Os números não batem certo, se a lógica é de mudança. E que à medida que as alterações climáticas aumentam, números sobre a reciclagem mostram que esta é uma prática que tem vindo a diminuir desde 2015, principalmente quanto às embalagens de plástico. Se nesta data a percentagem de plástico reciclado no nosso País correspondia a 43%, de acordo com os últimos dados da associação ambientalista Zero, de 2018, a taxa ficou nos 12%.

O que é que isto significa? Que apenas 72 mil toneladas de um total de 600 mil utilizadas em Portugal foram recicladas, de acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente.

São números preocupantes, mas que podem mudar até 2025, uma vez que Portugal tem a agora um incentivo: o facto de Lisboa ter sido distinguida como Capital Verde Europeia 2020. Por isso, se a capital pode ser mais verde, todo o País também pode tentar.

Dispositivo para limpar oceano recolhe plástico pela primeira vez
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Para isso já estão em curso várias mediadas. Uma delas é uma listagem de todos os plásticos de uso único problemáticos ou desnecessários, junta-se a tentativa de tornar todas as embalagens reutilizáveis ou comportáveis, usar 30% do plástico reutilizado na produção de novos produtos e ainda aumentar o número de embalagens recicladas.

E este aumento implica um esforço enorme. Isto porque a meta até 2025 é que 70% das embalagens sejam efetivamente recicladas, o que corresponde ao dobro do número atual. O esforço terá então de ser não só do Ministério do Ambiente e da Ação Climática, que prevê implementar as medidas, como também dos "indiferentes".

"Dos que querem palhinha. E saquinho. E descartavelzinho", ou no fundo, "dos que reciclam desculpas e mais coisa nenhuma", tal como diz a carta Lisboa Capital Europeia Verde 2020 aos indiferentes, cujo objetivo é altertar-lhes os hábitos para a mudança.

Mas há mais medidas: a Associação Smart Waste Portugal, cujo objetivo é potenciar os resíduos como um recurso, criou um grupo de trabalho dedicado aos resíduos plásticos que entra em vigor depois da assinatura esta terça-feira, 4 de fevereiro, na sede da EDP, do primeiro Pacto Português para os Plásticos.

Este pacto não é novidade no mundo, já foi aplicado em países como o Reino Unido e a França, mas é uma estreia em Portugal e o primeiro mundialmente a envolver municípios, como é o caso de Cascais e Póvoa do Varzim, universidades, empresas e outros parceiros internacionais.

"Conta com a participação da fileira completa, da produção à reciclagem, e nasceu da constatação que todos vamos tendo da crescente problemática dos plásticos. Tínhamos de fazer alguma coisa”, revela Aires Pereira, presidente da SmartWaste Portugal, ao "Capital Verde", do ECO.

Mas afinal para que serve este pacto? O objetivo principal é simples: reduzir os plásticos de uso único. Para isso várias marcas conhecidas precisamente por este tipo de embalagens vão estar a trabalhar para o objetivo do Pacto Português para os Plásticos. É o caso da Coca Cola, Delta Cafés, Nestlé e cadeias de supermercado como a Jerónimo Martins, Lidl Sonae.

É precisamente nestes setores, onde se dá inicio ao processo que leva ao produto final, que o pacto vai incidir de forma mais vincada: "Temos de começar a mudança pelo início da fileira e pela criação de novas embalagens que não fiquem contaminadas e possam ser devolvidas para reutilização no final do seu tempo de vida“, explica ao mesmo site o presidente da SmartWaste Portugal.

Apesar de em 2019 a Sociedade Ponto Verde ter registado um aumento de 11% na reciclagem de embalagens da recolha seletiva, mostrando já alguma progressão nos números desde 2015, Susana Fonseca, da área dos resíduos da associação ambientalista Zero, deixa o alerta num comunicado enviado à Lusa: “Isto não pode parar no plástico, temos que atacar tudo o que é descartável”, o que significa que a alternativa não é acabar com o plástico, mas com todos os materiais de utilização única.

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