As alterações no acompanhamento médico das grávidas e as novas regras dos partos, face à pandemia causada pela COVID-19, têm suscitado muita polémica. Primeiro foi o impedimento de os pais assistirem aos partos, a limitação das visitas, bem como a sugestão da suspensão da ecografia do terceiro trimestre. Agora, surge o alerta de que há partos a serem induzidos ou encaminhados para cesariana sem indicação médica.

O aviso veio da parte da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto (APDMGP), que enviou uma carta à Direção-Geral da Saúde (DGS) na quinta-feira, 23 de abril, alertando para os vários relatos que tem recebido sobre esta situação.

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“Sabemos, concretamente, que há inúmeras instituições de saúde em que está a ser imposto às grávidas a realização do teste do novo coronavírus às 39 semanas de gestação e, caso seja positivo, estas são encaminhadas para outro hospital“, refere a associação, como escreve o "Observador", citando o documento obtido pela Agência Lusa.

Quando as grávidas acusam negativo para a COVID-19, a carta da APDMGP refere que “é proposta a indução do parto para o dia seguinte, mesmo sem outras razões médicas que justifiquem a antecipação do parto”, sendo esta uma prática que não é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), nem "está isenta de riscos para a mãe e para o bebé".

A associação refere ainda que não há razão para esta medida estar a ser aplicada "de forma indiscriminada em tantas instituições de saúde", avançando que a cultura de agendamento de partos aumentou com o período que atravessamos — e o mesmo aplica-se às cesarianas. Segundo a APDMGP, estas cirurgias "estão a ser agendadas de forma rotineira para as grávidas que testam positivo, nomeadamente nos hospitais da Guarda, de Vila Franca de Xira e de Évora".

“Uma indução no momento errado pode levar dias e o mais provável é que termine em cesariana”, refere Sandra Oliveira à Agência Lusa, citada pelo "Observador", que assume que existem hospitais a afirmar que as induções são necessárias, após um teste negativo, para garantir a não contaminação.

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A autora do livro "Nascer Saudável" defende também que, "se os profissionais de saúde estão protegidos com equipamentos de proteção individual e as grávidas nem têm uma incidência maior de infeção que a restante população, é um atentado à saúde das mulheres e bebés".

Referindo-se aos partos induzidos, também Diogo Ayres de Campos, o secretário-geral da Federação das Sociedades Portuguesas de Obstetrícia e Ginecologia, afirmou que se corre "algum risco adicional", mesmo quando as induções de trabalho de parto ocorrem às 39 semanas. "São partos mais prolongados, mais dolorosos e têm um risco acrescido em relação ao bebé", diz o ginecologista à Agência Lusa, citada pelo "Observador", que não encontra um motivo que justifique esta ação por parte dos hospitais.

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