O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos recomenda que, semanalmente, todas as pessoas completem um total de duas horas e meia a cinco horas de exercício físico, avança o "Daily Mail". Sim, desde que o corpo esteja em movimento, pode ser qualquer um, mas, dependendo daquilo que praticar, pode aliar os efeitos físicos aos psicológicos – ou seja, cada género de atividade física acarreta benefícios diferentes.

Quando nos exercitamos, estamos a ativar o sistema de recompensa do corpo. Isto é, ao fazermos exercício, libertamos dopamina, serotonina e endorfinas. Por sua vez, estes neurotransmissores vão fazer com que o cérebro registe o comportamento como prazeroso – e, consequentemente, vai levar-nos a querer repetir algo que nos fez sentir tão bem. Tendo em conta os diferentes tipos de desporto, os efeitos a nível mental podem ainda ser maiores. Vamos a exemplos?

Dança

A dança pode mesmo ser um remédio natural para tratar a ansiedade e as dores crónicas – e quem o diz é a Starre Vartan, uma escritora que se foca na área da ciência, num artigo do "The Washigton Post". E, além de estudos, a especialista tem dois testemunhos para prová-lo: o seu e o do seu pai.

Starre Vartan refere que a doença com a qual o pai sofreu já o tinha deixado arrasado mentalmente, algo que a pandemia veio adensar ainda mais. Desde então, começou a dançar para aliviar alguma ansiedade que pudesse sentir – e descobriu que, afinal, resulta mesmo.

E há dados científicos que corroboram o testemunho de Starre Vartan. Um estudo de 2011, que teve como amostra os alunos da Universidade de Selçuk, na Turquia, mostrou que a dança é um bom tratamento para a depressão, sem recorrer a químicos e fármacos. Isto porque 120 alunos afirmaram que, depois de terem Dança Movimento Terapia (DMT) durante 12 semanas, os seus sintomas depressivos diminuíram significativamente.

Já em 2019, uma investigação publicada na revista Frontiers in Psychology analisou 351 adultos em diferentes estados de depressão e a serem tratados de diferentes formas. Enquanto uns estavam a receber o tratamento normal, outros submetiam-se à DMT. Algumas semanas depois, chegou-se à conclusão de que as pacientes que fizeram a DMT viram uma melhoria no seu estado depressivo, quando comparados com quem estava a receber um tratamento normal.

Corrida

Não é cliché quando dizem que correr ajuda a limpar a mente. Esta atividade, efetivamente, vai fazer com que haja um maior fluxo de circulação sanguínea para as partes do cérebro que respondem ao stresse e à ansiedade, fazendo com que estas desempenhem melhor as suas respetivas funções.

Mesmo dentro desta modalidade, as diferentes formas de a praticar surtem, por sua vez, efeitos distintos. Por exemplo, uma pesquisa realizada pela Western Michigan University, em 2018, mostrou que correr rapidamente durante 30 minutos promove uma melhor frequência da conectividade cortical. Traduzindo por miúdos, melhora o desempenho da atividade que está ligada à capacidade do cérebro de processar informações – algo que a ansiedade e a depressão tornam mais difícil.

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E este aspeto foi confirmado por estudos como o da Universidade de Nottingham Trent, que descobriu que alternar a intensidade da corrida melhora partes da função executiva cerebral, incluindo a memória e o raciocínio. Assim, a capacidade de foco, de bloqueio de distrações e resolução de problemas são alguns dos efeitos de que poderá beneficiar com uma corrida.

Natação

A ansiedade é responsável por fazer com que respiremos mais rápido, podendo, em certos casos, levar à hiperventilação e aos ataques de pânico. Contudo, a natação força a regulação da respiração e evita esses cenários mais graves (e, claro, menos desejáveis).

Isto porque nadar ativa o sistema nervoso parassimpático, responsável por estimular ações que permitem ao organismo responder a situações de calma. Quando nos encontramos nesse estado, os vasos sanguíneos dilatam, a frequência cardíaca e a pressão arterial diminuem e o corpo é capaz de relaxar.

Além disso, a respiração rítmica a que esta modalidade obriga também vai ter efeitos no sistema linfático, no sentido em que ajuda a remover toxinas do corpo que acarretam consequências para o bem-estar mental.

Desportos coletivos

Um estudo de junho deste ano, levado a cabo pela California State University, mostrou que as crianças que praticam desportos coletivos, como futebol, têm menos probabilidade de sofrer de doenças do foro mental do que quem é mais adepto das modalidades individuais. Isto porque esta atividade fomenta o sentido de equipa, cimenta laços sociais e confere aos mais pequenos um propósito.

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Também houve outras pesquisas a comprovar estes dados – foi o caso do estudo da "Sports Science & Medicine", em 2019. Da amostra, 13% dos atletas que praticam desportos individuais admitiram lidar com ansiedade e depressão, enquanto apenas 7% dos atletas de modalidades coletivas o fizeram.

Assim, tudo aquilo que seja feito em grupo tem efeitos positivos no âmbito das relações interpessoais, seja com amigos ou família, afasta a sensação de isolamento e ajuda a combater com o stresse, culminando num melhor estado de saúde mental.

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