Estamos em pleno século XXI, mas parece que falar sobre saúde íntima e prazer sexual ainda continua a ser tabu na sociedade — principalmente quando se trata do prazer das mulheres. Carmo Gê Pereira é educadora e formadora sexual e trabalha desde 2008 temas ligados à sexualidade e ao prazer, entre eles, a arte do pompoarismo.

Apesar de esta ser uma técnica bastante antiga e praticada em vários países, são várias as pessoas que nunca ouviram falar do pompoarismo nem dos benefícios que podemos atingir em termos de saúde ao praticá-lo. Sabia que, para além de aumentar o prazer  sexual, esta técnica pode ainda prevenir problemas de incontinência urinária ou ajudar as mulheres na preparação para o parto? De que forma? Carmo explica que as pessoas gestantes vão para o período expulsivo do parto já com uma consciência dos movimentos, o que não quer dizer que o pompoarismo deva ser praticado nessa altura. Deve sim ir sendo praticado ao longo da vida e com acompanhamento.

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O facto do pompoarismo trabalhar os músculos do pavimento pélvico permite, segundo Carmo, aprender a relaxar e contrair esta parte do nosso corpo "que é um patamar ao qual ainda não se chegou". "Conectarmo-nos com esta parte do corpo, que é uma parte genital interna, muitas vezes esquecida, permite uma maior consciência de prazer nas práticas sexuais."

A especialista em educação sexual faz ainda questão de referir que esta é uma técnica que pode, e deve, ser praticada por todas as pessoas com vagina: "mulheres, pessoas não binárias, para homens transexuais que estejam, por exemplo, a fazer toma de testosterona e começam a ter atrofia vaginal também é maravilhoso."

Para além de ser uma técnica que dá mais prazer a quem a pratica, ela permite ainda transportar esse prazer para a respetiva pessoa parceira sexual pois o facto de termos uma maior capacidade de relaxar e contrair estes músculos da vagina faz com que tenhamos também uma maior capacidade de agarrar, sentir e mexer. "Acaba por haver uma nova linguagem com o parceiro sexual e o ato poderá ser também mais prazeroso para esse parceiro", afirma Carmo Pereira.

"Isto ainda é efetivamente um tabu"

A especialista refere que o que ainda acontece com frequência é as mulheres não se conhecerem a esse nível. Segundo Carmo, só recentemente é que as pessoas começaram a falar realmente sobre a carga genital que se encontra na vagina e sobre o que é o clitóris. "Pela primeira vez começa-se a distinguir o que é o canal vaginal e a vagina e o que é a vulva, mas ainda há imensas conceções erróneas e mitos quanto a este assunto. Isto ainda é efetivamente um tabu", afirma referindo que estas conceções e tabus são muito influenciadas pelo meio que nos rodeia e pela sociedade. "Há toda uma história de vergonha e de imposição de restrições e falta de conhecimento. Ainda se encara a vulva e a vagina como lugares sujos."

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Carmo percebeu que queria ajudar as pessoas a livrarem-se destes tabus e nos workshops que realiza, para além do pompoarismo, trabalha ainda o autoerotismo, conhecimento e prazer "para a relação com a masturbação em pessoas com vulva. Ajudá-las a perceber o que é o clitóris, os lábios internos e externos."

"Tudo isto são coisas ainda necessárias de aprender porque não estão inscritas na aprendizagem a que temos acesso, nem a nível social, nem entre pares, nem entre familiares. E enquanto assim não for, é preciso haver pessoas que trabalham com adultos para lhes ensinar estas coisas."

Apesar de acreditar que as redes sociais vieram contribuir para que se falasse mais abertamente sobre este tipo de temas, afirma que há muitos jovens que ainda não o fazem. O trabalho que desenvolve direciona-se para qualquer idade e, muitas vezes, já chegou a ter grupos em que a pessoa mais nova tinha 20 anos e a mais velha 70. Quanto ao pompoarismo, afirma que o feedback dado pelas pessoas que o praticam é bastante positivo, uma vez que estas sentem melhorias a nível de saúde bem como de aumento de prazer.

Como se pratica esta técnica e qual a importância da higiene adequada à zona íntima?

Carmo explica que o primeiro passo consiste em aprendermos a relaxar e a contrair os músculos, realizando ao mesmo tempo respirações profundas. Estes exercícios de contração e relaxamento podem ser feitos sem ou com acessórios. Se optarmos pelos exercícios com acessórios, os indicados são as bolas ben wa, também conhecidas por bolas tailandesas, ou "um vibrador com determinado diâmetro e grau de dureza para haver a contração" e para que se perceba qual o músculo que está a fazer essa contração. Contudo, Carmo alerta que estes exercícios com acessório só devem ser feitos com indicação uma vez que o mercado dos brinquedos sexuais é vasto e nem sempre seguro.

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Para além destes aspetos, a especialista refere ainda que a prática do pompoarismo ajuda a manter a flora saudável. "Eu acho que é importante haver aqui uma explicação de que não deve haver obsessões nas limpezas e devemos perceber que a vagina é um órgão que, nas suas condições saudáveis, faz uma auto limpeza."

Contudo, Carmo aconselha a que, quando se trata da parte externa da vagina, deve sim ser feita uma limpeza e nesse sentido recomenda marcas que respeitem o pH, como, por exemplo, a Cumlaude Lab (marca sobre a qual a MAGG já lhe falou, saiba mais aqui). Esta marca tem como missão cuidar do bem-estar íntimo de uma forma holística e ainda educar e consciencializar as pessoas para a importância dos cuidados diários.

"Uma higiene e cuidado adequados à zona íntima, em cada etapa da vida, são fundamentais para o não aparecimento de afeções vaginais. Estas são extremamente frequentes, seis vezes superior à frequência de uma constipação. Assim, a prevenção é a palavra chave", explica à MAGG Joana Sousa, farmacêutica e responsável pela comunicação da Cumlaude em Portugal.

Quanto à prática do pompoarismo, Carmo faz ainda questão de alertar para o facto de esta não dever ser forçada, daí a importância de ser feita com acompanhamento. "As pessoas devem perceber que cada corpo tem o seu tempo e há que perceber quais são os sinais que o nosso corpo nos dá para ir continuando, aumentando ou diminuindo a prática", remata a especialista em educação sexual.

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