Interrompa-nos se isto lhe parecer familiar: pessoa X tenta ligar a pessoa Y, mas a chamada dura apenas três ou quatro toques até que pessoa Y decide retribuir com o botão vermelho da rejeição. De repente, uma chamada que nunca chegou a ser e que obriga a uma conversa por escrito porque pessoa Y acredita que qualquer assunto pode e deve ser discutido por escrito. Caso se identifique com pessoa X, aquela que prefere ligar em vez de enviar mensagem, vai gostar de saber que há agora uma nova rede social a ganhar vida por esta internet fora e que assenta exclusivamente na comunicação por voz. O mais irónico? É provável que encontre por lá algumas das pessoas Y da sua vida.

Falamos da Clubhouse, a nova rede social em formato de app que funciona à base de salas de conversação nas quais qualquer utilizador registado pode entrar. Nessas salas, cujos temas de discussão podem ser estáticos ou dinâmicos, a única forma de comunicação é a voz — numa altura em que cada vez mais nos habituamos a enviar clipes de áudio do WhatsApp.

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A dimensão da comunidade da Clubhouse pode começar a ser comparada à do LinkedIn, na medida em que já é possível encontrar por lá figuras internacionais ligadas a várias áreas profissionais — dor humor e da comunicação ao jornalismo e à engenharia, por exemplo.

E, só na última semana, foram várias as personalidades portugueses a juntar-se: Rui Maria Pêgo, Raquel Strada, Nuno Markl, Iva Domingues, Rita Ferro Alvim, Maria Botelho Moniz, Joana Gama e até Diana Melchior.

Afinal, o que explica a popularidade?

Ainda que a plataforma tenha sido lançada em 2020, só agora começou a expandir o seu leque de utilizadores em todo o mundo. Uma das explicações para o falatório repentino envolve o nome de Elon Musk, CEO da Tesla, que esteve, no início de fevereiro, numa da salas da rede social a conversar com os utilizadores que se quisessem juntar a ele.

O acesso imediato e simplificado a personalidades de renome é, talvez um dos fatores que distingue a Clubhouse das restantes redes sociais. Prova disso foi o facto de, nessa mesma conversa, ter sido alcançada a lotação máxima de 5 mil pessoas por sala quando Vlad Tenev, um dos fundadores da app usada para fazer os grandes de Wall Street perderem milhões de dólares, foi entrevistado por Musk.

Depois de Elon Musk, também Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook, foi visto numa das salas da Clubhouse à conversa com utilizadores. Assim como o rapper Drake ou o humorista Kevin Hart. Em poucos dias, a aplicação começou a ganhar tração.

Mas outra das explicações possíveis é o medo de ficar de fora que a, para já, exclusividade de acesso promove.

Como posso aceder?

É que para poder entrar na Clubhouse, há dois requisitos: ter a sorte de já ter algum amigo a usar a rede social que o possa convidar para lá, uma vez que o acesso ainda é restrito, e ter um iPhone. Nesta fase inicial, a única aplicação disponível é para dispositivos iOS, excluindo todos os telemóveis Android.

Caso tenha um iPhone e ande à procura de um convite, basta instalar a aplicação oficial para iPhone e registar-se para ser posto numa espécie de lista de espera arbitrária. Pode ou não demorar muito tempo a receber o convite, mas será alertado assim que tiver acesso ao serviço.

Por norma, uma pessoa já registado tem direito a um convite para partilhar, mas a empresa diz que à medida que a atividade de um utilizador for aumentado (através da criação ou participação em salas de conversação), os convites para oferecer vão sendo mais.

Ok, mas só há chat por voz?

Uma vez com acesso à Clubhouse, vai poder escolher os seus interesses (como televisão, comunicação, marketing, entre outros) para que o sistema lhe mostre grupos e salas de conversação adequadas ao seu perfil.

Clubhouse. A nova e popular rede social onde está até quem não gosta de falar ao telefone
créditos: MAGG

Se tiver amigos a usar a rede social, também tem a oportunidade de os seguir para que possa, a qualquer momento, entrar nas salas que eles criaram ou convidá-los para a sua própria sala. Uma vez dentro de uma qualquer sala, a regra é simples: sempre que quiser falar, basta carregar no ícone com a mão levantada para que os responsáveis pela sala o possam puxar, se assim o entenderem, da plateia para o canal de conversa.

A aplicação não faz uso de recursos de vídeo e as conversas acontecem apenas via voz.

E as conversas ficam guardadas?

Quando não estiver a falar, é boa política silenciar o seu microfone para não interferir com o diálogo. As salas podem ser públicas, públicas apenas para pessoas seguidas pelo responsável ou privada e, diz a empresa, seja qualquer que for o modelo escolhido para a sala, as conversas nunca são guardadas pela empresa.

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Qualquer gravação externa feita por utilizadores está expressamente proibida pela Clubhouse. As suas informações visíveis aos restantes utilizadores são aquelas que o próprio decidir partilhar com terceiros: imagem de perfil, descrição e outras redes sociais (como o Instagram ou o Twitter).

Quando é que a Clubhouse vai ser de acesso livre a todos os utilizadores?

Embora a empresa preveja alargar o uso da Clubhouse a todos os utilizadores Android, ainda não há data prevista para que isso aconteça.

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