Há as vegetarianas, há a de Coimbra que leva ovo escalfado e a que em vez do tradicional molho leva um outro caseiro, feito de cajun. Fica a dúvida sobre se Daniel David Silva, criador da francesinha, gostaria de ver o que tem sido feito com a receita original, mas é assim mesmo que a cozinha funciona: de novas criações. E uma delas está no restaurante Giosário, em Loures, que criou um conceito que junta Portugal e Itália: a francesanha.

"É nada mais nada menos do que uma lasanha, como se fosse uma lasanha bolonhesa com sete folhas de massa fresca, intercaladas com ingredientes da francesinha e o molho clássico que aprendi a fazer na minha passagem por restaurantes portuenses", explica à MAGG Giorgio Damasio, que abriu o restaurante com a mulher Rosário, em 20218.

Giorgio e Rosário
Giorgio e Rosário créditos: giosario

Os ingredientes da francesinha de que Giorgio fala são todos os tradicionais, à exceção do bife. A francesanha leva então salsicha Frankfurt, salsicha de porco, linguiça, fiambre e queijo, e molho especial à moda do Porto. "Tem vários segredos. Tem as aparas dos enchidos, cebola, louro, cerveja preta, vinho do Porto, aguardente, molho de tomate e natas. É um molho que leva quase um dia a ser feito", revela o co-responsável do Giosário.

O nome do restaurante foi fácil de escolher, resulta da fusão entre Giorgio e Rosário, assim como a oferta na ementa. Isto porque Giorgio Damasio é genovês, região de Itália, e Rosário é portuguesa. E se em casamento uniram as duas nacionalidades — após terem-se conhecido na cozinha do hotel Olissippo Lapa Palace, em Lisboa  —, porque não uni-las também num restaurante?

"Decidimos fazer uma fusão de ambas as gastronomias, portuguesa e italiana, e inventar alguns pratos diferentes com as duas cozinhas e até brincar um bocado com os nomes. Daí nasce a francesanha", conta o chef formado em Ciências Políticas e mais tarde em cozinha, que veio para Portugal em 2000 para trabalhar no Ritz Madeira, no Funchal.

Antes de abrir o próprio restaurante, em conjunto com a mulher, Giorgio passou ainda por restaurantes do chef Jamie Oliver, pelo grupo Mercantina e por outros restaurantes no Porto de onde trouxe o conhecimento sobre o prato mais famoso da cidade.

Uma vez com um projeto próprio nas mãos, Giorgio e Rosário deram asas à liberdade e, além da francesanha, criaram outros conceitos fora do comum. 

"O chocoto, que é risotto com tinta de choco" é um deles e em breve vai voltar à carta, assim como a patanesca — "pataniscas de bacalhau servidas com um risotto à putanesca, uma receita clássica italiana que leva todos os ingredientes que os meninos que trabalhavam de noite, no regresso, cansados do trabalho, usavam para fazer uma refeição com tudo o que havia no frigorífico". "E assim nasceu a patanesca", conta Giorgio.

Já residentes na carta são, além da francesanha que ninguém estranha e "tem sido um fenómeno", as pizzas e o panzeroto (7,50€). "É um clássico da cozinha do sul de Itália e basicamente é uma pizza frita, como se fosse um calzone, normalmente recheado com mozarella e tomate, mas no nosso caso leva o nosso molho de pesto, tomate e salame picante", explica Giorgio. No caso das pizzas, feitas num forno a lenha, entre elas está a lusitana (10€), que junta a massa de pizza italiana com pimentos assados, cebola e chouriço, e a açoriana (11€), com queijo da ilha, azeitonas, bacalhau, coentros e tomates assados.

As sobremesas não escapam à junção das gastronomias e a mais vendida é o farófiamisù."É a fusão de farófias portuguesas com o molho de tiramiù, ou seja, a gemada e o mascarpone. É o nosso best seller", afirma o chef.

Giosário

Localização: Parque Adão Barata, Piso 1, Loja N, 2670-331 Loures
Reservas: 21 584 4671
Horário: de quarta-feira a sábado das 12h às 15h e das 19h às 22h; terça-feira e domingo das 12h às 15h

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