A questão que mais se coloca nos últimos dias é: como vai ser o Natal? O primeiro-ministro, António Costa, foi questionado quanto a esta incerteza no sábado, 21 de novembro, durante a conferência de imprensa em que anunciou as novas medidas do estado de emergência, mas disse apenas: "Seria muito estranho se as medidas de emergência não estivessem implementadas no Natal".

Já da parte dos especialistas, a opinião é de que não só haverá medidas, como que o Natal não terá nada que ver com o de outros anos. "Face a esta situação que se arrasta há já algum tempo, e apesar de todas as medidas já tomadas, não vai haver condições para reuniões familiares na altura natalícia", defende Francisco Antunes, professor coordenador no Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina de Lisboa, na "Sábado".

O antigo diretor do serviço de doenças infeciosas do Hospital de Santa Maria vai ainda mais longe e afirma mesmo: "Se pretendermos festejar o próximo Natal, e por próximo não me refiro a este mas ao de próximo ano, temos de esquecer o deste. Precisamos de esquecer este Natal para salvar o de 2021."

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No mesmo sentido, a passagem de ano não terá o brilho e a festa habitual, uma vez que o vírus não passa com as festividades e é motivo suficiente para agravar a situação pandémica. "Não podem haver deslocações nem festejos porque duas pessoas próximas uma da outra já representa uma situação de risco, sobretudo em lugares fechados como restaurantes, bares ou cafés, onde a utilização de máscaras é mais difícil", continua o especialista.

Enquanto Francisco Antunes é rígido quanto à análise do Natal e dê como exemplo a sua Consoada que "será passada com cautelas com a família" com que coabita, diz, o médico Jaime Nina, especialista graduado em doenças infeciosas no Hospital Egas Moniz, dá outras alternativas às famílias.

"É evidente que será um Natal muito pobre, mas use-se o Skype, o Zoom ou simplesmente o telefone para dar um beijinho à família", sugere, acrescentando que os correios serão uma boa opção para troca de prendas, de modo a evitar o contacto físico.

Devemos depositar toda a esperança na vacina?

Temos na ideia que a vacina será a solução para o fim da pandemia e até que, após os resultados da eficácia das vacinas da Pfizer e da Moderna, bem como da desenvolvida pela Universidade de Oxford, o encerrar deste capítulo está cada vez mais perto.

Contudo, os especialistas alertam. "Não basta existir, é preciso que a vacina chegue cá. Vai ser preciso planeamento. É preciso que seja distribuída e depois que a maioria da população aceite ser vacinada", afirma o infeciologista Francisco Antunes. "Por isso estas medidas chamadas não-farmacológicas, de prevenção, vão manter-se mesmo para lá das vacinas. Isto não se vai resolver apenas com as vacinas, isso posso garantir-lhe hoje", acrescenta.

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O especialista Jaime Nina também vê potencial nas vacinas e mostra-se igualmente cauteloso. "Não será o suficiente para acabar com o vírus, mas dará para acabar com a pandemia e sobrarem só alguns números residuais", afirma, prevendo que Portugal receba cerca de 16 milhões de doses, número insuficiente caso sejam necessárias duas doses por pessoa.

O Natal dos próximos anos pode, por isso, estar aliviado devido à aprovação e distribuição de vacinas, mas, para já, ambos os especialistas defendem que será apenas uma questão de tempo até o "Natal ser cancelado", com novas medidas de emergência que restrinjam a circulação e mantenham as pessoas nas suas casas, dizem à "Sábado".

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