O cancro continua a afetar milhares de portugueses todos os anos. Contudo, nos últimos tempos, e devido à pandemia da COVID-19, muitas doenças ficaram por diagnosticar, algo que está a preocupar os especialistas.

"O nosso cálculo é que dentro de um a cinco anos veremos cancros em estados mais avançados", diz Francisco Cavaleiro Ferreira, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), citado pela Rádio Renascença.  "Basicamente, quanto mais tarde fizermos o diagnóstico, maior será a probabilidade de encontramos tumores mais avançados, o que obriga a tratamentos mais agressivos e provavelmente a sobrevivência será menor", continua.

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Para a LPCC, o retrato da realidade oncológica em Portugal no contexto pandémico de COVID-19 é "preocupante" e estima-se que só em 2020 o cancro tenha sido responsável pela morte de 30.168 pessoas em Portugal. Para um maior sucesso dos tratamentos, os especialistas alertam regularmente para os rastreios e para a necessidade de se consultar um médico assim que notamos alguma indicação de que algo pode não estar bem com a nossa saúde.

O cancro é, contudo, uma doença que afeta não só a pessoa diagnosticada como todos aqueles que a rodeiam. No dia Mundial da Luta contra o Cancro, que se assinala esta sexta-feira, 4 de fevereiro, reunimos cinco formas que estão ao nosso alcance para podermos ajudar quem passa pela doença

Dar sangue

Doar sangue é sempre uma forma de ajudar as pessoas que se encontram nos hospitais e precisam desta alternativa para sobreviver. "Doar sangue ajuda toda a gente, mas as pessoas com cancro são efetivamente as que mais consomem estes recursos a nível hospitalar", explica à MAGG Daniela Macedo, oncologista no Hospital Lusíadas.

"Ser dador de sangue pode ajudar as pessoas que têm cancro no sentido em que algumas, ou pela própria doença ou pelos tratamentos, vão ter alguma diminuição das células do sangue. Por este motivo, são pessoas mais suscetíveis a terem anemias e por isso são doentes que muitas vezes têm de fazer transfusões", continua a especialista.

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No final de janeiro, o Instituto Português do Sangue e da Transplantação fez um novo apelo aos dadores de sangue, referindo que a situação é preocupante e que as reservas disponíveis davam, no máximo, para mais 37 dias.

Álvaro Beleza, diretor do serviço de sangue do Hospital de Santa Maria, apelou à doação por parte dos jovens e frisou que o facto de estarem muitas pessoas confinadas está a dificultar a recolha de sangue. "Há cerca de um milhão de pessoas confinadas (…). Dadores fazem parte desta população", disse, citado pela SIC Notícias. 

Para se ser dador de sangue é preciso ter pelo menos 50kg e idade igual ou superior a 18 anos.

As dádivas podem ser feitas nos Centros de Sangue e Transplantação de Lisboa, Porto e Coimbra (de segunda-feira a sábado das 8h às 19h30) ou nos serviços hospitalares com recolha de sangue espalhados de norte a sul do País. Informação sobre horários e locais podem ser consultadas aqui. 

Nos locais de colheita deve:

- apresentar um documento de identificação com fotografia (Bilhete de Identidade/Cartão de Cidadão, passaporte, cartão de residente ou carta de condução)

- preencher um questionário.

Posteriormente, é avaliado por um profissional de saúde qualificado que determina a sua elegibilidade para a dádiva de sangue, através de uma avaliação clínica e exame físico (como determinação do seu peso, altura, hemoglobina e tensão arterial).

(fonte: SNS24.pt)

Inscrever-se como dador de medula

De acordo com a especialista Daniela Macedo, também a inscrição no banco de dadores de medula é essencial para as pessoas que passam por certo tipo de cancros. "O transplante de medula óssea permite repovoar as medulas que foram varridas pelos tratamentos de quimioterapia intensivos", diz.

Provavelmente, já todos nos deparámos com apelos feitos por famílias que, de repente, veem um dos seus enfrentar uma doença cuja cura passa por um transplante de medula. Mas, por medo ou desconhecimento, são muitos os que não dão resposta.

