"Tabu", o novo programa de Bruno Nogueira, estreia na SIC no dia 5 de março. O formato combina a dinâmica de uma experiência social com stand up comedy e divide-se em dois momentos: o humorista vive durante uma semana com quatro pessoas que, por diferentes razões, são alvo de preconceito ou têm algum tipo de vulnerabilidade (física ou mental). Após essa semana, organiza um espectáculo de stand up comedy para essas quatro pessoas, além de família e amigos das mesmas.

O formato, uma adaptação do original belga "Taboe", "vai marcar não só o ano televisivo, como a forma como olhamos para o humor em televisão e para aquilo que se convencionou ser interdito ao exercício do humor". A garantia é dada por Daniel Oliveira, diretor geral de Entretenimento do grupo Impresa e o responsável por, em 2020, trazer Bruno Nogueira de volta à estação de Paço de Arcos.

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O responsável da SIC afiança que esta é a melhor adaptação de "Taboe". "O Bruno consegue elevar esta ideia, que parte do princípio de que ninguém está interdito ao humor. Não é a diferença física que alguém pode ter que impede que nós possamos brincar com essa pessoa. Não necessariamente dessa pessoa, mas com essa pessoa. E isso é respeitar a a sua diferença", explica ainda Daniel Oliveira. 

Daniel Oliveira e Bruno Nogueira
Daniel Oliveira e Bruno Nogueira créditos: Pedro Melo/ Divulgação SIC

Na apresentação à comunicação social, a MAGG pôde ver os primeiros 20 minutos do primeiro episódio. Os protagonistas têm em comum o facto de terem diferentes deficiências físicas.

Inês, Luís, Bruno Nogueira, Micaela e Sérgio
Inês, Luís, Bruno Nogueira, Micaela e Sérgio créditos: SIC
  • Micaela tem pseudoacondroplasia, uma displasia óssea que, segundo a definição disponível no site da Associação Nacional de Displasias Ósseas, se manifesta na "baixa estatura desproporcionada e osteoartrite precoce e uma marcada flacidez nos dedos, pulsos, cotovelos e joelhos";
  • Sérgio é paraplégico. Desloca-se numa cadeira de rodas depois de ter sofrido um acidente. Um tecto desabou-lhe em cima e deixou-lhe lesões permanentes na coluna;
  • Luís nasceu sem membros inferiores e sem alguns dedos, uma malformação congénita que fez com que fosse amputado à nascença e lhe fossem colocadas próteses;
  • Inês sofreu queimaduras no corpo e teve uma perna amputada na sequência de um incêndio florestal que atingiu a casa onde se encontrava.

Ao longo de uma semana, Bruno Nogueira tem várias conversas com os quatro protagonistas, para ficar a conhecer melhor as suas histórias. Há também momentos de descontração, muitos hilariantes, como quando, ao acenderem uma lareira, Luís diz sentir o calor "nos joelhos" e Micaela "na testa". É impossível não nos emocionarmos com a clareza e a força dos quatro protagonistas, que falam das suas limitações de forma descomplexada e bem humorada. "Ajuda a relativizar muita coisa", disse Bruno Nogueira durante a conferência de imprensa. Confirmamos.

"Tabu" é "um exercício de inclusão através do humor"

“Tabu” é a primeira experiência de Bruno Nogueira num formato adaptado. O humorista explicou que, quando Daniel Oliveira lhe propôs ser o rosto da versão portuguesa, sentiu alguma insegurança. "Depois, com um olhar mais descomprometido, percebi que é um formato que me interessa por várias razões."

"Quando se faz humor sobre alguns temas mais sensíveis, as pessoas que se ofendem normalmente têm muito pouco que ver com o assunto de que se fala. E acredito que escolher não fazer humor sobre certos assuntos é, por si só, uma forma de discriminação. É achar que aquelas pessoas não têm capacidade de ouvir ou de se rir sobre o problema delas", explica o humorista.

Bruno Nogueira considera que "Tabu" tem sido "um exercício muito importante de fazer" enquanto humorista. "Talvez se fosse há cinco, 10 anos, não teria capacidade para o fazer. Mas, hoje em dia, não só foi desafiante como me acrescentou muito, não só conhecer as pessoas e as realidades, ajuda a relativizar muita coisa, como escrever stand up sobre temas que, à partida, estão barrados na cabeça das pessoas, é muito libertador. E, para as pessoas que estão a ouvir, também o é."

O humorista esclarece que os participantes do formato têm, desde início, total conhecimento e agência sobre os conteúdos do formato. "Nunca foi omitido nada do que seria o programa. Era dito, aliás, que iria haver um espetáculo de stand up sobre essa temática. E havia um acordo de cavalheiros entre convidados e produção que tudo o que os deixasse desconfortáveis, uma coisa qualquer que eu pudesse dizer, ou uma parte qualquer do stand up que lhes tocasse num sítio menos confortável, como isto é feito para eles, teríamos sempre o cuidado de os defender. Até agora não aconteceu, mas se acontecer teremos sempre esse cuidado."

Numa era que as redes sociais permitem a crítica pública de essencialmente tudo, Bruno Nogueira não está especialmente preocupado com isso. E explica porquê. "Se uma pessoa, nas suas plenas faculdades motoras, se ofender por interposta pessoa, está a dar razão à existência deste programa. Está a criar um tabu onde pelo menos estas pessoas não criaram. Esse pequeno truque, onde as pessoas podem sair baralhadas, é uma coisa que eu acho muito interessante para todas aquelas pessoas que têm como principal propósito estar a ver do princípio ao fim com um lápis e uma caneta na mão, com o objetivo de se ofender". O humorista diz, no entanto, que "Tabu" não é uma formato incitador dessa crítica, mas sim um "exercício de inclusão através do humor".

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Questionado sobre qual era o seu estado de espírito após as gravações do formato, o humorista descentra o processo. "Acho que o assunto deles é sempre mais interessante do que a minha reação ao assunto. Mas devo confessar que, sendo um ritmo de trabalho intenso e como eram temas muito sensíveis, nem sempre é fácil o gráfico emocional. Grande parte das histórias são muito duras e nem sempre se está com a melhor disposição depois de ouvir uma história daquelas. Mas pondo na balança, os convidados que passaram pela história em si certamente que passaram por tempos bem piores. É um problema de primeiro mundo quando estou um bocadinho mais em baixo", admite.

A primeira temporada ainda está a ser gravada mas, como revelou Daniel Oliveira, vai haver uma segunda. Guilherme Fonseca (que também faz parte da equipa de "Isto é Gozar com Quem Trabalha") e Frederico Pombares ("Último a Sair", "Desliga a Televisão", "Esperança") são os guionistas e a produção é da Até ao Fim do Mundo. Os protagonistas foram escolhidos pela equipa de pesquisa da produtora.

Frederico Pombares, Bruno Nogueira e Guilherme Fonseca
Frederico Pombares, Bruno Nogueira e Guilherme Fonseca créditos: Pedro Melo/ Divulgação SIC

Racismo, obesidade, doenças do foro psíquico e doenças terminais são outros dos temas que serão abordados nos episódios da primeira temporada. O formato está a ser gravado no Sublime Comporta e, tal como revelou Pedro Sousa, diretor de produção e conteúdos da Até ao Fim do Mundo, "Tabu" é feito por uma equipa de, no total, 60 pessoas.

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