Foi entre 1989 e 2001 que veio a público aquele que ainda hoje é considerado o maior escândalo de fraude a envolver a McDonald's. E o mais provável é que nunca tenho ouvido falar do caso porque as investigações e o julgamento dos criminosos ficaram concluídos a 10 de setembro de 2001 — um dia antes dos atentados terroristas ao World Trade Center, nos Estados Unidos.

O falatório em redor do roubo de mais de 24 milhões de dólares (cerca de 21 milhões de euros) foi eclipsado pela série de ataques que viria a mudar o século XXI, mas a história não ficou esquecida. E agora há uma nova série documental da HBO sobre o caso depois de a primeira grande reportagem assinada pelo "The Daily Beast" se ter tornado viral em meados de 2018.

Chama-se "McMillions", estreou-se esta segunda-feira, 3 de fevereiro, e conta a história insólita de um ex-agente da polícia que, sozinho, conseguiu envolver a máfia, gerentes de clubes de strip, condenados à prisão e traficantes de droga num esquema insólito através da manipulação do famoso jogo de Monopólio da empresa.

Uma das campanhas da marca implicava que todos os seus produtos — como copos de Coca-Cola —, fossem acompanhados por um simples autocolante que, no seu interior, guardava um prémio que podia ir de um simples hambúrguer a um milhão de dólares.

Jerome Jacobson, o homem que durante mais de uma década trabalhou como segurança privado da empresa, teve acesso ao processo de fabrico e tornou-se no principal responsável por organizar o transporte da fábrica aos vários restaurantes da cadeia de fast food dos autocolantes de alto valor.

Só que em vez de os entregar, Jacobson ficava com eles, substituindo-os por autocolantes falsos e de menor valor, e cedia os verdadeiros a amigos, conhecidos e criminosos. E o seu único requisito era poder ficar com uma parte dos prémios. Por ser uma processo relativamente simples e difícil de ser detetado, ninguém se opôs às propostas de Jacobson e a verdade é que, no final das investigações do FBI, a rede de envolvidos totalizava as 50 pessoas.

A rede criminosa foi descoberta em março de 2000 quando as forças especiais do FBI receberam uma denúncia anónima que viria a colocar um ponto final nos negócios obscuros do grupo. Não havia dúvidas: havia alguém, cuja fonte anónima identificou como "Tio Jerry", que estava a aproveitar-se da promoção do Monopólio da McDonald's para enriquecer.

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Após os primeiros inquéritos, as autoridades descobriram que, até à data, os dois vencedores do prémio de um milhão de euros não existiam e que os dados do autocolante não correspondiam aos produtos a que supostamente estavam associados no sistema da marca. Daí até se descobrir que todos os vencedores viviam relativamente perto de Jerome Jacobson foi um passo.

O homem foi capturado, julgado e condenado em 2001 a 37 meses de prisão. Jacobson recusou-se a prestar declarações à revista "The Daily Beast" sobre o caso. Atualmente continua a viver no estado de Georgia, nos Estados Unidos, depois de ter aceite pagar uma indemnização à empresa no valor de mais de 12 milhões de dólares (cerca de 10 milhões de euros).

"McMillions", a nova série documental da HBO e produzida pelo ator Mark Wahlberg, conta com seis episódios e promete mostrar todos os detalhes de um caso que teve tanto de insólito como de inacreditável.

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