Ao longo de seis episódios com mais de uma hora de duração, a câmara foca-se nos agentes de autoridade que, diariamente, têm de fiscalizar e sancionar aqueles que são considerados os imigrantes ilegais dos Estados Unidos. Assim é "Immigration Nation", a nova série documental da Netflix que se estreou no catálogo da plataforma de streaming na segunda-feira, 3 de agosto.

O foco nos agentes da Immigration and Customs Enforcement (ICE), a agência tutelada pela administração de Donald Trump, não é ao acaso. Foi essa a escolha dos realizadores para mostrarem, de forma isenta, os principais problemas da lei da imigração no país.

Para isso, acompanharam, durante vários meses, aqueles que estão no terreno em Nova Iorque, em Charlotte, na Carolina do Norte ou junto à fronteira, mas também os que trabalham dentro dos centros de detenção e que têm de informar famílias inteiras que vão ser deportadas para os seus países de origem — muitos deles dizimados pela guerra.

Mas o documentário entrevista ainda os imigrantes ilegais que são encontrados de forma completamente aleatória pelos agentes enquanto estes procuram por outro alvo. A esses é-lhes atribuído o nome de "os colaterais", muito porque ainda que estejam ilegalmente no país, não estão debaixo de olho da agência que, apesar disso, decide capturá-los apenas porque faz aumentar o número de detenções e a reputação da agência.

O facto de "Immigration Nation" acompanhar as rotinas da autoridade no terreno, mas também a forma como interage com os imigrantes, foi motivo mais do que suficiente para que a administração de Donald Trump tentasse censurar a produção.

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É que as imagens mostram um bocadinho de tudo: desde violência gratuita, agentes a mentir ou a fazer troça dos imigrantes, a fazer rusgas de forma ilegal e muitas vezes sem mandado ou a prender suspeitos sem cadastro. Por isso, a administração de Donald Trump tentou que algumas dessas imagens fossem cortadas do projeto final através de processos judiciais.

O caso chegou a tribunal e os realizadores alegaram liberdade de imprensa para que a série fosse mostrada exatamente como foi filmada e sem cortes. E ainda que a Casa Branca não tenha conseguido cortar alguns dos momentos mais polémicos do projeto final, tentou adiar a estreia para depois das eleições americanas de 2020 que vão opor Joe Biden, do partido Democrata a Donald Trump, do lado republicano.

A tentativa, no entanto, não teve sucesso e "Immigration Nation" está, desde segunda-feira, 3 de agosto, inteiramente disponível em todos os mercados em que a Netflix opera e para uma estimativa de 92.9 milhões de utilizadores ativos e subscritores do serviço.

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