Enquanto os países do resto do mundo lutam para combater o COVID-19, com hospitais cheios e linhas médicas de apoio sem capacidade de resposta, a Islândia está a fazer as coisas de maneira diferente. E esta abordagem islandesa pode ter um impacto bem maior na nossa compreensão do vírus.

A Islândia tem aproximadamente de 364 mil habitantes e está a realizar testes em larga escala em toda a população, tenha ou não sintomas da doença, esteja ou não num grupo de risco. O objetivo destes rastreios é testar o país inteiro e identificar todos os casos, para os isolar e tratar. Ou seja, a Islândia tem mais casos porque faz mais testes do que todos os outros, mas assim consegue controlar mais eficazmente os infetados e isolá-los, impedindo que passem o vírus a não infetados. Segundo o governo islandês, foi testada uma maior proporção dos seus cidadãos do que em qualquer outro país.

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"A população da Islândia coloca-se na posição única de ter recursos de testes muito altos com a ajuda da empresa de pesquisa médica islandesa DeCode Genetics, que se oferece para realizar testes em alta escala", explicou Thorolfur Guðnason, epidemiologista chefe na Islândia, em declarações ao "BuzzFeed News". Todo este esforço é para se obter informações sobre a  verdadeira predominância do vírus na população.

Já foram testadas 3.787 pessoas e dessas 250 testaram positivo até ao momento e pelo menos metade (cerca de 90) contraiu o vírus enquanto viajava para fora do país, especialmente em áreas de risco, como os Alpes. Estes números incluem os primeiros testes voluntários em pessoas sem sintomas, que foram iniciados na passada sexta-feira. Foram inicialmente testadas 1800 pessoas e apenas 19 foram dadas como positivas.

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Contudo, é improvável que estes testes em massa adotados pela Islândia sejam viáveis em países maiores, sem capacidade de analisar tantos testes.

Em Itália ou Espanha há menos casos por milhão de habitantes mas porque testam apenas em pessoas com sintomas. Aliás, nestes países haverá muitos mais casos porque há infetados que não apresentam sintomas e contaminam os outros sem saber. Na Islândia, uma grande percentagem dos que testaram positivo não apresentavam qualquer sintoma ou apenas sintomas leves, embora esses contribuam para a transmissão da doença em grandes números.

Em Vò, Itália, uma das comunidades onde o surto surgiu, os 3300 habitantes foram testados, dos quais 3% testaram como positivo, destes, a maioria não apresentou sintomas. Após o isolamento social de duas semanas, os investigadores descobriram que a transmissão foi reduzida em 90% e todos os que ainda eram positivos não apresentavam sintomas e deveriam continuar em quarentena.

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Um estudo publicado na passada segunda-feira na revista "Sciense" revelou que, para cada caso confirmado do COVID-19, muito provavelmente há cinco a dez pessoas infetadas, mas não detetadas, na comunidade. Segundo cientistas, que basearam o seu modelo em dados da China, esses casos mais leves estão por detrás de praticamente 80% dos novos casos.

O foco da Islândia é proteger as pessoas mais vulneráveis de contrair o vírus, enquanto tentam garantir que a disseminação geral do vírus permaneça lenta.

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