Os professores tiveram que adaptar a forma de ensinar à distância que a pandemia exige. Por computador, com vídeos e turmas online, o ensino mudou e vai agora sofrer mais uma alteração, esta numa espécie de regresso ao passado.

Segundo adiantou o jornal “Público”, o governo estará a trabalhar com a RTP para colocar aulas em TDT (Televisão Digital Terrestre), que é gratuita, para que todos os estudantes tenham acesso. As aulas deverão ser retomadas a 13 de abril e esta medida visa apenas alunos até ao 9.º ano. Os alunos do 10.º, 11.º e 12.º anos devem conhecer as medidas específicas para os seus regimes na próxima semana.

Esta medida junta a RTP ao Ministério da Educação. Por um lado, será a estação pública que ficará encarregada do pessoal criativo e técnico para colocar o projeto de pé. Por outro lado, os conteúdos passados na televisão serão da responsabilidade exclusiva do ministério. Já o tempo diário de emissão, o local de gravação e como será feita a divisão dos vários níveis de ensino ainda são questão que não estão definidas, avança o mesmo jornal. Ainda assim, os responsáveis estão a ter em conta a sobreposição de matérias e escolaridades para uma família que tenha mais do que um filho.

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O nome e o modelo serão diferentes, mas a ideia parece ser semelhante àquela instituída em 1965 para ajudar os alunos das regiões do interior, a telescola.

Vamos voltar à telescola. Ainda se lembra como era?

A Telescola arrancou a 6 de janeiro 1965 com um intuito: ajudar as crianças a aprender à distância, através da televisão, para os casos em que não conseguiam ir à escola. Esta medida ajudou principalmente as crianças do interior e aqueles que, por variadas razões, não conseguiam estar regularmente nas aulas presenciais. Para além disso, as lições também eram vistas para complementar o ensino regular ou para ajudar a completar exames externos com vista a completar os graus de ensino.

Se agora a medida é aplicada a todos os estudantes até ao 9.º ano, na altura havia apenas dois graus de ensino, o 5.º e 6.º anos. E porquê apenas dois anos? De modo a permitir o cumprimenta da escolaridade obrigatória, que contemplava quatro anos de escola primária e dois anos no ciclo preparatório (agora, o 5.º e 6.º anos).

As aulas eram seguidas pela televisão pelos alunos e posteriormente eram completadas em contexto de sala de aula pelos professores. Durante as lições exibidas na televisão, os alunos eram acompanhados normalmente por dois professores, um de ciências e outro de letras. Para complementar o que estava a ser dito na televisão, existiam também livros adaptados às emissões que tinham sido previamente entregues gratuitamente.

A Telescola era exibida nos dias úteis, das 14 às 19 horas – numa altura em que havia apenas mil crianças matriculadas na escola, mas onde toda a população tinha acesso à televisão. A última emissão da Telescola foi em 1987, mas as aulas pela televisão continuaram até 2000, uma vez que os vídeos eram enviados diretamente para as escolas.

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