Antes de mais, cara leitora (e caro leitor), permita-me que me apresente. Chamo-me Raquel Costa, sou jornalista e, de há quase duas semanas a esta parte, diretora executiva da MAGG. Agora que nos conhecemos, vamos ao que interessa.

Estamos em plena silly season. Uma silly season diferente, menos silly do que em anos anteriores, mais preocupante, em tudo atípica. A estafada expressão “novo normal” estendeu-se às praias, aos hotéis, aos tão procurados montes com infinity pools, às praias fluviais, aos refúgios serranos onde se desconfina longe de multidões mas também aos transportes públicos, aos supermercados, às lojas, à vida nas cidades, nas vilas. Em suma, à nossa vida.

Vida essa que, durante os meses em que esteve suspensa, voltou a ter uma companheira, devido ao rebuliço do dia a dia pré-pandemia, às plataformas de streaming e aos dispositivos móveis, que tinha tomado um lugar secundário nas nossas casas: falamos aqui da boa e velha televisão.

Enquanto estivemos confinados, voltámos, de uma forma ou de outra, a ter contacto com a televisão generalista, ainda que esse contacto fosse apenas para acompanhar os noticiários. Mas — e peso o facto de não ter havido grande reflexão sobre o tema — públicos mais jovens viram, muitos pela primeira vez, conteúdos de televisão linear.

Refiro-me em particular às novelas da SIC e da TVI. Quem esteve atento ao Twitter durante os meses de março e abril facilmente terá percebido como Nazaré (Carolina Loureiro, protagonista da novela da SIC com o mesmo nome) e Vitória (Sara Barradas, estrela principal da novela da TVI "Quer o Destino"), se tornaram tema de conversa nessa rede social para onde fogem os mais novos, escapando aos olhares curiosos dos pais que andam mais pelo Facebook.

carolina loureiro sara barradas
Sara Barradas e Carolina Loureiro créditos: Instagram

E, claro, o "BB2020". A nova edição do reality show, que começou timidamente na versão "BBZoom", captou a atenção de um público que, ou nunca tinha visto um reality show num canal generalista, ou tinha uma memória muito vaga de algumas personagens mais icónicas das várias edições da "Casa dos Segredos" (é só ir ao TikTok e ver os vídeos com frases emblemáticas de Fanny, Sofia Sousa, Cátia Palhinha ou Bernardina Brito).

E assim chegámos ao Verão mais bizarro das nossas vidas com duas certezas: em Agosto não se passa nada na televisão e, em Setembro, há sempre novidades. Olhamos para as grelhas dos canais generalistas durante este mês de pousio veranil e o que vemos são os maratonistas do daytime e novelas repetidas. Um esforço de contenção para o que aí vem.

E o que aí vai ser bom.

Setembro é o mês dos regressos: do regresso às aulas, ao trabalho, do regresso das rainhas da televisão. O mais ansiado, claro, o de Cristina Ferreira aos ecrãs da TVI. Não perorarei sobre a transferência da apresentadora da SIC para a TVI porque tudo já foi escrito, opinado, teorizado.

Aponto apenas factos: Cristina Ferreira é a mais cara transferência de sempre da televisão portuguesa. A sua mudança para SIC, em 2018, também foi cara (só superada, comparativamente, pela transferência de Herman José da RTP para a SIC, em 1999). E foi lucrativa para a estação de Paço de Arcos. Cristina quis regressar a Queluz de Baixo e fê-lo, pelo preço que ambas as partes entenderam. É assim que funciona o mercado.

Cristina ferreira
cristina ferreira

O que irá fazer na TVI? Regressará ao daytime, lado a lado com Manuel Luís Goucha? Irá conduzir um programa em prime time, a solo? Irá surpreender o telespectador com um ou dois formatos inesperados? A meio de agosto, tudo é arte de adivinhação. O certo é que, tal como tem feito na última década (e, em particular nos últimos sete anos, período em que começou a deixar de ser apenas uma figura da televisão para passar a ser uma marca), vai surpreender.

Setembro é também o mês de outro regresso: o de Teresa Guilherme. Num país e, em particular, num meio em que as rugas não são tidas em consideração, em que beleza e juventude muitas vezes são mais consideradas do que experiência, o regresso da decana à televisão, aos 65 anos, é de elogiar. O título de rainha dos reality shows ninguém roubará a Teresa Guilherme.

Mas fica a dúvida: conseguirá Teresa adaptar-se ao novo paradigma criado por "BB2020"? Conseguirá a Teresa Guilherme dos bate-bocas, dos ‘recipecientes’, dos senhores Fernandos e das Cátias Palhinhas, conduzir um "Big Brother" woke? Isso agora não interessa nada mas, em setembro, interessará. Não tenho a menor dúvida de que a estreia de "Big Brother - A Revolução", vai ser estrondosa. Vai saciar a fome dos saudosos dos reality shows ‘do antigamente’, vai matar a curiosidade dos que nunca viram Teresa em ação. Se terá um efeito duradouro, só as audiências o dirão.

20 anos do percurso de Teresa Guilherme
"Big Brother VIP", 2013 créditos: YouTube/Facebook

E, por fim, mas não menos importante, Filomena Cautela. Ainda não é certo o que irá Mena fazer, finda a maratona de quase quatro anos de "5 Para a Meia-Noite". A apresentadora conseguiu um duplo feito que não está ao alcance de qualquer um: reabilitou um programa que estava moribundo e condenado a desaparecer. Graças a Filomena Cautela, o 5 voltou a ser cool e tornou-se cool ir ao 5.

No meio disto tudo, Mena tornou-se uma espécie de mascote dos fãs da Eurovisão (foi uma das quatro anfitriãs da fase final do certame, em maio de 2018, o único realizado em Portugal), conduziu a solo "Jogo de Todos os Jogos" e está em antena com "Quem Quer Ser Milionário - Alta Pressão" e também, ao lado de Vasco Palmeirim, naquele que é um dos mais bem conseguidos e divertidos concursos da TV portuguesa dos últimos tempos, "I Love Portugal".

Estudo diz quem são os homens e mulheres preferidos da TV em Portugal
2.º — Filomena Cautela

Nem toda a gente tem a capacidade de se adaptar e reinventar. Filomena Cautela fê-lo, ao longo de 15 anos, passando da representação para a apresentação, de registos mais sérios para outros mais divertidos, sempre em crescendo e com uma base de fãs que pode não ser enorme mas é devota e fiel.

O nome de Filomena tem sido, amiúde apontado como uma possível contratação, quer da SIC quer da TVI. Com a casa cheia em Queluz de Baixo, esta é uma hipótese pouco provável. E, em Paço de Arcos, o espaço que poderia ocupar seria no daytime. Um faixa horária que não deverá ser particularmente sedutora para Filomena. Mas nunca se sabe.

Setembro é o mês dos começos, é o mês da rentrée. Política, social, televisiva. É o mês em que ficamos a conhecer que programas nos vão acompanhar quando as noites começarem a ficar mais frias e os dias mais curtos. Setembro é um mês entusiasmante e não é por acaso que é o meu mês favorito. Que venha Setembro que queremos ter muitas novidades sobre as quais escrever!

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