa ter permitido um alívio nas medidas de combate à pandemia durante o período do Natal, enquanto os restantes países europeus as tornaram mais rígidas.

Portugal em casa, mas com escolas abertas

Caso a evolução da situação epidemiológica no País mantenha uma tendência de evolução negativa, António Costa diz que a resposta passará por medidas semelhantes àquelas que se "adotaram em março", altura do primeiro confinamento total. A única diferença, desta vez, é que as escolas continuarão abertas. Foi a essa a ressalva feita pelo primeiro-ministro nas declarações desta quinta-feira ao País, e reforçada por Marcelo Rebelo de Sousa no debate com Vitorino Silva.

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A decisão de manter as escolas abertas é apoiada em dois fatores: a importância de se manter em funcionamento o ensino presencial, mas também a confiança, por parte dos especialistas e das autoridades de saúde, de que são os alunos quem melhor obedecem às regras sanitárias e medidas de prevenção.

Além disso, são também eles quem mais estão protegidos de infeção, soube o jornal "Público" junto de uma fonte oficial do governo. Esta confiança tem ainda como base o reduzido número de infeções e de surtos originados nas escolas de todo o País.

Comércio fechado é uma forte probabilidade

Uma das características do primeiro confinamento em Portugal foi a paralisação total de todo o comércio, com a ressalva de que a restauração poderia funcionar em regime de take away — mas de portas fechadas. Para este novo confinamento, que António Costa dá como provável para a próxima semana, ainda não há certezas junto do governo sobre quais serão as medidas a serem aplicadas a estes setores, explicou uma fonte do executivo ao mesmo jornal.

No entanto, há uma possibilidade "bastante forte" de que o comércio e a restauração se voltem a ver obrigados a acatar as restrições de março ainda que o governo esteja consciente do "rombo" que tais medidas terão na economia portuguesa. Caso venham a ser tomadas, António Costa já as justificou ao País: "As medidas que temos adotado não são suficientes [para fazer face à evolução da crise sanitária]."

Numa altura em que ainda não há consenso, o governo vai, em coordenação com Marcelo Rebelo de Sousa, ouvir os especialistas e todos os partidos com assento parlamentar para que na reunião marcada para 12 de janeiro possa ser tomada uma decisão. Só nessa altura, explicou António Costa, é que será possível analisar com maior clareza qual foi o impacto do Natal no aumento do número de casos.

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"O que temos feito até agora é incidir nas medidas durante o fim de semana. Dar um passo em frente é estendê-las ao período semanal, como fizemos em março do ano passado – mas não quero antecipar medidas. E a esperança é a última coisa a morrer. Vamos manter a esperança de que os números de ontem [quarta-feira] e de hoje [quinta-feira] sejam um ajustamento e que os dados até dia 12 não confirmem o que esperamos", referiu o primeiro-ministro após a reunião do Conselho de Ministros.

Medidas em vigor no imediato

Enquanto o governo e o Presidente da República se reunem com os restantes partidos e especialistas em saúde pública, António Costa anunciou medidas que entram em vigor no imediato.

Todas as restrições que estavam em vigor vão, a partir de agora, ser aplicadas a todos os concelhos que registem mais de 240 novos casos de infeção por 100 mil habitantes. Em todos esses concelhos, a livre circulação na via pública está proibida após as 13 horas.

A exceção a esta regra aplica-se apenas a 25 concelhos e são eles: Alcoutim, Aljezur, Almeida, Arronches, Barrancos, Carrazeda de Ansiães, Castanheira de Pêra, Castelo de Vide, Coruche, Ferreira do Alentejo, Freixo de Espada à Cinta, Lagoa, Manteigas, Monchique, Odemira, Pampilhosa da Serra, Proença-a-Nova, Resende, Santiago do Cacém, Sardoal, Sernancelhe, Sines, Torre de Moncorvo, Vila de Rei e Vila do Bispo.

Além disso, passa a estar proibida a livre circulação entre concelhos. Ao contrário da medida que restringe a livre circulação na via pública a partir das 13 horas, esta abrange, sem exceções, todo o território do continente.

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