Esta quarentena tem servido para muita coisa. Há quem tenha aproveitado para pôr as séries em dia, quem se tenha atirado à cozinha e aos pratos elaborados para os quais nunca tenha tempo e aqueles que, ainda que em modo teletrabalho, tenham descoberto os treinos em casa para desanuviar a tensão acumulada de tantas horas em frente ao computador.

Deixa-mos-lhe aqui outra sugestão para aproveitar o tempo extra que agora passa em casa. E que tal começar uma conta de YouTube de sucesso ou, pelo menos, perceber melhor tudo o que está à volta do universo dos youtubers?

Miguel Raposo, especialista em marketing de influência e antigo agente de alguns dos maiores youtubers portugueses, como Wuant, Windoh ou D4rkFrame, refere à MAGG que o online tem sido um grande escape para a maioria das pessoas. "Há uma procura muito grande por conteúdos digitais", explica e, por isso, considera que esta é a altura ideal para começar um projeto, "desde que seja bom a criar conteúdo e que o tema seja relevante".

Tiago Leitão, youtuber, concorda com o facto de este ser o timing perfeito. "Tendo em conta a situação atual, esta é a melhor altura que alguma vez existiu para qualquer um de nós criar conteúdos digitais, visto que está toda a gente em casa". O jovem de 15 anos lembra agora que o público é muito mais abrangente e as pessoas têm muito mais tempo, tanto para ver como também para criar.

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Um bom arranque é fundamental

Primeiro de tudo e antes de começarmos sequer a gravar, precisamos de saber qual é o tema canal que queremos desenvolver. "Todos os canais têm um tipo de conteúdo onde se focam mais: vlogs, jogos, moda, viagens, lifestyle, etc. Assim, o primeiro passo é perceber qual é o seu tipo de conteúdo, ou seja, aquele em que se sentem mais confortáveis a gravar e com o qual mais se identificam, podendo ser mais originais e criativos", refere Tiago, e lembra: "Terem uma identidade é muito importante para construírem um  público com um target definido".

Já Miguel Raposo, com um pensamento igualmente estratégico, vai mais longe e diz que o criador de conteúdo tem que identificar qual é o público alvo, que conteúdo é que vai fazer e com que o objetivo. "É muito importante", lembra, "perder algumas horas a estabelecer o que quer fazer, e ter a noção clara se consegue fazer vídeos uma vez por semana ou só de 15 em 15 dias, por exemplo", refere. "Arrancar sem ter uma estratégia, sem ter uma ideia do que vai acontecer é condenar o projeto ao fracasso. Mas também é importante não desistir. Este é um processo que demora mesmo muito tempo."

Com estas ideias bem assentes, é passar à prática e começar o canal. "Se o nome do canal combinar com o tema dos vídeos, fantástico. Se não, convém que seja um nome fácil de memorizar e que não seja parecido a outros já existentes", explica o especialista.

Por fim, é só criar a conta e personalizar o canal à sua maneira.

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É preciso material

Tornar-se youtuber significa que vai usar alguns gadgets. No entanto, tanto Miguel como Tiago lembram que os primeiros a alinhar neste mundo dos vídeos começaram com a câmara do telemóvel ou até mesmo com a webcam do computador. Mas agora a exigência sobre a qualidade de vídeo é bastante alta, ainda que, tal como lembra Tiago, "o que é verdadeiramente importante é o conteúdo e a personalidade de cada um".

Ainda assim, este conhecedor do mundo dos vídeos diz-lhe qual o material imprescindível: uma câmara, um microfone, a iluminação correta e um programa para editar os vídeos, muitos deles gratuitos e até aplicações para o telemóvel. Desde o Windows Movie Maker ao Adobe Premiere, ou mesmo o Avid, DaVinci Resolve 16 ou Final Cut (que é exclusivo para Apple).

O Youtube é um meio fácil para lançar um projeto?

Nem por isso. De acordo com Miguel Raposo, "antes funcionava muito mais organicamente, mas agora, se não houver um empurrão ou apoio dos media ou algum cruzamento com alguém que já tenha um canal do YouTube, que foi o que aconteceu muito ao início, não é muito fácil de arrancar". O especialista lembra ainda que o canal não sobrevive sozinho e que é importante manter uma rede de suporte, nomeadamente com uma conta de Instagram, Facebook ou Twitter.

O próprio trabalho em si, é moroso. "É preciso ter a ideia, criar um guião, gravar o vídeo, editá-lo, criar as capas — mais conhecidas por “thumbnails” — e só depois passar à publicação", explica Tiago.

Mas se é mesmo uma coisa que quer mesmo fazer, então mantenha-se fiel à sua estratégia, aconselha,  "com criatividade, regularidade, consistência, proximidade ao público e acima de tudo credibilidade."

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Conselhos de um profissional

Tiago começa por dar as dicas que gostava que lhe tivessem sido dadas no inicio do seu canal, em 2016. “Não ligues ao que os outros pensam e dizem. Faz o que gostas e acima de tudo, sê tu mesmo!”. Para este youtuber funcionou — atualmente tem mais de 2 milhões de views e 32 923 seguidores.

Tiago aconselha ainda uma relação próxima com os subscritores, o que implica responder a mensagens, comentários e dúvidas.

Já Miguel tem cinco regras de ouro para ser um youtuber de sucesso: criar bons conteúdos, ser genuíno, ter bons títulos, trabalhar com a comunidade e promover o projeto.

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