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Para se inscrever como potencial Dador de Medula óssea tem apenas de ter entre 18 e 45 anos; peso mínimo de 50kg; altura superior a 1,50cm; ser saudável e nunca ter recebido transfusões após 1980.

Registar-se como potencial Dador de Medula óssea implica apenas preencher um impresso e tirar uma pequena amostra de sangue. Depois, só uma ínfima quantidade de potenciais dadores tem a oportunidade de ser compatível com um doente e poder salvar uma vida.

O potencial dador pode, em qualquer momento, desistir do processo. "A decisão de se registar como dador deve portanto ser uma decisão totalmente voluntária, ponderada e consciente para não causar falsas expectativas em doentes necessitados", apela a Associação Portuguesa Contra a Leucemia.

Uma vez registado como potencial dador, poderá ser chamado para salvar alguém até aos 55 anos de idade.

Neste artigo esclarecemos todas as regras e mitos associados à doação de medula e contamos as histórias de quem já doou.

Apoiar emocionalmente

Tratando-se o cancro de uma doença que, na maioria dos casos, afeta emocionalmente também as pessoas que rodeiam o paciente, Catarina Graça, psicóloga, frisa que é essencial que também os familiares e amigos se munam de capacidades para poder ajudar o doente.

"O que acontece é que as pessoas que estão à volta de quem passa pela doença são realmente o maior apoio e os pilares principais para ajudar na aceitação de todas as fases da doença. Na execução de tarefas diárias, por exemplo, com alguma sensibilidade, devem tentar perceber como podem ajudar, não colocando nunca um rótulo de invalidez na pessoa. A nível emocional, tudo decorre como uma cadeia de apoio", explica a especialista à MAGG.

Assim, Catarina Graça aconselha também a que as pessoas tentem chamar a atenção do doente oncológico para outros aspetos da vida "e não fazer com que tudo gire à volta da doença". Contudo, frisa também a importância de haver abertura para falar "com naturalidade" dos momentos menos bons.

Contribuir para a Acreditar

A Acreditar trata-se de uma Associação composta por crianças, jovens, pais e amigos de crianças com cancro. Nas Casas da Acreditar, nos hospitais ou no domicílio, o apoio da associação desdobra-se nos planos emocionais, logísticos, sociais ou outros que as famílias necessitem.

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Para ajudar a Acreditar e, consequentemente, as crianças com cancro e as suas famílias, pode fazê-lo de várias formas como tornar-se sócio (pagando uma quota mínima anual de 25€); ser voluntário; fazer donativos financeiros — através dos IBANS PT50.0018.0355.0020.0013140.64 (Núcleo Sul), PT50.0033.0000.05281076847.45 (Núcleo Centro), PT50.0033.0000.00117854031.05 (Núcleo Norte) ou PT50.0033.0000.00241523987.05 (Núcleo Madeira) — ou fazer donativos materiais.

Na página da Acreditar é sempre possível ter acesso às necessidades da Associação. Neste momento, em Coimbra, por exemplo, é preciso material escolar, bens de higiene, produtos de manutenção da casa e almofadas. Em Lisboa, é preciso panos de loiça e edredões novos. No Porto, é preciso máscaras cirúrgicas para crianças e pensos rápidos coloridos. No Funchal, falta material escolar e caixas de máscaras cirúrgicas.

Ser Voluntário da Liga Portuguesa Contra o Cancro

Ser voluntário é sempre uma forma de ajudar os outros. Se gostava de se tornar voluntário da Liga Portuguesa Contra o Cancro, deve contactar o núcleo da sua área de residência.

De acordo com a LPCC, o candidato a voluntário deve cumprir as seguintes condições para ser admitido:

  • Ter mais de 18 anos;
  • Comparecer a entrevistas de avaliação da disponibilidade e motivações;
  • Frequentar um Curso de Formação promovido pela LPCC (no caso da candidatura ser aceite);
  • Frequentar um estágio na área de voluntariado onde foi admitido (período de tempo variável) ;
  • Cumprir com os regulamentos e princípios gerais do voluntariado da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Na liga há quatro tipos de voluntariado: de competências, de entreajuda, comunitário ou hospitalar.