Passaram cinco meses desde que a aplicação ‎STAYAWAY COVID, desenvolvida pelo Instituto de Engenharia de Sistemas de Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), foi lançada e até janeiro 60% dos portugueses já desinstalaram a aplicação cujo objetivo é rastrear contactos de pessoas que são diagnosticadas com COVID-19 em Portugal. Uma das principais razões para 1,8 milhões de portugueses terem desistido da aplicação é a sua ineficácia, aponta o jornal "Público".

"As pessoas estão a perder a confiança na app porque não há códigos", reconheceu o presidente do INESC TEC, José Manuel Mendonça, que lidera a equipa responsável pela ‎STAYAWAY COVID ao jornal. Estes códigos deveriam colocados pelas pessoas infetadas com o vírus na aplicação, no entanto, esquecem-se ou não sabem a quem pedir.

O mesmo acontece com os médicos que "estão mal informados sobre a forma como a app funciona e onde se encontram os códigos”, continua o presidente do Instituto. Isto porque devem ser os médicos a aceder à plataforma Trace Covid para obter um código que será então colocado pelo doentes infetados com COVID-19 na ‎STAYAWAY COVID.

Entretanto, a INESC TEC, enviou uma proposta à Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) a 20 de novembro para que os códigos fossem enviados diretamente para os telemóveis dos utilizadores. Essa atualização permitiria "diminuir o tempo de aviso aos contactos de risco, não gastar o precioso tempo dos médicos e dar resposta cabal aos muitos utilizadores da aplicação que se sentem defraudados”, revela José Manuel Mendonça. Contudo, até ao momento, o processo está parado.

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De facto, chegou a haver uma reunião da CNPD sobre a proposta, avançou a porta-voz da Comissão, Clara Guerra, mas a mesma “aguarda a submissão da avaliação de impacto para controlo prévio”, diz.

Desde setembro foram adicionados à aplicação apenas 2708 códigos (dos cerca de 11 mil emitidos) e, de acordo com os dados avançados pela INESC TEC, apenas 39% das quase três milhões de pessoas que instalaram a aplicação no telemóvel ainda a mantêm. 

Em outubro, António Costa defendeu o uso obrigatório da aplicação ‎STAYAWAY COVID, uma Proposta de Lei aprovada em Conselho de Ministros que gerou polémica e levou o primeiro-ministro dias depois a recuar com a sugestão.

A aplicação, gerida pela Direção-Geral de Saúde, não está a ter a devida eficácia em Portugal, mas noutros países da Europa já mostrou resultados. Na Suíça, onde cerca de 22% da população utiliza a SwissCovid, a aplicação ajudou a travar 30 cadeias de transmissão ativas, segundo os dados do Instituto de Epidemiologia, Bioestatística e Prevenção da Universidade de Zurique.

Viktor von Wyl, epidemiologista da Universidade de Zurique, refere que “com a app, há mais 5% de pessoas a isolarem-se", o que já permitiu evitar alguns contágios fora do agregado familiar, diz ao "Público". Também a SwissCovid teve alguns problemas no seu funcionamento, que foram resolvidos ao autorizar mais profissionais a emitirem códigos. Quanto à confiança na app, que implica acesso a dados pessoais, foi reforçada com a decisão da Suíça em oferecer um teste grátis a todas as pessoas que recebessem um alerta de contágio.

“A solução está pronta, à espera que o SPMS envie o estudo de impacto à CNPD”, diz o presidente do INESC TEC.

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