A jornalista e escritora Maria Elisa Domingues sentou-se ao lado do apresentador Manuel Luís Goucha no programa "Conta-me", da TVI, transmitido este sábado, 7 de novembro, para uma conversa intimista para prometia revelações de uma mulher jornalista que se afirmou no jornalismo político, mas Maria Elisa foi mais à frente no tempo e falou sobre uma das maiores apostas do canal para o qual foi entrevistada: reality shows.

Maria Elisa começou por contar que antes de chegar ao jornalismo tinha outra área em mente. "Nunca tive ideia de ser mais nada na vida senão psiquiatra", revela. Contudo, a vida levou-a para o teatro durante algum tempo, mas o caminho desviou-a novamente, desta vez para o jornalismo. "Onde tens um trabalho notável, pioneiro", destaca Manuel Luís Goucha.

A jornalista começou a entrevistar figuras políticas quando tinha apenas 27 anos, numa altura em que as mulheres não eram regulamente vistas com um papel de destaque no jornalismo nesta área.

"Era muito miúda quando comecei a fazer entrevista políticas. E de facto vi em alguns entrevistados uma certa condescendência, que acho que com o tempo se foi dissolvendo", diz Maria Elisa Domingues. "Estava tão empenhada a provar que era capaz, em fazer as perguntas certas, que felizmente não tinha muito tempo na altura para me deter nesses pormenores. Mais tarde sim, percebi", acrescenta, apesar de reconhecer que noutros casos também sentiu "muito respeito".

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"O machismo não tem nada que ver com orientação politica. Tem que ver com as pessoas, a própria educação", afirma aquela que foi a primeira diretora de programas de um canal de televisão, na RTP, cargo que também assumiu mais tarde na SIC. "Não foi mais valia nenhuma. Sobretudo na RTP, em 1980. Tinha 30 anos, 600 pessoas a meu cargo. 70% eram homens", lembra.

Surpreendentemente, Maria Elisa Domingues revela que o momento em que mais aprender sobre poder, foi quando terminou o período de chefia no canal público de televisão. "O poder para mim foi importante no momento em que o perdi e comecei a ver como é que as pessoas me tratavam", recordando que nos aniversários passou de receber exuberantes ramos de flores para mensagens que não chegavam.

Ainda na conversa com Manuel Luís Goucha, transmitida no canal que transmite o reality show "Big Brother - A Revolução" que leva o canal a liderar as audiências ao domingo, dia de gala, a jornalista e escritora afirma sem se conter: "Detesto reality shows".

"Acho que um canal de televisão que tem obrigações, o estatuto para abrir um canal de televisão tem um caderno de encargos que tem de ser cumprido, não pode levar-nos a cair tão baixo, a cair naquilo que há de mais torpo nas pessoas, de um voyeurismo mais fácil das pessoas".

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Maria Elisa não acredita que estes programas sejam pensados como um laboratório. "É feito para dar audiência e dá audiência", remata. Contudo, acredita mais nos programas da manhã, dando como exemplo o trabalho de Manel Luís Goucha no "Você na TV", uma vez que para si a televisão de entretenimento deve aliar uma "função lúdica, mas também social". "É isso que eu não vejo nos reality show", acrescenta. 

Maria Elisa Domingues revela que está a preparar um novo livro — que se junta aos títulos "40 Anos do SNS",  "Confissões de Uma Mulher Madura", "Amar e Cuidar" e "Viver com Fibromialgia" — , e desta vez vai assinalar os 70 anos da medicina interna em Portugal.

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