Considerada um tesouro nacional no Reino Unido, Miriam Margolyes é uma atriz lésbica de 82 anos, que integrou filmes como “A Idade da Inocência” e a saga Harry Potter. Agora, recebe adoração na internet como capa da próxima edição da "Vogue" britânica, num mês em que se celebra o Orgulho LGBTQ+.

Miriam aparece nua na capa da "Vogue", rodeada de bolos que lhe cobrem o peito. Esta fotografia é uma referência às famosas "Calendar Girls", um grupo de mulheres que posaram para um calendário para arrecadar fundos para um hospital e acabaram por se tornar num fenómeno mundial.

Com fotografias de Tim Walker e Kate Phelan no guarda-roupa, esta edição surge no seguimento do mês do Orgulho LGBTQ+, sendo que inclui o que a "Vogue" designou por 17 pioneiras da comunidade, com idades entre 19 e 90 anos. Em cada página estão impressas as histórias, descobertas e desafios de cada personalidade, enquanto celebridades queer.

Assim, a capa desdobra-se para Miriam Margolyes a partilhar com Janelle Monáe (cantora e atriz) e Rina Sawayama (cantora e compositora). No interior da revista, abundam talentos como a modelo Mona Tougaard e as novas caras de streaming Emma D'Arcy, Bella Ramsey e Ncuti Gatwa. Pode saber mais detalhes sobre a edição aqui.

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Com a entrevista à "Vogue", os admiradores de Miriam ficam até a saber como a atriz se vê. “Acho que o meu rosto é gentil, acolhedor, aberto e sorridente. Mas eu odeio o meu corpo. Eu odeio mamas grandes [e eu tenho] ​​uma barriga caída, perninhas tortas. Não estou entusiasmada com isso. Mas aproveitamos o melhor disso. Tem de ser.”

 "Os gays têm muita sorte, porque não somos convencionais, somos um grupo ligeiramente à parte"

Miriam Margolyes interpretou Granny em “A Idade da Inocência”, de Martin Scorsese, e Victoria em “Blackadder” e deu voz ao cão pastor em “Um Porquinho Chamado Babe”. Para além de se manter “interessante”, como diz em entrevista à "Vogue", por participar em talk-shows e documentários, a atriz também continua a ser reconhecida na rua pelo seu papel de professora Sprout nos filmes de Harry Potter, apesar de esta ser uma personagem que admite não ser tão importante para si como é para os fãs da saga.

Com o seu primeiro livro, “This Much is True”, a atingir as três milhões de cópias vendidas, Miriam Margolyes revelou que já está a caminho de publicar o segundo. Chama-se “Oh Miriam! Stories from an Extraordinary Life” e, nas palavras da própria autora, promete novas revelações e pedaços da sua vida, incluindo as suas experiências enquanto mulher lésbica. A publicação está prevista para setembro de 2023.

Margolyes assumiu ser gay em 1966, uma época em que a homossexualidade era ilegal. A atriz viveu a crise do VIH na década de 1980, durante a qual perdeu 34 amigos, lê-se no “The Guardian”. Mantém uma relação com a académica Heather Sutherland há 54 anos.

“Nunca tive vergonha de ser gay”, afirmou em entrevista à "Vogue britânica". “Eu sabia que não era algo criminoso porque era eu. Eu não poderia ser criminosa”, explica. “Acho que os gays têm muita sorte, porque não somos convencionais, somos um grupo ligeiramente à parte. Isso dá-nos uma vantagem”.

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A atriz britânica sempre mostrou vontade de abordar temas que, para muitos, podem ser tabu. Sexo, dinheiro, nudez e até inseguranças com o próprio corpo – são alguns dos tópicos que ganham vida na voz de Miriam Margolyes, quer seja em entrevistas, programas de televisão ou até nos seus livros.

De onde vem esta irreverência? A atriz atribui algum crédito à mãe. Criada numa família judia bastante unida, em Oxford, uma das primeiras lembranças de Miriam é da sua mãe a fazer tarefas domésticas em casa, nua. Já o pai, “não era excêntrico de forma alguma”, mas sim “profundamente convencional”.

A atriz revelou ainda que está prestes a passar por uma cirurgia para colocar um stent no coração, mas assegura: “não estou apavorada”. Miriam Margolyes garante que, embora pense nesta situação e esteja cada vez mais ciente da passagem do tempo, continua aberta a novas experiências.

Espreite a sessão fotográfica.

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